Carolina Andraus - a importância da resiliência em momentos distópicos
Foto: Acervo pessoal

Por Carolina Andraus

A distopia, no grego antigo, significa literalmente “lugar ruim”. A palavra é usada para descrever um lugar, uma época, uma comunidade ou uma sociedade imaginária onde se vive de forma precária, sofrida, sob um regime autoritário e muito desespero. Soa familiar?

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E quando estamos em um lugar ruim, só nos resta seguir com resiliência e aproveitar o desconforto para repensar a forma como estávamos vivendo. Desse lugar, precisamos buscar força para trazer um olhar mais leve e quase sonhador, um sorriso, um carinho, para fazer desse tempo de transição um lugar um pouco mais confortável em meio à visão caótica que o mundo nos traz.

Temos vivido um tempo de profunda desconstrução, um rompimento com grande parte das certezas e seguranças, dos planejamentos e das nossas zonas de conforto individuais, sejam pequenas ou grandes, voluntárias ou involuntárias. São seguranças principalmente emocionais, que cada um de nós busca construir para se manter produtivo e feliz e de pé.

Estamos realmente muito próximos a uma distopia, que é o oposto de utopia, e vem de forma muito acentuada pela perda da segurança emocional, pelo medo de viver e de morrer, medo de se encontrar com as pessoas que amamos, da nossa eminente perda dessas pessoas, do risco que todos nós estamos sentindo de potencialmente sermos atingidos.

Repense as pessoas, os hábitos, o uso do precioso tempo que você tem não apenas com as pessoas que são realmente importantes mas também o tempo com você mesmo, e qual é o grande propósito da sua vida.

A oportunidade é de aprofundamento, e que essa nova forma de viver seja mais leve, traga risadas nos momentos de dor, que traga mais prazer nas coisas simples, que nos faça ser mais verdadeiros e mais responsáveis com as nossas escolhas. Sejamos menos imediatistas e mais alegres.

A palavra utopia foi criada pelo filósofo inglês Thomas More no século 16 e é título do livro “Utopia”, escrito por ele em latim, que conta a história de um ideal de sociedade, em uma ilha onde o mundo funciona de forma perfeita. A palavra vem do grego antigo e significa um “não-lugar”, isto é, algo que só existe no campo dos ideais, dos sonhos. É um mundo perfeito.

A distopia é o inverso, o antônimo de utopia, e um dos sinônimos da palavra é “antiutopia”. Em um mundo distópico, há desigualdade, opressão, falta de liberdade, sofrimento e autoritarismo.

Estamos bem próximos de um estado de distopia, em todos os sentidos da palavra. Por outro lado, já sabemos que a utopia é um ideal inatingível, e sabiamente a vida nos mostra que o caminho do meio pode ser muito bom.

Chegamos a esse caminho através de construção, e como toda mudança começa dentro de nós mesmos, convido vocês a refletirem sobre formas de impactar positivamente, mesmo que seja com uma boa palavra , um sorriso, um vídeo call carinhoso para as pessoas que você não pode encontrar nesse momento, uma palavra de apoio para as pessoas que estão a sua volta.

Se puder ir mais longe, ajude quem está no seu universo direto de relacionamentos, e se puder abra mais um pouco a sua espiral de impacto e ajude, contribua, doe tempo e dinheiro, dê o exemplo, e faça parte da desconstrução da distopia em direção a um novo ponto de equilíbrio. Faça disso uma oportunidade para se tornar uma pessoa melhor, mais consciente, mais cheia de luz e amor.

Carolina Andraus é formada pela FGV, ex-mercado financeiro, empreendedora, desenvolveu e vendeu diversas empresas no mercado imobiliário. Globetrotter e cidadã do mundo, já morou em Londres, Paris, Nova Iorque, Boston, Istambul e Frankfurt. Recentemente voltou a estudar na Harvard Business School e passou a escrever sobre mulheres inspiradoras, comportamento, e viagens.