Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia – Foto: Divulgação

Por Camila Salek

Durante a fase mais agressiva da pandemia da Covid-19, as medidas restritivas e de isolamento social afetaram profundamente os hábitos de consumo e a forma como pessoas se relacionam com as marcas. O isolamento fez com que novos modelos se tornassem mais populares, tendo sua adoção potencializada em curto espaço de tempo.

Aprendizado a distância, ferramentas para trabalho remoto, telemedicina, hábitos saudáveis, entretenimento online, entre outros, são alguns que valem destacar. Os benefícios de uma nova forma de viver e trabalhar começam a ser confrontados com mudanças em negócios e estilos de vida tradicionais. Muitos líderes estão perdidos e não sabem mais qual o seu papel.

A nova expressão americana “Bani World” (brittle, anxious, non-linear, incomprehensible) algo como mundo frágil, ansioso, não linear e incompreensível nos mostra claramente como não temos controle da situação. Como é difícil para líderes e gestores acostumados a direcionar seus negócios e equipes simplesmente não terem respostas. Cheguei a compartilhar em algumas lives como foi complicado viver as primeiras semanas logo que a pandemia se estabeleceu. Assimilar as incertezas para recalcular as rotas definitivamente está fazendo deste um dos momentos mais desafiadores e, certamente, o mais atípico que já vivi.

O isolamento social nos deu uma rara janela de reflexão, que precisa ser aproveitada para uma mudança positiva de comportamento. Volatilidade e complexidade não são mais lentes suficientes para entender o que está acontecendo. Segundo recente pesquisa realizada pelo LinkedIn, as 5 soft skills mais procuradas em profissionais atualmente são a criatividade, persuasão, colaboração, adaptabilidade e inteligência emocional. Eu, que sempre tive o nome da empresa como sobrenome, vejo um novo momento onde reconhecemos que somos muito mais que os nossos cargos. Somos pessoas em primeiro lugar. Temos identidades, hobbies, talentos e vidas para viver.

Em um contexto onde a prioridade é cuidar das pessoas, líderes têm como papel principal fornecer suporte emocional para que colaboradores, clientes, fornecedores e parceiros se sintam confortáveis e confiantes. Medo e incerteza minam a capacidade de fazer escolhas e manter atividades sendo executadas. É preciso olhar para os indivíduos e as suas necessidades.

Muito me orgulho em ver a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, anunciar que zerou a transmissão da Covid-19 no país. Jacinda vem sendo apontada como um exemplo da liderança dos novos tempos, que pode ser resumida por 3 palavrinhas:

1. humildade (para escutar vozes externas)

2. autenticidade

3. vulnerabilidade

Não é incrível? Para nós mulheres, que muitas vezes precisamos assumir comportamentos masculinos para ter sucesso, vemos que o ambiente competitivo e agressivo agora valoriza a sensibilidade e o instinto. O mundo está mudando de fato e será importante entender que os agentes motivadores de carreiras no passado se transformaram em novas expectativas no mundo atual.

Passado x novas expectativa*

1. Meu salário – se torna meu propósito

2. Minha satisfação – se torna meu desenvolvimento

3. Meu chefe – se torna meu coach

4. Minha avaliação anual – se transforma em conversas diárias

5. Minhas fraquezas – abrem espaço para minhas forças

*pesquisa Gallup “How millennials want to work and live”

Humildade, autenticidade e vulnerabilidade passam a ser características respeitadas em lideres que praticam a empatia. O formato de liderança hierárquica que construiu a nossa jornada de trabalho até aqui e ainda é realidade em boa parte das empresas, migra para o modelo em rede de wirearquia, onde a informação, o conhecimento e a confiança fluem em via de mão dupla.

Foto: Divulgação

A estrutura dos nossos relacionamentos está em transformação e isso refletirá uma nova cultura de colaboração, empatia, intuição e confiança. Os líderes de hoje têm um papel determinante em relação aos próximos passos da cultura organizacional que ressoa no posicionamento da empresa, no mercado e na forma como ela se conecta com o seu público. A atração de profissionais vinculados a este novo mindset corporativo, que são capazes de praticar um olhar humano, se torna um diferencial essencial para construir comunidades onde as pessoas estão no centro de todos os processos. Que comece uma nova era de liderança empática.

Camila Salek – Sócia-fundadora da Vimer Experience Merchandising integrante do grupo de empreendedoras de sucesso do programa “Winning Women Brasil” da Ernst Young e colunista da Harper’s Bazaar Brasil. Referência em varejo e visual merchandising, está por trás de evoluções significativas da experiência de consumo e do desenvolvimento do conhecimento da área, através da implementação de projetos inovadores e compartilhamento de conteúdos ministrados em aulas, palestras, treinamentos e publicações nacionais e internacionais voltadas para moda e tendência.