Camila Salek: NRF 2022 - the never ending game
Foto: Arquivo Pessoal

Por Camila Salek

Na última semana tivemos mais uma edição da NRF, maior evento mundial do segmento de varejo, que acontece todos os anos em New York. São vários anos seguidos participando da NRF e, com muita frequência, escuto a seguinte pergunta: Por que você vai todos os anos para esta feira?

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A NRF funciona como meu recomeço anual, onde consigo me desligar do meu dia a dia corrido de trabalho para me conectar com situações que estão emergindo no varejo em todo mundo. Vou para melhorar meu repertório, para discutir com profissionais do segmento, para ouvir os desafios e caminhos trilhados por alguns dos melhores CEOs do mercado. É o famoso lifelong learning, que parte da premissa que o aprendizado não tem data para acabar.

Numa palestra este ano ouvi a expressão “Retail – the never ending game” e me conectei instantaneamente! Sempre pensei no quanto o varejo é um processo e não um fim e, ouvir esta frase, me fez refletir o quanto ganhamos, perdemos e seguimos uma jornada contínua de aprendizado neste segmento.

Portanto, hoje quero falar do quanto é importante entendermos que em nossa vida profissional, principalmente para aqueles que decidiram trabalhar no varejo, não vai existir uma batalha final. Não dá para “zerar” o jogo quando o assunto é varejo. No máximo abrimos espaço para novos capítulos. O jogo do varejo é dinâmico, extremamente ativo e volátil. Se dá bem o jogador que tem a humildade de entender que novos caminhos se fazem necessários. Esta foi a pauta mais importante para mim nesta NRF 2022: a confirmação da importância de testarmos novos caminhos.

Diferente da edição anterior, onde estávamos no meio de uma pandemia e sem nenhum horizonte ou vacina, nesta edição vi afirmações importantes sobre o papel da loja física como um coração que conecta marcas e pessoas. Os melhores cases mundiais de varejo representam verdadeiros laboratórios que seguem evoluindo em diversos papeis: conquista de clientes, hub logístico e de conveniência, ambiente de socialização com uma comunidade, tangibilização de marca dentre muitos outros.

Apesar dos vários desafios em logística, cadeia de fornecimento e ESG, me surpreendi com a informação de que o número de lojas físicas nos EUA bateu o recorde da década e hoje o varejo americano tem mais de um milhão de lojas. Um dado importantíssimo a ser comemorado, assim como as vendas de final de ano que atingiram patamares pré-pandêmicos. Aqui no Brasil o movimento foi muito parecido e um balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) apontou que a movimentação no varejo paulistano em dezembro foi 1,8% maior se comparado com o mesmo mês de 2019, o que coloca o setor no mesmo patamar registrado anteriormente à pandemia da Covid-19. Sensacional, não é mesmo? Mas, como falei acima, não representa um fim. Muito pelo contrário, o próximo passo já tem rota definida e o caminho aponta para a manutenção dos resultados da relação transacional – comprar e receber seus produtos – e evolução na construção de uma melhor experiência de compra para diferentes momentos da jornada de consumo. O que só será possível se definitivamente abrirmos espaço para testar o novo!

Abaixo compartilho algumas dicas preciosas, conectadas com o pensamento de base estratégica da VIMER, que são muito importantes para o desenvolvimento da cultura do nosso varejo:

  • Crie e desenvolva LABs de varejo (para testes e inovação);
  • Revise o calendário comercial para datas além da sazonalidade convencional;
  • Adote campanhas de PDV mais sustentáveis;
  • Redesenhe a jornada de consumo através da multi e omnicanalidade;
  • Invista em conceitos flexíveis de Visual Merchandising;
  • Analise continuamente sua operação de varejo (small data e mapeamento de potencialidades);
  • Monitore o comportamento de consumo em PDV (a loja é sua melhor fonte de pesquisa);
  • Respeite e construa uma relação com a comunidade onde a loja está inserida;
  • Explore espaços interativos e de experiência;
  • Aprenda com as gerações Alpha e Z no Metaverso;
  • Se jogue no Retail Live Commerce;
  • Pense na produção de conteúdo especial para diferentes canais de marca (podcast, YouTube, Games, Loja Física);
  • Estude novos formatos de comissionamento de equipe baseados nas vendas daquela geolocalização, expandindo o uso de diferentes pontos de contato (redes sociais, etc).

As dicas acima serão o foco do meu trabalho em 2022 com grandes marcas varejistas. É sempre muito importante lembrar que quem está por trás do varejo desempenha um papel vital na sociedade como motor de criatividade, inovação e oportunidades econômicas. A partir do momento que, como marca, entendemos que estamos em processo constante de construção, fica mais fácil enxergar que o sucesso de longo prazo depende do investimento constante em aprendizado.

No último dia da NRF olhei para o palco e dei um leve sorriso no canto da boca. Estou prontinha para continuar e para co-construir esta jornada no Brasil e ano que vem estou de volta em Nova York para novos aprendizados!

Para quem está no mesmo mood, fica o convite para uma manhã de referências, provocações e insights, no evento exclusivo Pós NRF que vamos realizar com o apoio da Bazaar, no dia 10 de fevereiro, no espaço do WeWork Brasil no Cubo Itaú, em São Paulo.

Mas corre, que as vagas são limitadas e estamos com um lote promocional só até o final desta semana – todas as informações estão no espaço de venda de ingressos do Sympla.

Vem!!! 😉