Carolina Andraus – Foto: Divulgação

Por Carolina Andraus

O ano novo chegou, esta semana, para quase  metade do planeta. Apesar de sermos latinos e majoritariamente cristãos, o mundo digital ultraconectado trouxe para muito mais perto as realidades, culturas e tradições de amigos queridos, de lugares distantes. Apesar de parecer mais um cenário de um filme, o Diwali é a comemoração de um recomeço para quase metade de população da terra.

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O lindíssimo e muito festejado Diwali, a festa das luzes comemora a virada do calendário para quase três bilhões de hindus, sikhs, jains e mulçumanos e, com milhares de lamparinas acesas, celebra a força de sermos guiados pela luz em um caminho de volta para casa, simbolizando um novo ano e um novo ciclo de esperança. E os céus cheios de incontáveis lamparinas finalmente simbolizam a luz que, internamente, nos mostra o melhor caminho a seguir.

Seja você ou não conectado com pessoas do outro lado do mundo, nossos irmãos hindus e mulçumanos estão em festa comemorando o Festival das Luzes, e a vitória da luz sobre as trevas. Que linda oportunidade de reflexão para comemorarmos a vida, tão cheia de recomeços, e buscar enxergar mais luz nos nossos caminhos, buscar entender onde temos sido luz com nossas atitudes, posicionamentos, discursos.

Temos a oportunidade de encontrar um novo balanço entre a inovação, a tecnologia, os relacionamentos virtuais e as relações reais. Em um tempo de compulsão digital, nunca sentimos tanta falta do toque, do abraço, do encontro, de sentir a presença das pessoas que amamos. Seria essa uma revanche espiritual, nos tirando de uma plasticidade digital, nos fazendo acordar para um novo tempo, mais inteligente, onde usamos a tecnologia, mas não ficamos mais escravos, compulsivamente vidrados nas telas enquanto a vida passa ao nosso redor?

Estamos em um tempo em que estar com pessoas é um grande luxo e, também, um grande risco. Testes coletivos de Covid-19, às vésperas de um final de semana com amigos, se tornou não só sinal de respeito, mas também de inteligência. Um tempo onde somos levados a falar aberta e rapidamente sobre sintomas para proteger as pessoas à nossa volta.

Mas não deveria ter sido sempre assim? Quantas gripes e outras viroses poderiam ter sido evitadas se tivéssemos mais conscientes há muito mais tempo? Quantos dias de trabalho perdido, de sofridos espirros cheios de contaminação por onde passávamos, por apertos de mãos não muito limpas…. não seria esse um tempo de repensarmos nossos hábitos e o que deveríamos manter daqui para frente? Talvez venha um aprendizado com tudo isso, e realmente eu espero que sim.

Não seria essa uma ótima oportunidade de reflexão para repensarmos em maneiras de fortalecer, além da nossa imunidade, nossa luz interior? E nos permitir um novo começo, com menos medo e mais respeito ao próximo, com relações humanas verdadeiras e baseadas na real igualdade, já que estamos todos igualmente expostos e vulneráveis?

Não estaríamos vivendo de repensar o lugar do já banalizado exibicionismo, como referência de comportamento, em troca da valorização do intimismo? Nunca estiveram tão em alta os encontros não publicados, as festas secretas, momentos não instagramáveis, uma nova mecânica de se relacionar onde passaram a ser julgado e não politicamente correto, por razoes óbvias, não só as aglomerações em geral, mas até as mais seletas reuniões de amigos.

Refletir sobre onde temos trazido alegria e construção, onde podemos trazer muito mais luz, valores sólidos e amorosos, uma construção de relacionamentos com um olhar diferente, onde podemos inspirar e ser exemplo, e deixar um real rastro de luz pelo caminho. Tudo pode ser transformado em aprendizado e crescimento, e a cada recomeço podemos decidir nos sentirmos diferente, e assim nos tornamos esse diferente por escolha.

Todos os dias nós temos essa oportunidade de buscar um recomeço sendo pessoas em constante crescimento, sempre procurando ser a nossa melhor versão, nos atualizando, nos adaptando a novas possibilidades e novas limitações, nos moldando de forma construtiva à indomável realidade, essa força sempre em movimento.

Nesse Diwali, eu convido vocês, cidadãos globais, mundialmente afetados por um mesmo vírus que parou as nossas vidas em 2020, a aproveitar essa oportunidade e fazer uma profunda reflexão. Afinal, a vida pode ser tão maravilhosa quanto nós decidimos que ela seja, quando a nossa luz interior vence qualquer obstáculo externo.