Camila Salek - A importância do metaverso
Gucci e The North Face – Foto: Divulgação

Por Camila Salek

O melhor jeito de falar sobre metaverso é começar explicando o que isso significa. O termo, que está cada vez mais em pauta, foi um tópico muito comentado nas ultimas semanas durante o maior evento de varejo mundial, a NRF. A ideia de espaços virtuais que interagem com espaços físicos para intensificar a experiência e a imersão é uma realidade em ascensão. Lojas, escritórios, casas e outros ambientes perderam limitações espaciais.

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Para ficar mais fácil de entender, o metaverso expande nossa possibilidade de novas dimensões de tempo e espaço. É como se olhássemos para um mundo aberto a todos, em tempo real, sem limite para colaboração e participação. Tudo isso somado a um potencial criativo ilimitado e continuo. Tudo muito novo e fascinante.

Olhar para o metaverso e observar a movimentação de marcas em todo o mundo para aprender a lidar com esta nova realidade é um excelente exercício de inovação para os negócios. Temos muito a explorar dentro do universo digital que pode de fato somar nas experiências do mundo físico e vice-versa. O que antes era quase um universo paralelo, hoje se funde com a realidade trazendo nova formas de abordagem e evolução. Não à toa, marcas como a Off-White já lançaram suas plataformas para co-criar projetos no universo metaverso.

Um dos exemplos que conheci recentemente foi a , nova operadora americana de cartões de crédito. A empresa disponibiliza crédito aos seus clientes a partir de métricas de mídias sociais e rendas alternativas, que não são reconhecidas por bancos tradicionais. O foco são os influenciadores digitais e, entre os benefícios mais relevantes, está o cashback – quanto mais se gasta, maior o retorno.

Nas palavras da própria Karat: “Temos clientes que ganham milhões de dólares, mas que só conseguiram cartões com limite de $10.000,00 através de bancos tradicionais. Existem influenciadores digitais que têm mais de $100.000,00 em uma conta do PayPal e não usam este dinheiro em um banco.”. Este é o tipo de modelo de negócio que, quando vi, me perguntei “por que ninguém nunca havia pensado nisso antes?”

Precisamos entender que o consumidor cada vez mais romperá com as barreiras entre os universos digital e físico e que na dimensão do metaverso, a construção de marcas acontece não em um ou outro, mas sim em ambos os universos juntos. Um fato que evidencia essa verdade é a crescente da Realidade Aumentada e Realidade Virtual em nosso dia a dia. Um levantamento do IDC aponta que até 2023 os gastos mundiais com produtos e serviços de RA e RV devem crescer em 77%.

Camila Salek - A importância do metaverso
Foto: Divulgação

A criação ou reprodução de ambientes físicos no meio virtual já é uma aposta para diversas marcas como a Charlotte Tilbury. Os formatos se diversificam entre presença de vendedores, integração com e-commerce, gameficação etc.

Da mesma forma, a presença do meio virtual em ambientes físicos também já é uma realidade. A recente coleção colaborativa entre Gucci e The North Face, que traz um mood aventureiro, está disponível para os avatares do Pokémon Go ao mesmo tempos que as pop-ups da collab se tornaram PokéStops!

É inquestionável. Esta nova dimensão espacial e temporal que estamos vivendo obriga as marcas a imergirem no mundo online junto com o consumidor. Em uma das principais palestras que acompanhei na NRF, Karin Tracy (Head of Industry, Retail/Fashion/Luxury Facebook) declarou justamente que as compras online estão se tornando populares: “98% dos consumidores americanos estão testando novas formas de comprar, novas marcas, novos canais.

E isso tudo está acontecendo na palma das mãos das pessoas, 40% das compras feitas durante a Black Friday americana foram realizadas por dispositivos portáteis.”

Camila Salek - A importância do metaverso
Foto: Divulgação

Na última semana, quando surgiu o boom do Clubhouse e muitos vieram me pedir opiniões, a minha maior indicação foi: entre, aprenda e teste. O meio digital é muito ágil e dinâmico, novos recursos e oportunidades surgem todos os dias e precisamos estar preparados para explorá-las.

Na China, por exemplo, já existe uma plataforma, a Tmall Luxury Pavilion, do Alibaba, que reúne 200 marcas de luxo realizando vendas através de recursos de games, personalização, live streaming, realidade aumentada, revistas digitais e outros formatos interativos.

Um dos formatos que mais tenho apostado já há um bom tempo e que acredito que ainda vamos ver ascender substancialmente no Brasil é o live streaming, que reúne três elementos superaderentes ao nosso mercado: entretenimento, educação e gratificação instantânea. Por mais um ano este foi um tema forte da NRF.

Durante sua participação no evento, Ophelia Ceradine (VP de Digital e Inovação da Esteé Lauder) contou que 20% das vendas da marca já acontecem via digital e que o live commerce tem papel fundamental nestes resultados: “acreditamos muito no Live Commerce via streaming para a categoria de cabelos.”.

Já temos excelentes resultados comerciais de lives para diferentes segmentos aqui no Brasil também. As marcas que ainda não iniciaram os seus pilotos podem estar perdendo ótimas oportunidades de impulsionar resultados, porque quem entra numa live está disposto a comprar, sendo este um canal com altas taxas de conversão. Abaixo deixo dicas importantes, com duas rotas diferentes para as lives:

Live Show

– Influenciador, Expert e Interlocutor são cruciais para o sucesso
– O conteúdo e o roteiro são super importantes para storytelling
– A perfeição é mais cobrada: cenário, luz, estrutura, edições, links dedicados

Live Commerce via Streaming

– O apresentador pode ser um vendedor da marca que domine o produto
– Mais próximo, íntimo, e real
– A naturalidade faz parte do processo e não é necessário investimento em cenários, iluminação
– A conversa acontece em formato livre, sem roteirização
– O grande segredo é compartilhar a experiência

Aqui no Brasil temos a MIMO, uma plataforma incrível de live commerce que você pode acessar neste momento e que surgiu justamente com o objetivo de democratizar este formato que, na minha opinião, vai revolucionar comportamentos de consumo. O live commerce pode se tornar uma nova forma de monetizar os espaços físicos e o varejo, além de ressignificar a conexão entre pessoas e marcas. Este talvez seja o passo mais simples e fácil para qualquer marca entrar no mundo metaverso e o momento de começar é agora, fica a dica!

Camila Salek – Sócia-fundadora da Vimer Experience Merchandising integrante do grupo de empreendedoras de sucesso do programa “Winning Women Brasil” da Ernst Young e colunista da Harper’s Bazaar Brasil. Referência em varejo e visual merchandising, está por trás de evoluções significativas da experiência de consumo e do desenvolvimento do conhecimento da área, através da implementação de projetos inovadores e compartilhamento de conteúdos ministrados em aulas, palestras, treinamentos e publicações nacionais e internacionais voltadas para moda e tendência.