Carolina Perlingiere comanda a plataforma de moda sustentável Fauna

Saber de onde vem e quem faz a roupa que está vestindo é o mote da carioca

by redação bazaar
Carolina usa vestido Movin para Fauna e brincos Barbara Müller - Foto: Aline Müller

Carolina usa vestido Movin para Fauna e brincos Barbara Müller – Foto: Aline Müller

Por Marina Monzillo

Quando vivia em Nova York, Carolina Perlingiere, 31 anos, vinha de férias para o Rio de Janeiro com vontade de voltar com moda brasileira na mala, mas tinha dificuldade em encontrar, por aqui, peças e acessórios mais sustentáveis. “Gosto das nossas cores e formas, mas, para mim, é importante saber origem, técnica e mão-de-obra por trás da produção”, conta ela, que fez carreira na área de sustentabilidade corporativa e, na época, trabalhava no Pacto Global das Nações Unidas (ONU).

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A carioca, então, começou a pesquisar e descobrir designers autorais, independentes, de vários lugares do País, e o que era interesse pessoal acabou virando ideia de negócio em 2017. Ao lado de uma amiga sueca e outra brasileira, criou a Fauna, uma plataforma internacional de e-commerce que hoje reúne 20 marcas, todas com pegada de consumo consciente. “É um espaço para comprar sem culpa, sabendo que ali tem uma equipe séria, que investiga, selecionando não apenas as marcas, mas as peças.”

No site, ao lado das descrições, cada item recebe tags: Sem Desperdício, para um design que usa materiais reciclados, reduzindo os excedentes do processo de produção; Verde & Seguro, quando há uso de tecidos mais naturais, biodegradáveis, sem químicos; Um Só Basta, produto atemporal e versátil, que pode ter uma vida útil longa; e Gentileza Gera Gentileza, quando foca em questões éticas e sociais, empoderando comunidades, valorizando o artesão local.

Na curadoria de peças, tem de tudo um pouco: upcycling, vegano e vintage. “Não comecei a Fauna para vender roupa, mas, sim, porque acredito no papel da moda como agente de mudança”, diz ela, que também é head de Relações Internacionais do Rio Ethical Fashion, evento de moda sustentável que aconteceu em junho deste ano e se repetirá em 2020.

Há um ano e meio, Carol voltou a morar no Rio, suas sócias tomaram caminhos diferentes e, agora, ela está grávida do segundo filho (já é mãe de Noah, de 2 anos). A maternidade ajuda a refletir ainda mais sobre o futuro do consumo. “A preocupação com a sustentabilidade tem crescido na moda, há um esforço, embora ainda em um nicho e mais lento do que o mundo precisa”, opina. “A gente vive uma crise global climática, mas vemos na geração Z, com a Greta Thunberg e outros, um novo movimento. Em poucos anos, quando esses jovens estiverem com poder de compra maior, todo mundo na indústria tem de estar preparado.”

Ela acredita que o Brasil também tem uma posição fundamental nessa transformação. “Há muito interesse no que fazemos, temos uma cadeia de produção da moda inteira aqui, desde o plantio do algodão até a manufatura. Temos recursos naturais incríveis, a Amazônia.” A empreendedora lembra que a moda é criativa, linda e incita desejo, mas, com uma indústria que figura como responsável por quase 10% das emissões globais de carbono e muito ligada à exploração do trabalho irregular, ela deve promover também mudanças comportamentais e culturais. Carolina está fazendo sua parte.

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