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Por Camila Salek

Já reparou o quanto somos tão inquietos e buscamos sempre por algo que ainda não temos?

Encontrar a cara metade, conquistar o status de alguém que admiramos, viajar para um destino dos sonhos, viver um estilo de vida diferente do nosso, ser o número um em algo.… são comentários que escuto com bastante frequência quando pergunto para as pessoas se elas estão bem na fase atual de vida. Dificilmente alguém me responde com um simples sim. Questionar e ressignificar faz super parte do nosso processo humano de aprendizado, mas se sentir bem dentro deste processo é libertador.

Pedi autorização ao meu grande amigo Carlos Ferreirinha para usar uma fala dele (que muito me inspira) como tagline desta coluna. Aprender, desaprender e aprender novamente será uma nova questão em nossas vidas. Se dar a chance de testar algo novo, pela primeira vez, passa a ser necessário e incrivelmente realizador. Se já éramos inquietos antes desta pandemia, agora seremos eternos novatos. Novatos que querem mudar o mundo, movidos por muita força de vontade e amor.

Olhar nossa vida como um novato, traz pra nós todo aquele entusiasmo de quem tem pouco a perder. É aquela sensação deliciosa de aventura em algo desconhecido, sabe? É descobrir que nossas verdades podem ser rescritas e que isso só depende da nossa vontade. Aqui fica mais uma lição desta pandemia, que nos mostrou que para projetarmos nosso futuro, precisamos considerar que o nosso presente também é composto por desafios, mudanças de rotas, problemas e negar tudo isso pode significar uma acomodação confortável, uma verdadeira fortaleza que ao mesmo tempo que distancia e protege também trava e impede a nossa capacidade de nos jogarmos por terras desconhecidas. É preciso coragem para ter uma atitude de novato e conseguir evoluir no ritmo do mundo.

Fazendo um paralelo com marcas, vou compartilhar algumas ações que tem me provocado demais nas ultimas semanas. São marcas que admiro bastante e que têm conseguido agir de forma rápida, trazendo respostas para o momento que vivemos.

ECONOMIA CIRCULAR

Refletindo a mudança do poder da “propriedade” e a atitude mais consciente de consumo pós-Covid, a loja de departamentos britânica John Lewis fez uma parceria com a plataforma Fat Llama para oferecer um formato de aluguel de móveis para uma seleção de 50 produtos de sua coleção. O projeto acabou de ser anunciado em Londres e vai se expandir para todo o país. Os clientes podem alugar por três, seis ou doze meses qualquer produto disponibilizado e caso o valor do aluguel atinja o preço de varejo original do item antes do final do período de empréstimo, o pagamento do aluguel será encerrado. Vale comentar que só neste segmento outros gigantes como West Elm e Ikea também já lançaram iniciativas que envolvem aluguel, leasing e revenda como parte do plano de terem negócios mais circulares.

 

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A britânica Selfridges, que por várias vezes já foi palco de varejo para produtos responsáveis, lançou esta semana um movimento voltado à consciência de consumo em parceria com a Oxfam Navan – agência de ajuda humanitária, que apoia comunidades afetadas pela crise climática do mundo inteiro – que promove o “Second Hand September”, convidando o consumidor a fazer a promessa de comprar somente peças de segunda mão durante pelo menos 1 mês! No ano passado, a campanha que estimula a criatividade de revisitar o guarda-roupa e trabalhar com composições inovadoras a partir de peças usadas, contou com 62 mil pessoas incluindo a estilista Vivienne Westwood. Neste ano, o movimento ganha ainda mais força através de ativações nas redes sociais, onde os participantes estimulam as suas comunidades a aderirem também.

 

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TRANSPARÊNCIA NAS RELAÇÕES

A partir deste mês de outubro, a joalheria norte-americana Tiffany & Co. compartilhará sua jornada produtiva de envolve a busca dos diamantes, como parte de sua Diamond Source Initiative para garantir a transparência da cadeia de suprimentos (assunto altamente questionado por consumidores em todo mundo). Vale lembrar que a marca completa 182 anos semana que vem e nos últimos anos vem se mostrando muito aberta para trocas e evoluções.

 

A Gucci, é outra marca de luxo que lançou no mês passado uma frente neste sentido, criando o Gucci Equilibrium que reforça e documenta todas as frentes da marca para se tornar mais positiva para o planeta e para as pessoas. São podcasts, vídeos e artigos que dão voz para a marca através de uma abordagem aberta e escuta ativa, indicando um super compromisso de melhoria continua. Uma verdadeira comunidade sendo criada.

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Na minha opinião, a capacidade de arriscar e praticar um olhar NEWBIE aproximará as marcas de seus consumidores, parceiros e concorrentes, mantendo um ecossistema onde a genuinidade tornam ações e negócios mais rentáveis. Algo absolutamente novo para todos nós.

É muito importante construirmos fortalezas seguras para nossas vidas e nossos negócios mas precisamos ter agilidade, flexibilidade e humildade para agirmos como novatos. A inconstância e a volatilidade podem ser fontes incríveis de aprendizado e crescimento. É sobre quem está disposto a arriscar para se manter em constante evolução. Você está?

Camila Salek – Sócia-fundadora da Vimer Experience Merchandising integrante do grupo de empreendedoras de sucesso do programa “Winning Women Brasil” da Ernst Young e colunista da Harper’s Bazaar Brasil. Referência em varejo e visual merchandising, está por trás de evoluções significativas da experiência de consumo e do desenvolvimento do conhecimento da área, através da implementação de projetos inovadores e compartilhamento de conteúdos ministrados em aulas, palestras, treinamentos e publicações nacionais e internacionais voltadas para moda e tendência.