Influenciadora recifense conversou com Bazaar sobre empreendedorismo em tempos de pandemia do Covid-19 (Foto: Divulgação)

Camila Coutinho é uma visionária da era digital. Com mais de 2,5 milhões de seguidores, a influenciadora parece sempre estar um passo à frente quando o assunto é tecnologia e novos negócios. Foi assim quando o mercado de blogueiras de moda era um terreno árido e ela navegou muito bem, obrigado, há uma década. Ela aproveita esse olhar analítico para contar à Bazaar cinco passos que podem ajudar a salvar os negócios nos tempos de quarentena. Aliás, ela passa o auto-isolamento na natal Recife ao lado de amigos.

Para a influencer, essas dicas podem ajudar microempreendedoras ou pequenas empresárias – ou pelo menos tentar – sair ilesas da oscilação do mercado. São elas: 1) organizar-se financeiramente; 2) repensar atitudes, focar no digital; 3) menos burocracia, mais agilidade na aplicação das ações; 3) reforço de comunidade, pessoas que acreditam na sua marca; 5) consumo consciente: olhar mais para qualidade e não quantidade. Adepta de um guarda-roupa enxuto, ela diz que acha muito mais “cool” quando se repete roupa. “Eu acho que a ostentação vai ficar muito mais feia. Porque o mundo vai estar em crise. (Bom) senso”, brada.

Na companhia de Jean Paul Gaultier (à esq.) e, nas ruas de Paris para a despedida do estilista das passarelas, em janeiro (Fotos: Instagram)

Camila enxerga com clareza os próximos passos no mercado da moda. “Só exalta tudo o que já vinha acontecendo em termos de consumo: qualidade ao invés de quantidade, a crise das fast-fashions e uma mudança de comportamento de compra”, analisa. Para ela, passada a crise, as pessoas terão de realinhar seus valores às necessidades. “Marcas deveriam repensar o produto, tirando um pouco o foco da tendência e trabalhando na roupa boa, no comprar direito. Não precisa descartar roupa. Vai ficar cafona… Já é feio ostentar todas as cores de um sapato”, pondera.

Enquanto as grandes marcas podem investir em conscientização e reforço institucional, os pequenos têm de se reinventar. “Primeiro de tudo é organizar financeiramente o negócio, as contas, repensar o modelo no sentido de: agora preciso ser mais digital ou, de repente, preciso mudar meu produto”, avalia. Camila acredita que, com a comunicação certa, os negócios pequenos conseguirão resistir.

Para ela, existem pontos positivos que os negócios pequenos largam na frente das maiores: menos burocracia na hora da aprovação (quanto mais rápido aprova-se uma ideia, mais rápido aplica). E o fato de existir uma comunidade, que é “muito difícil” dessas gigantes construírem. “Explorar o carinho das pessoas com a marca.”

Ela compartilha a história de uma seguidora, que pediu dicas para que seu negócio de festas infantis e venda de roupas para crianças não ruísse. “Por que você não faz um kit de mesversário, que são mães que comemoram aniversário do neném (mês a mês)”, sugeriu. Nessa linha, a mãe vai comemorar, postar nas redes e atrair novos compradores. “Faz uma coisa chique, low profile, um kit barato e pequeno. Porque também ostentar é feio agora.”

#EuFicoEmCasa

Em tempos de distanciamento social, Camila Coutinho saiu na frente e – tão logo anunciada a quarentena no Brasil – montou um dos primeiros festivais remotos do País, o GE Festival (inspirado no português #EuFicoEmCasa), reunindo desde uma aula de culinária com Bela Gil a um musical do cantor Silva – todos ao vivo de suas respectivas casas. Também aproveitou o momento para falar de empreendedorismo com a cantora Anitta em sua conta pessoal. Veja outros highlights do nosso papo:

Moda nacional

“Eu acho que não faz sentido uma blogueira de moda não ir para uma semana de moda no Brasil. Seja SPFW ou Casa de Criadores, em especial esta segunda. Nós temos que manter viva a nossa indústria e a criatividade no Brasil. A gente (enquanto Garotas Estúpidas) sempre teve uma cobertura muito ativa das semanas de moda, incluindo os novos criadores. Eu não posso ir em todos, mas tento estar de alguma maneira (mandando colaboradores).”

Novos estilistas

“Às vezes tem esse mito de que a blogueira só usa o que ela ganha. Isso não se aplica a mim. Eu posto muito novos estilistas, faço questão. É reforçar isso dentro do nosso papel de mídia do dia a dia”, reforça.

Papel da mídia

A gente sabe que a mídia, inclusive a impressa, está em um momento de uma reestruturação. Mas isso tem que ser feito sem perder o allure da validação, a magia da moda. E (sempre) manter a curadoria.”

Ideias para a quarentena

No Garotas Estúpidas (seu site), tem uma coluna, chamada #PubliDaLeitora, que existe desde o ano passado e serve de janela para seguidoras que têm marcas, serviços e talentos. “Elas mandam e a gente posta. A gente vai intensificar isso agora.”

Só corona no feed

“Tive essa conversa com a minha equipe de que o feed estava muito corona. Na hora, olhando o feed, voltei atrás. É a realidade. Não tem como nossos assuntos não estarem relacionados ao (novo) coronavírus. Fizemos uma para quem entrou a quarentena de unha de gel, como fazer para tirar, que bombou, por exemplo.”

Do lado esq., Camila aparece em #selfie em dia de auto-isolamento e, do lado dir., um arco-íris em frente à sua casa (Fotos: Instagram)