Foto: Getty Images

Por Carolina Andraus

A importância da recente disputa entre um dos maiores estúdios de cinema do mundo e Scarlett Johansson mostra claramente o tamanho do gap que ainda existe na questão da justiça econômica, na compensação financeira quando o assunto é a participação de mulheres em grandes negócios e não apenas nas questões de remuneração que costumamos perceber.

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A atriz, queridinha de Woody Allen e conhecida por papéis marcantes no cinema e por sua beleza estonteante, está enfrentando uma grande disputa judicial com ninguém menos do que Disney. O impasse entre Disney e Johansson teve início em julho, quando a atriz abriu um processo contra a empresa de entretenimento por ter lançado o longa “Viúva Negra” no Disney +. Ela alega que seu contrato foi violado quando o filme estreou concomitantemente no cinema e na plataforma de streaming.

De acordo com um relatório do Wall Street Journal, o processo de Johansson aponta que o contrato dela com a Marvel Entertainment garantia que “Viúva Negra” estrearia exclusivamente nos cinemas e que o pagamento pelo filme se basearia em grande parte no desempenho do longa nas bilheterias.

“Depois de inicialmente responder a este litígio com um ataque misógino contra Scarlett Johansson, a Disney está agora, previsivelmente, tentando esconder sua má conduta em uma arbitragem confidencial”, afirmou recentemente John Berlinsky, advogado da atriz. “Por que a Disney tem tanto medo de litigar neste caso em público?”, questionou.

A presidente do sindicato dos atores, Gabrielle Carteris, defendeu que a disputa também está relacionada à paridade salarial de gênero em Hollywood. “As mulheres não são ‘insensíveis’ quando se revoltam e lutam por um pagamento justo, elas são líderes e defensoras da justiça econômica”, disse ela.

“As mulheres foram vitimadas pela desigualdade salarial durante décadas e também por comentários como as declarações à imprensa feitas pela Disney. Esse tipo de ataque não tem lugar em nossa sociedade e o sindicato continuará a defender seus membros de todas as formas de preconceito”, concluiu.

Fica aqui uma importante oportunidade de repensarmos e analisarmos como as mulheres têm sido não apenas remuneradas, mas também se socialmente estamos dando o devido respeito, a devida consideração às demandas feitas por mulheres quando existem uma busca por justiça e, portanto, um equilíbrio econômico.

O reconhecimento de performance, do valor agregado, e do papel muitas vezes chave de mulheres na estruturação de negócios, grandes ou pequenos, é questão global e fundamental que ainda tem um longo caminho a ser percorrido. O suporte também das mulheres que acabam optando por serem suporte para seus parceiros, e muitas vezes se tornam peças fundamentais para o crescimento econômico da família, mas terminam sendo unanimemente desmerecidas quando a questão de remuneração vem à tona.

Essa questão, que ainda impacta direta ou indiretamente as vidas de absolutamente todas as mulheres ainda nos dias de hoje, acaba levando a um desequilíbrio econômico que é o precursor da violência psicológica nos ambientes profissional e doméstico. Precisamos ser mais assertivos na avaliação de como a potência em cada pessoa colabora com o todo e, dessa forma, permitir que todo o potencial feminino agregue ainda mais valor macro aos negócios.

A recorrente estratégia de tirar a credibilidade e desvalorizar as mulheres cada vez que surge uma situação de conflito acaba virando um desserviço a todos nós como humanidade, mas também como resultado econômico macro. Muitas mulheres são profundamente desconstruídas ao enfrentar essa agressividade sistêmica, e acabam por se deixar afogar nesse tipo de conflito e nos traumas gerados pelo caminho. No final, poucos ganham e todos nós perdemos no coletivo. Já é tempo de entendermos o valor real de cada um, independente do gênero, e percebermos que a potência feminina não é uma ameaça e, sim, uma grande vertente de crescimento econômico e social. Está na hora de uma real igualdade de gêneros e isso só se torna real quando existe uma igualdade econômica.

@carolina.andraus é formada pela FGV, ex-mercado financeiro, empreendedora, desenvolveu e vendeu diversas empresas no mercado imobiliário. Globetrotter e cidadã do mundo, já morou em Londres, Paris, Nova Iorque, Boston, Istambul e Frankfurt. Recentemente voltou a estudar na Harvard Business School e passou a escrever sobre mulheres inspiradoras, comportamento, e viagens.