Camila Salek – Foto: Reprodução/Instagram/@camilasalek

Por Camila Salek

Em um passado recente, as marcas se movimentaram rumo à digitalização e estar no e-commerce se tornou essencial. Nos últimos dois anos de pandemia esta foi a condição para estar no jogo, tendo em vista que as restrições impostas pela situação vivida obrigaram muitas lojas a fecharem suas portas. Agora, no momento que celebramos o recuo pandêmico, marcas de moda voltam a investir pesado em suas lojas físicas e nos presenteiam com experiências incríveis pelos quatro cantos do mundo.

As novas lojas renascem para atender consumidores que já se habituaram a conveniência e facilidade das compras online, mas que estão carentes do contato humanizado e do ambiente sensorial que o físico pode oferecer. Neste contexto, o varejo enquanto espaço de conexão entre consumidor e marca, passa a ser um dos maiores ativos a ser conquistado por marcas omnicanais – aquelas que consideram a integração de múltiplos canais para garantir uma excelente oferta ao consumidor.

Quero dar visibilidade ao papel das lojas que se tornam verdadeiros palcos para experiências, indo muito além da relação transacional de compra e entrega de produtos. Nos últimos meses, os amantes da moda puderam acompanhar inúmeros exemplos do potencial da experiência física! Lojas mais imersivas que mesclam conteúdo, entretenimento e ambientes inspiradores foram inauguradas em todo mundo buscando maior engajamento e conexão do consumidor com o universo das marcas.

A Pop-up “Spring in the City” da Louis Vuitton na Alsterhaus da Alemanha traz o frescor e a profusão de cores e iluminação vibrante derivada do universo digital para o ambiente físico. Uma forte tendência!

Foto: Divulgação

Na Dior, aberta recentemente na Harrods inglesa, a estética cyber se faz mais uma vez presente com cores saturadas e atmosfera vibrante.

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Já na Jacquemus “Le Bleu”, aberta na Selfridges, o tom é de sonho e surrealismo, transportando o cliente para dentro do universo azul da coleção, incluindo ativações como a sala com máquinas de venda automática de bolsas de luxo e um legítimo vestiário de piscina.

Foto: Divulgação

Super temáticas e vibrantes, estas novas lojas representam uma bela movimentação do retorno da experiência no ambiente físico. Na era do varejo físico voltado para a experiência, é preciso estar atento ao mercado e analisar o comportamento de consumo, para a construção estratégica de narrativas que sejam realmente envolventes dentro de lojas, indo muito além da venda de produtos como falei acima. Veremos marcas cada vez mais humanizadas, que se relacionam de forma próxima com os seus consumidores e parceiros, integrando um ecossistema único de compartilhamento e colaboração.

Finalizo esta coluna deixando 3 dicas poderosas, que vejo como premissas constantes em muitos projetos atuais e que estão pautando esta nova experiência em loja:

1. SOCIAL CONTENT

Crie um storytelling inspirador e atrativo, que entregue entretenimento e educação. Aqui estamos falando em fortalecer nossas comunidades através da interação e da socialização. Temas muito importantes como inclusão, diversidade e bem-estar têm sido discutidos nestes novos formatos de lojas.

2. MINDSET DIGITAL

A inteligência do universo digital está muito além do uso da tecnologia e deve ser incorporada para trazer agilidade, conveniência e facilidade para todas as atividades on e offline. Consumidores podem iniciar suas compras online e finalizar no ambiente físico de lojas (e vice-versa). Interações em realidade aumentada, realidade virtual e no mundo dos games também se tornam mais frequentes em novos projetos. O mindset digital é uma premissa hoje!

3. SOFT SELL

A expansão física e a agressividade comercial que guiou o crescimento do varejo nos últimos tempos se tornou frágil e insuficiente. É preciso retomar o instinto e a visão, trazendo para o jogo a entrega de experiência relevante para a construção de um varejo que conecte pessoas e marcas. Empatia, consciência e consistência pautam a nova postura de vendedores, que passam a atuar cada vez mais como consultores e influenciadores de consumo.

A verdade é que o varejo estava chato. Monótono. Morno. O varejo experiencial que estamos vivendo agora nada mais é do que uma resposta urgente de marcas que enxergam a falência do varejo tradicional. Fica a dica: nada se compara a uma boa experiência no mundo real!

@camilasalek – Sócia-fundadora da Vimer Experience Merchandising integrante do grupo de empreendedoras de sucesso do programa “Winning Women Brasil” da Ernst Young e colunista da Harper’s Bazaar Brasil. Referência em varejo e visual merchandising, está por trás de evoluções significativas da experiência de consumo e do desenvolvimento do conhecimento da área, através da implementação de projetos inovadores e compartilhamento de conteúdos ministrados em aulas, palestras, treinamentos e publicações nacionais e internacionais voltadas para moda e tendência.