Por Dudi Machado

Esqueça o abadá, o crachá e a credencial. Antes de o sambódromo da Marquês de Sapucaí ser inaugurado, em 1984, no Rio de Janeiro, e transformar os camarotes em objeto de desejo, o Carnaval corria mais livre, menos corporativo. No fim da década de 1970 e início dos 1980, os bailes eram os grandes palcos, e os empresários da noite Ricardo Amaral e a francesa Régine Choukroun, os donos da festa. Mulheres e homens lindos, gente jovem e nem tanto, artistas, socialites, cantores. Do chic ao cult, uma mistura sem igual: os cariocas, os paulistas e a turma internacional, as dondocas e as locomotivas, todos reunidos sob a tenda da festa O Circo, que se repetiu durante anos sob a batuta de Régine, que surgia vestida de domadora de leões, comandando as panteras e os tigrões da época.

“Eu era fotógrafo da coluna do Giba Um, no jornal Última Hora, e durante anos fotografei o carnaval carioca. As paulistas bacanas mandavam fazer vestidos com costureiros e levavam até seus cabeleireiros. Debandavam-se para o Rio, onde acontecia uma maratona de bailes: começava na sexta, com o tradicional “esquenta” da Linda Conde, no Copacabana Palace, e daí emendava um no outro até a Quarta-Feira de Cinzas. Os bailes da Cidade, do Copa, o das Panteras e o Gala Gay – o mais animado. Todos tinham bandas enormes e escola de samba dentro, era inacreditável”, relembra Dimas Schittini, testemunha ocular de coisas que até Deus duvida. De Alain Delon a Al Pacino, de Raquel Welch a Olivia Newton-John, todos os astros e jet setters incluíam o carnaval do Rio no roteiro festeiro de cada ano para celebrar o maior show da terra e, literalmente, rasgar a fantasia.