Foto: Divulgação
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Por Marina Monzillo

Há cerca de dois anos, Claudia Issa teve a ideia de um prato em forma de pedra para decorar a própria casa. “Todos os fornecedores que procurei na época bateram com a porta na minha cara. Fiquei inconformada e me matriculei em uma aula de cerâmica para tentar entender o quão complicado era o que eu queria fazer. Saí não apenas com o prato, como com toda a família de pratos derivados daquele”, conta.

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Foi assim que ela começou a se dedicar profissionalmente à cerâmica. Este ano, sua marca, Konsepta, participou da SP-Arte e da Design Week de Milão, e está a caminho de Nova York, a convite do Projeto Raiz, para a ICFF (International Contemporary Furniture Fair).

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Foi uma mudança de carreira para a designer gráfica, que, por 20 anos, trabalhou com direção de arte e moda em agências de publicidade e revistas. O movimento, entretanto, não era bem um desvio de rota. “Minha mãe conta que, quando eu era pequena, não brincava de boneca, ficava desenhando o tempo todo. Ela tem os caderninhos até hoje. Acho que nasci assim e não me imagino fazendo outra coisa que não seja criar, desenhar e, agora, de certa maneira, esculpir”, diz a artista.

A cerâmica hoje é sua principal expressão, mas nada impede que, amanhã, seja a escultura, por exemplo. “O que me atrai nessa arte é poder subverter o lado utilitário e decorativo, trazendo cada vez mais linguagem artística para as peças. Quero fazer a transposição da cerâmica convencional para a arte mais pura”, comenta Issa.

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As ideias surgem das vivências e das impressões a partir delas. “Mas posso dizer que a imperfeição é um tema que sempre me inspira. Um exemplo disso é o vaso “Disforma”. Com ele, busquei romper com a expectativa de uma forma proporcional e exata ao incorporar a ‘falha’, a ‘imperfeição’, o ‘torto’. Acho belíssimo que algo imperfeito possa teimosamente se mostrar como é, impondo sua beleza própria, fora dos padrões”, explica.

Seus objetos são autorais, atemporais, nacionais. Não há grandes quantidades ou produção em série. O conceito por trás é o slow design, um processo com menos impacto ambiental. Issa aproveita materiais que são geralmente descartados, como pedaços de mármore e vidro, que acabam sendo incorporados como matéria-prima.

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Ela também utiliza a mão-de-obra e os serviços de artesãos brasileiros, alguns ameaçados de acabar, como os que fazem arte em vidro. “Sustentabilidade não envolve só o meio ambiente, mas também ser socialmente útil”, diz a artista. Ela não enxerga o artesanal como uma resposta à massificação, apenas uma forma de valorizar o que é único e especial. “Há coisas que não são possíveis de se massificar e é bom que seja assim”, conclui.

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