Executiva no escritório – Foto: Regan Cameron/Arquivo Harper’s Bazaar

Por Patrícia Dalpra e Fabiana de Luna

Neste momento em que vivemos uma montanha russa de emoções em função dos impactos provocados pela pandemia, profissionais que estão na liderança de empresas enfrentam um de seus maiores desafios.

Em meio a tantas perdas, a vulnerabilidade fica mais exposta. Além de cumprir metas e buscar retornos financeiros, os líderes precisaram se dedicar ainda mais a cuidar de seus colaboradores e, mais do que nunca, saber se colocar no lugar do outro para entender as necessidades e angústias de cada um diante de um cenário inesperado.

E o que as empresas mais precisam dos líderes neste momento? Um padrão de comportamento empático e mais humano. Em nosso livro, “O Código Feminino da Liderança – O futuro das organizações e de seus líderes”, mostramos o ganho das empresas que privilegiam este modelo de gestão.

O mundo corporativo está passando por transformações digitais, físicas, estruturais e sobretudo humanas. As empresas precisarão cada vez mais de líderes com um olhar mais sensível, com espaços de colaboração, cocriação e, principalmente, transformação. E para que este modelo funcione é fundamental que atributos de gestão mais focados nas relações e nas pessoas sejam incorporados às organizações.

E por que nós, mulheres, podemos nos tornar protagonistas dessa nova era e conquistar um papel de destaque no atual cenário? Porque embora não seja uma exclusividade feminina, habilidades do código feminino de liderar como sensibilidade, intuição, confiança, flexibilidade e comunicação sempre estiveram associadas ao arquétipo feminino.

E são essas habilidades, que também chamamos de soft skills, que estão fazendo a diferença para alavancar a transformação. Não, isso não significa que toda mulher tenha essas habilidades afloradas e saiba usá-las no momento certo.

Mas as que souberem fazer bom uso dessas características certamente serão líderes que farão a diferença nas corporações e serão mais valorizadas no mercado. Os homens que estiverem dispostos a aprender e colocar em prática essas habilidades também serão essenciais ao processo, mas é inegável que essa essência faz parte do código feminino. E por isso as mulheres têm a possibilidade de exercer um papel importante na formação de novos líderes neste conceito mais humano de gestão especialmente num momento em que o mundo precisa se humanizar.

Mais do que nunca é preciso ter sensibilidade para entender a situação do momento, saber adaptar a forma de comunicação de acordo com a necessidade de cada colaborador, além de ter flexibilidade mediante situações adversas. Confiar em si, ou seja, estar segura das decisões tomadas e estabelecer um elo de confiança com o seu time. Se apropriar da sua intuição e entender que nem tudo é feito de forma racional.

É claro que essas habilidades não foram descobertas agora, mas em um mundo onde a inteligência artificial conquista cada vez mais espaço essas características exclusivas dos humanos, e não das máquinas, ganham força como elementos diferenciadores. Assim como aconteceu nos anos 1990 com o movimento de globalização, em que todos apostavam numa homogeneização, observamos um movimento contrário no qual a diferenciação ganhou força. É o mesmo que experimentamos agora com a expansão da inteligência artificial quando o humano passa a ser mais valorizado.

A pandemia nos mostrou que não podemos dividir para somar. Não são cobranças e metas e suas formas duras de mensurá-las e atingi-las que irão nos fazer sair dessa, seja na vida pessoal ou profissional. Dentro de nós tem algo que se chama feminino e não tem gênero, e que pode ser desenvolvido e fazer toda a diferença em diversos países, famílias, ambientes e negócios. A verdadeira potência está na sensibilidade, na empatia e no afeto. Sim, é preciso gostar das pessoas. Que tal sermos nós as agentes dessa transformação?

Patrícia Dalpra, Especialista em Gestão de Imagem e Carreira, e Fabiana de Luna, Especialista em Gestão Estratégica e Marketing.