Camila Salek – Foto: Divulgação

Por Camila Salek

Pela primeira vez, em mais de 20 anos atuando com o varejo, tirei férias em dezembro. Assim que tomei esta decisão me senti quase uma herege professando uma doutrina contrária a um dogma que sempre foi colocado como indiscutível. Não me arrependo.

RESET MODE foi a minha segunda coluna aqui na Bazaar no início da pandemia. Lembro-me com muito carinho desta coluna, pois ela refletia um momento que precisei desapegar de muita coisa que acreditava para poder construir novas histórias voltadas para o momento que estávamos e ainda estamos vivendo. De lá para cá, parece que já se passaram uns 10 anos, mas foram apenas 8 meses que me transformaram para a vida toda.

O autoconhecimento é um fator extremamente importante para entendermos nossas falhas, nossos limites e nossas forças. Li uma postagem esta semana da marca de incensos naturais “Incenso Fênix” (@incensofenix), que se conectou demais com a pausa que precisei fazer nos últimos 15 dias:

“A vida requer momentos de expansão e recolhimento, e isso faz parte da dança do universo. As plantas, a água, os animais e toda natureza seguem nesse fluxo divino. Nosso movimento de expansão, pode ser representado por atitudes positivas, momentos de alegria, amor, abundância e todo círculo virtuoso do bem. Mas em alguns momentos a vida nos pede recolhimento, principalmente diante de desafios, crises e perdas.”

Assim foi o ano de 2020 para mim, momentos de muita expansão e momentos de forte recolhimento. Tudo isso somado a altas doses de estresse, pressão, insegurança e parentalidade em tempo integral. Já disse em algumas colunas anteriores o quanto lidar com tudo isso sem o benefício dos sistemas de apoio regulares foi muito desafiador. Estava no meu limite e precisei parar tudo para me reconectar comigo mesma. Escolhi ter um momento de expansão e ser simplesmente a Camila.

Dizem que os sagitarianos são superlativos. Acho que este é um adjetivo que me define bem. Sou uma mulher superlativa: na vida, na profissão nas relações. A incrível coincidência de ter nascido no mês mais importante (e mais tenso) para a minha profissão, sempre trouxe para o meu aniversário um momento de finalização de um ciclo de vida somado à finalização de um ciclo de trabalho. Num ano atípico, onde pouca coisa aconteceu como previsto, eu escolhi viver esta passagem de ciclo de uma forma singular: em um país distante, longe dos amigos, da família e da minha rotina intensa de dezembro. Posso começar dizendo que foi a melhor coisa que fiz para mim mesma desde que a pandemia começou.

Estar em outro país, com uma cultura diferente da nossa e no meio desta pandemia me mostrou muita coisa e me trouxe algumas lições.

A primeira foi uma afirmação de que para todo contexto, existem diferentes perspectivas. Temos um mundo inteiro lutando contra um mesmo inimigo, que é o coronavírus, buscando soluções e adaptações distintas para isso. Sentir as dores de um outro país nesta luta me fez pensar o quanto podemos exercitar exaustivamente as nossas opções de rotas diante de um problema.

Já não viajava havia quase 10 meses e voltar a explorar o mundo no meio de uma pandemia exigiu muito planejamento e adaptações que me tiraram da zona de conforto do que já estava habituada. Menos momentos sociais, mais momentos privados, muita cautela. Ao passar por esta primeira etapa e me encaixar nos protocolos valorizei ainda mais a chance de poder viver cada experiência. Aliás, muita gente viajou virtualmente comigo. Por isso, a minha segunda constatação é que toda experiência pode se tornar completamente nova com mudanças positivas de conduta, que nós mesmos podemos nos propor.

Por fim, vivi na pele aquilo que sempre ouvi, mas nem sempre tive oportunidade de praticar, principalmente no mês de dezembro: “precisamos nos afastar dos nossos problemas para encontrar respostas”. O retorno das férias já trazia uma agenda cheia de decisões importantes para 2021 e o afastamento que me permiti viver nestas duas semanas me trouxeram a energia que eu precisava para construir meus novos caminhos. Lição 3: a gente nunca volta o mesmo de uma experiência transformadora.

Agora, na reta final do ano, muitas pessoas me perguntam sobre perspectivas e próximos passos. Recomendo pausas. Tire o seu tempo, reflita e faça o seu balanço do ano e prepare-se. Para quem trabalha com moda e varejo, que são dois setores que este ano enfrentaram processos de disrupção intensos, posso afirmar que o ano que vem será ainda mais desafiador e precisamos nos preparar para uma jornada de mudanças profundas que exigirá muito de nós como pessoas e profissionais. Crie a SUA pausa singular neste mundo superlativo para reiniciar bem o seu 2021!