Por Camila Salek

Nos últimos tempos, planejar a viagem perfeita de férias, escolhendo algum destino paradisíaco no mundo se tornou uma grande experiência. Pesquisar o destino, planejar e pagar a viagem de forma antecipada, garimpar experiências, traçar um roteiro com jornadas imersivas e paradas instagramáveis se tornou tão importante quanto curtir, de fato, a viagem.

Este ano, pouco antes da pandemia ganhar força aqui no Brasil, eu mesma estive em férias pela Noruega. Viagem megaplanejada com um ano de antecedência. Buscando viver de forma mais próxima a Aurora Boreal, escolhi uma opção de estadia que pudesse me manter conectada com o meio ambiente e que me proporcionasse uma experiência menos turística deste espetáculo da natureza. Passei alguns dias em uma cabana sustentável de vidro no meio de um observatório, cravado no ponto mais alto da ilha de Senja. Que experiência incrível: Aurora Boreal, neve e uma cabana de vidro para chamar de minha! Ao voltar ao Brasil fui pega de surpresa por toda pandemia e nada tirava da minha cabeça o quanto aquela cabana remota me ofereceu um espaço no tempo que nunca havia vivenciado: calma, silencio e distanciamento social.

Vivemos hoje uma realidade muito difícil para a economia do turismo em escala global e muitos destinos turísticos seguem sem previsão de abertura. Isto movimenta turistas de todo mundo a explorar o turismo local e daí a expressão [stay]cation, que define um formato de férias no país de origem e não no exterior, ou em casa e envolvendo passeios às atrações locais. A staycation é a nova febre do momento.

Mais uma vez mudanças de comportamento provocam novos movimentos de consumo que já começam a ser sentidos aqui no Brasil. Depois de passarmos meses confinados em nossas casas e bairros, estamos TODOS desejando um tempo ao ar livre, próximo da natureza. Parques nacionais e destinos pitorescos reabrem com agendas lotadas e aparecem no topo das escolhas de pessoas famintas por viagem, aventura e segurança.

O que estamos vivendo? Casas de praia e campo sendo reformadas, destinos nacionais com estadias praticamente lotadas e investimentos acelerados no turismo local. Grandes redes de hotel de luxo estão promovendo pacotes superatrativos incluindo quartos com até 4 pessoas, ao mesmo tempo que experiências sustentáveis também ganham espaço.

A grande verdade é que, uma viagem capaz de nos conectar com a natureza, tem um papel restaurador para a alma. Neste contexto, o ecoturismo se tornou o queridinho da vez e representa um novo desejo de consumo nos tempos de pandemia. Campings e atividades ao ar livre estão provocando a imaginação de consumidores em todo o mundo e acredito muito nesta tendência rolando em destinos paradisíacos por aqui para as férias de verão.

Para meu segundo semestre já decidi que farei pequenas pausas na minha rotina para experiências de isolamento social retomando o mood que vivi na Noruega. Elegi meu top 3 e já garanti as reservas tendo em vista que alguns destes locais praticamente não tem mais datas disponíveis para este ano:

1. SETEMBRO | RANCHO PUNTA BLANCA: minha primeira escolha apontou para o campo e planejei uma viagem que venho postergando faz tempo para uma das cabanas do Rancho Punta Blanca. Cabanas de luxo incríveis, com acabamento rústico e decoração digna dos melhores painéis Pinterest! Estou sonhando em tomar um belo vinho durante um banho sem pressa com uma vista linda da serra da Mantiqueira.

2. OUTUBRO | ALTAR: uma casa flutuante e autossuficiente no meio de uma represa aqui pertinho de São Paulo. Estou louca para viver esta experiência, pois acompanhei boa parte do processo deste projeto idealizado pelo Facundo Guerra. Imaginem este cenário único, com amenidades que vão de sala de lareira a projeção de filmes na área externa.

3. NOVEMBRO | NOTHOFAGUS: dentro da reserva biológica de Huilo Huilo, este Hotel construído com madeira reflorestada ao redor de uma árvore gigante permite uma conexão direta com a selva Patagônia. Minha última escolha do ano, palco para a minha Lua de Mel. Não preciso falar mais nada, né?

Foto: Divulgação

Tendo como base a minha experiência em um “glamping” no meio da neve, comecei a questionar quais oportunidades este tipo de turismo pode trazer para o nosso mercado de moda nacional e percebi que o prazer de buscar inspiração nas nossas próprias fronteiras gera oportunidades para muitas marcas na criação de produtos, inclusive como meio de fazer parte e estar ativamente presente nestas ocasiões de staycation.

Nos Estados Unidos, dados de mobilidade do Google identificaram um aumento de quase 70% de visitas a parques, praias e marinas até meados do último mês, enquanto os espaços fechados como shoppings e cinemas, ainda sentem com a queda de circulação. O quanto não podemos buscar novas formas de conexão nos apropriando dos múltiplos canais que temos disponíveis e explorando outros espaços para ativações que acompanham os lugares onde o consumidor está? Não acredito que devemos simplesmente esperar que o público venha até as marcas.

Marcas como Prada e Givenchy já desenvolveram coleções exclusivas para Glamping, proporcionando uma experiência de aventura luxuosa aos seus consumidores.

Com as reuniões em grupo suspensas, as atividades isoladas dão abertura para o entretenimento solitário ou em família. No último mês o Bank of America identificou uma queda de quase 90% nos gastos de cartão de crédito relacionados a entretenimento coletivo, enquanto o lazer sem contato, como o golfe e atividades marítimas cresceram significativamente. O camping também tem sido uma atividade atrativa e interessante para o bolso, 41% dos turistas nos Estados Unidos, estão buscando esta como uma alternativa de lazer acessível para as férias.

A empresa americana de glamping AutoCamp é outro destino atrativo para quem procura a paz do isolamento no campo. Ryan Miller, que concebeu o Autocamp, explica que “os locais de glamp são o cenário ideal para o distanciamento social porque cada acomodação permite muito espaço pessoal”.

Foto: Divulgação

É exatamente isso o que busco na minha agenda de staycation dos próximos meses! Depois de todas as emoções dos últimos tempos, precisamos de válvulas de escape para nos conectarmos com a nossa natureza interna. Como marcas, precisamos mais uma vez estar preparados para vestir as lentes da empatia e da humanização e entender como vamos fazer parte deste momento de consumo, oferecendo conteúdo, produtos e serviços que permitam experiências exponenciais!