Andrea Simioni no chão de sua Casa Casulo, em São Paulo - Foto: Vinícius Postiglione, com edição de moda Rodrigo Yaegashi
Andrea Simioni no chão de sua Casa Casulo, em São Paulo – Foto: Vinícius Postiglione, com edição de moda Rodrigo Yaegashi

“Sou o que sou por tudo que todos somos.” O dizer que aparece sobre o portal feito com parte da cabeceira de uma cama tradicional javanesa na entrada para a sala principal de seu espaço na Rua Groenlândia, em São Paulo, traduz o universo mágico de Andrea Simioni.

Empresária e designer criativa, ela sempre teve paixão por povos e culturas e uma necessidade absurda de criar o que quer que fosse. Desde cedo empreendendo, aos 15 anos criava presilhas de cabelo, mais tarde biquínis, depois uma loja que vendia objetos garimpados em suas muitas viagens pela Ásia e, ainda, lançou a marca homônima de vestidos de festa que muitas vezes concebia na hora no corpo da cliente com tecidos adquiridos pelo mundo.

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Coletes de povos da Ucrânia decoram o espaço - Foto: Vinícius Postiglione, com edição de moda Rodrigo Yaegashi
Coletes de povos da Ucrânia decoram o espaço – Foto: Vinícius Postiglione, com edição de moda Rodrigo Yaegashi

Andrea cresceu em uma fazenda no interior de São Paulo e, assim que se formou em moda e fotografia na Santa Marcelina, colocou a mochila nas costas e saiu para desbravar a Ásia, durante um ano. Laos, Camboja, Vietnã, Cingapura, Timor, Tailândia, Indonésia… Durante a viagem, seu lema se tornou: “Construa um roteiro, mas não se prenda a ele, vá com o vento”.

De lá, trouxe experiências, fotos, relíquias e o fascínio pelo artesanato asiático. Percebeu que toda jornada, por mais longa e longe que seja, é sempre interior. Aprendeu a lidar com a impermanência da vida e a encarar tudo com positividade e muita gratidão. Canceriana, mãe de Caetano (9 anos) e Tereza (4), ela é do tipo que gosta de cuidar, acolher e compartilhar, não só os filhos como todas as pessoas.

Veste tradicional de tribos do Afeganistão e marionete usada em teatros de sombra típica da Indonésia - Foto: Vinícius Postiglione, com edição de moda Rodrigo Yaegashi
Veste tradicional de tribos do Afeganistão e marionete usada em teatros de sombra típica da Indonésia – Foto: Vinícius Postiglione, com edição de moda Rodrigo Yaegashi

No ano passado, teve a ideia de montar o seu universo para dividir com o mundo, um espaço com alma e reconexão para cursos, eventos e palestras de pequenos empreendedores e corporações. E então, Casa Casulo – nome que remete à transformação. “Acredito que a casa afeta as pessoas, despertando nelas o seu próprio poder de criatividade e inspiração.”

No sobrado dos anos 1950, que era totalmente cinza, Andrea moldou cada ambiente, detalhe e textura. Técnicas tradicionais de harmonização foram aplicadas, como o Feng Shui. Paredes em amarelo-manga, portas e janelas roxas e recuos pink.

Área ao ar livre na Casa Casulo - Foto: Divulgação
Área ao ar livre na Casa Casulo – Foto: Divulgação

Por todo canto, objetos de seu acervo pessoal: um traje típico do Afeganistão, coletes dos povos da Ucrânia, parte de um vestido que comprou inacabado de uma bordadeira no México, uma borboleta gigante trazida de Bali. “Tudo aqui tem história, alma e significado. Eu não tenho nada por ter.”

Aos 42 anos, não crê em verdades absolutas nem curte radicalismos. Acredita no “estar” e não no “ser”. Hoje, está em uma onda meditativa, acha que o caminho é mesmo aquietar a mente discursiva. Ama acordar e ir explorar onde quer que esteja. Nos fins de semana, quando pode, escolhe refúgios com natureza, como Gonçalves (MG) e Cunha (SP). Viajar alimenta sua alma.

A fachada da Casa Casulo - Foto: Divulgação
A fachada da Casa Casulo – Foto: Divulgação

O que pensa para o futuro? Não pensa. “Hoje estou aqui; amanhã, não sei.” Pode estar morando na Tailândia ou com a família em um motorhome percorrendo o Brasil. Sempre slow.

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