Cecilia Dean - Foto: Divulgação
Cecilia Dean – Foto: Divulgação

Por Paula Jacob

Celebrando 35 anos de marca, a Melissa trouxe ao Brasil a exposição MOVE Plasticity, com curadoria da editora de moda Cecilia Dean. A frente da Visionaire por mais de 20 anos, Cecilia contou em entrevista à Bazaar como foi a experiência de juntar seu projeto MOVE com a marca brasileira de sapatos, além dos novos projetos para 2015.

Harper’s Bazaar – Como você se sentiu quando a Melissa te convidou para fazer o MOVE Plasticity?
Cecilia Dean – Lorenzo Martone intermediou o convite da Melissa, que apresentou o projeto dos 35 anos da marca e queria saber se eu tinha alguma idéia para a comemoração. De imediato a mostra MOVE veio em mente.

HB – Como foi o processo de curadoria?
CD – David Colman, co-curador do MOVE, e eu sentamos juntos para discutir quais artistas convidaríamos para esse trabalho. Desde o começo queríamos que Rob Pruitt e Ryan McNamara participassem, porque eles estiveram em todas as outras exibições do MOVE e são muito parceiros do projeto. Depois, decidimos que haveria uma mistura entre artistas brasileiros e internacionais, porque não queríamos que ficasse uma coisa óbvia. Sempre admirei o trabalho de Eli Sudbrack, radicado em Nove York, Valeska Soares, que apresentou uma instalação impecável em Miami, e o curitibano Rimon Guimarães, que já tinha participado do MOVE no SESC Belenzinho.

HB – Você já trouxe o MOVE para o Brasil uma vez. Qual a diferença da exposição de antes e a de agora?
CD – O primeiro MOVE aconteceu em Nova York, depois logo viemos para o Brasil expor no SESC Belenzinho. Nessas duas vezes tínhamos o encontro entre artistas plásticos e estilistas. Com a Melissa não queríamos escolher designers, porque a marca em si já representava a moda, então fizemos a curadoria a partir de artistas que tivessem trabalhos que poderiam ser ligados com a marca. O que resultou em algo inovador para a fórmula original do MOVE, estou muito feliz.

HB – Qual sua opinião sobre a Melissa, como marca?
CD – Primeiro devo dizer que não temos nada parecido com a Melissa hoje em dia, ela tem uma identidade única no mercado. É fascinante como consegue atingir públicos tão diferentes, sem perder sua identidade. Foi capaz de acompanhar o desenvolvimento do seu publico alvo, digo, muitas mulheres cresceram usando Melissas. Além de ter um design ótimo, quando fazem colaborações com grandes artistas então, nem se fala. Eu tenho uma Melissa dos Irmãos Campana, e toda vez que eu a uso alguém me pergunta “onde consigo comprar uma dessa?”. Fora as excepcionais com Gareth Pugh, Zaha Hadid e Alexandre Herchcovitch para o desfile Inverno 2015 da marca, desfilado na quarta-feira.

HB – Como você enxerga os artistas brasileiros hoje em dia?
CD – A cena artística aqui é vibrante. Muitos nomes tem uma atmosfera internacional, sem um estereótipo brasileiro, sempre muito talentosos. Posso citar alguns dos meus favoritos, como Vik Muniz, Ernesto Neto, Erika Verzutti, Beatriz Milhazes e Valeska Soares, mas tem tantos outros. Outro exemplo que me fascina é o Instituto Inhotim, nunca visitei, mas admiro muito. Nos Estados Unidos não temos nada parecido. Além das inúmeras instituições de incentivo, eu particularmente adoro o SESC e sua programação, novos talentos, exposições, etc. A única coisa que sinto falta aqui são as artes públicas. Uma estátua no meio da rua, que fica por lá alguns meses, onde as pessoas transitam. Assim todos são “obrigados” a ver, porque nem todo mundo está acostumado a consumir arte.

Cecilia Dean - Foto: Divulgação
Cecilia Dean – Foto: Divulgação

HB – Falando um pouco sobre sua carreira, você trabalhou como modelo por uns anos, como foi a experiência? E por que você decidiu sair dela?
CD – Eu comecei muito nova, estava terminando o colegial quando conheci um fotógrafo que me apresentou à minha agência. Naquela época o começo da carreira de modelo era em Paris, então tive que me mudar para lá. Acabei conhecendo nomes importantes como Mario Testino, viajei para Londres, Milão e Tóquio. Fotografei campanhas, desfilei, fiz editoriais para publicações renomeadas e ganhei um bom dinheiro. No fim das contas senti que precisava voltar para Nove York e estudar. Não descarto a experiência, como disse foi ótima para fazer contatos com pessoas importantes e assim acabei conhecendo meus sócios e criamos a Visionaire.

HB – Sobre a Visionaire, qual a dinâmica do seu trabalho?
CD – Bom, meus sócios e eu sempre focamos bastante no conteúdo editorial da revista. Porém no último ano decidimos ir além, montar novos projetos e conteúdos. Com isso em mente desenvolvemos uma linha de camisetas feitas por artistas com a GAP, realizamos um curta metragem, que está rodando o mundo nas principais premiações, tais como Festival Sundance de Cinema, Festival de Toronto e Festival Internacional de Cinema em Berlim, e estamos com um projeto para a TV americana em 2015. A dinâmica de trabalho mudou bastante, mas estou aproveitando esse momento ótimo que temos.

HB – Teve alguns rumores sobre a divisão da sociedade da Visionaire, você confirma?
CD – Na realidade o que aconteceu foi o seguinte: quando começamos a Visionaire em 1991 éramos eu, Stephan Gan e James Kaliardos. Após alguns anos lançamos a VMAN, CR Fashion Book e V Magazine, que despertaram maior interesse e atenção por parte de Stephan, o que nos permitiu fazer um acordo e dividir as publicações. Hoje em dia James e eu cuidados da Visionaire e todos os projetos novos e Stephan cuida dos outros nomes.