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Por Camila Salek 

Muito temos falado nos últimos tempos sobre processos que envolvem a transformação de marcas e organizações. Mas o que realmente é um processo de evolução? Como engajar pessoas em um processo de transformação? O que está acontecendo de relevante em marcas disruptivas?

Estamos vivendo uma era que irá marcar um recomeço para marcas em todo mundo. Basta olhar ao nosso redor para perceber que estamos vivendo exatamente este momento que tem início em uma série de conflitos, muitos, inclusive, já discutidos nos bastidores, pois estão diretamente ligados a pessoas e a choques de transição extremamente necessários. A nova influência é aquela que ensina as pessoas a serem melhores e marcas precisam ter este papel na nossa sociedade, construindo comunidades onde as pessoas estão no centro de todos os processos e sempre caminhando passos à frente dos negócios.

A marca sueca ASKET, que já nasceu com o termo MENOS em seu propósito “The Pursuit of Less” – “a busca por menos” em tradução livre – muito me inspira com seus questionamentos sobre consumo e o movimento fast fashion na moda. Com uma coleção fixa e atemporal com cadeia produtiva transparente, agora a marca lançou o seu “Impact Receipt”, onde basicamente convida o consumidor a experimentar a responsabilidade de SER a mudança. Forte, não é mesmo? Nas palavras da marca: “Conheça o seu impacto. Compre menos. Mantenha por mais tempo. Nosso novo tipo de recibo, o recibo de impacto, mostra o verdadeiro custo da produção de uma roupa: quantidade de CO2 emitido, de água e energia consumidas. Pense na dívida ambiental que estamos criando. Pule “sustentabilidade” e experimente “responsabilidade” para uma mudança. Você merece saber o verdadeiro custo das roupas que veste na pele. O Impact Receipt representa não apenas uma transação, mas um acordo ao investir em bens ASKET.”

 

 

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Transparência é a palavra de ordem à medida em que entendemos que conhecimento é poder. Com conhecimento todos nós podemos ser agentes transformadores de uma mudança e isto, pra mim, é basicamente o que vai definir os próximos passos da relação entre marcas e pessoas. Fazer junto.

Selecionei algumas marcas superdisruptivas que estão educando, provocando e encorajando comportamentos positivos em seus consumidores, através da adoção de novos modelos de negócios, materiais e abordagens de design.

Começo com a THE CYCLON. Que tal ter um tênis de corrida totalmente reciclável, feito de sementes de mamona e disponíveis apenas por assinatura? Sim, você entendeu bem. Um tênis adquirido para uso e não para posse é o que promete a novíssima THE CYCLON. Os clientes da marca podem trocar seus calçados com a frequência que desejarem pagando 25 libras por mês, mas o mais bacana ainda esta por vir:  a marca atua num processo de circularidade completa, criando novos sapatos com os pares que os clientes enviam de volta. Inovador e admirável!!! A pré-venda está rolando agora na Europa e eu sigo daqui acompanhando todos os detalhes.

Agora vamos pensar no impacto da natureza e dos recursos escassos na produção de novos itens de design. A PLANT PRINTER é um produto de design que atua e cresce como uma planta suspensa. Equipado com impressora térmica e sensor de luz, funciona com eletricidade e é controlado por quantidade de luz. A cada dia, alguns centímetros da planta geradora são impressos lentamente na fita de papel. A quantidade de luz dita quantas e quão grandes as folhas da planta crescem. Ao longo dos dias o progresso pode ser visto na impressão, pois a luz muda com o dia e a noite. A planta inorgânica nos ajuda a entender o tempo em intervalos maiores do que minutos e horas e registra o progresso de nossas vidas ao mesmo tempo.

 

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A marca britânica de cuidados para a pele HAECKELS lançou um sabonete corporal em cápsula, que vem em uma embalagem lindíssima e recarregável. O produto, que é preparado a partir da diluição em água, elimina o uso de água em sua composição evitando o desperdício e otimizando o seu preço – que é 75% inferior em relação a versão tradicional. São só benefícios!

 

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A tradicional marca de jeans LEVI’S e a GANNI, marca de moda cult, se uniram para criar uma coleção-cápsula de jeans que você pode alugar, mas não comprar. A um custo entre 40 e 65 libras por semana você aluga peças da coleção por até 3 semanas. “A ideia era criar algo usado por muitos, mas que não pertence a ninguém”, explica o diretor criativo Ditte Reffstrup. Está aqui uma maneira inteligente de criar exclusividade na economia compartilhada!

 

 

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Com o mesmo mindset de ressignificar o ciclo de vida do produto, a varejista de móveis IKEA inaugurou uma loja na Suécia que somente vende produtos usados e recondicionados, enquanto a maior varejista de e-commerce da Europa, a ZALANDO, lançou uma plataforma exclusiva para a venda de roupas usadas que já acumulou mais de 20.000 itens disponíveis para a venda.

 

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Ainda temos muito a construir neste caminho de inovação, mas já poderia listar aqui mais diversas ações disruptivas como estas que tenho estudado. Acredito que essas inspirações têm enorme valor para refletirmos sobre nossas ações individuais e trabalharmos para impulsionar o progresso de nossos negócios.

Durante o painel que ministrei no Global Retail Show – um dos principais eventos de varejo da América Latina – Estevan Sartoreli (CEO e Co-fundador da marca Dengo) falou algo que concordo 100%, que é o fato de que não importa qual é a dimensão de um negócio, mas sim o impacto relativo que ele é capaz de reverter para a sociedade. Se pensarmos desta forma, entendendo o princípio de ecossistema que formata a nossa sociedade, fica claro como o espaço que abrimos para pequenas disrupções têm o poder de transformar pessoas e negócios ao nosso redor. É este o exercício que tenho me proposto diariamente mergulhando em referências e contextos completamente paralelos à minha realidade e padrões para ampliar a minha visão e levar novos caminhos para o meu negócio e para as marcas que atendemos na Vimer. E você, como está se movimentando ou movimentando o negócio em que atua para influenciar as transformações que precisamos no mundo?

Camila Salek – Sócia-fundadora da Vimer Experience Merchandising integrante do grupo de empreendedoras de sucesso do programa “Winning Women Brasil” da Ernst Young e colunista da Harper’s Bazaar Brasil. Referência em varejo e visual merchandising, está por trás de evoluções significativas da experiência de consumo e do desenvolvimento do conhecimento da área, através da implementação de projetos inovadores e compartilhamento de conteúdos ministrados em aulas, palestras, treinamentos e publicações nacionais e internacionais voltadas para moda e tendência.