Barco de lazer com deck retrátil - Foto: divulgação
Barco de lazer com deck retrátil – Foto: divulgação

Por Luigi Torre

Julho e agosto prometem ser meses agitados para a Hermès. No dia 03/07, durante a semana de alta-costura em Paris, a maison armou seu primeiro desfile de pré-coleção – no caso, a de resort 2017. Dias depois, no 23, inaugura a primeira loja carioca da marca, na Rua Garcia D’Ávila, em Ipanema. Já nos Jogos Olímpicos, são dela os uniformes e equipamentos do time brasileiro de hipismo – é também a primeira vez que a label participa oficialmente de uma olimpíada. Isso sem falar nas versões premium que criou do Apple Watch. Sim, a Hermès corre para se alinhar às atuais demandas do mercado de luxo (e num momento um tanto delicado para o setor no mundo todo), mas sem deixar de lado suas origens e seus princípios.

 Gabinete para 80 relógios e joiasde mogno e couro de vitelo e jacaré - Foto: divulgação
Gabinete para 80 relógios e joias de mogno e couro de vitelo e jacaré – Foto: divulgação

Desde que foi fundada, em 1837, a Hermès sempre esteve associada aao atendimento dos desejos mais incríveis – e, por vezes, absurdos – de seus clientes. Inicialmente, eram apenas arreios equestres; nos anos seguintes, a selaria também entraria para o hall de surmesure. Mas, naquela época, boa parte do que se entedia por moda ou mercado de luxo assim o era. O que faz da preservação de aprimoramento de tais serviços em pleno século 21 – leia-se tempos imediatistas e de produção em massa – algo ainda mais especial. “O que o trabalho artesanal produz precisa ser relevante para o mundo em que vivemos”, disse Pierre-Alexis Dumas, diretor artístico da Hermès e herdeiro da marca, em entrevista ao site The Business of Fashion.“Se o ofício não se reinventa, ele morre.”

 Interior de um Aston Martin DB4 revestido com couro de vitelo e tapete de lã -Foto: divulgação
Interior de um Aston Martin DB4 revestido com couro de vitelo e tapete de lã -Foto: divulgação

“Na prática, nada mudou”, diz François Doré, diretor administrativo de Sob Medida da Hermès, em entrevista à Bazaar. “Exceto pelo tipo de objeto que estamos produzindo.” E o que estão fazendo hoje? De versões customizadas de seus incensados produtos de couro, interiores de iates e carros, mobiliário, luvas de boxe, punhos de camisas e gabinetes com os mais variados compartimentos.Trata-se, em todos os casos, de verdadeiro trabalho a quatro (ou muitas) mãos.

Luvas de boxe de couro de vitelo - Foto: divulgação
Luvas de boxe de couro de vitelo – Foto: divulgação

“É uma alquimia maravilhosa”, diz François.“Geralmente, o cliente que pede por algo sob medida, seja uma customização ou criação nova, já tem um bom entendimento sobre a Hermès, conhece nosso espírito e nossos valores.”Tudo começa, então, com um detalhado briefing do consumidor com a equipe de estilo.“Para desenvolver algo novo, o elemento-chave é a compreensão do cliente”, explica ele.“Suas necessidades, claro, mas também o uso do objeto, quem é o cliente, o que ele gosta na marca. Com base nesses elementos, a equipe de criação vai propor um produto e um mock-up, para de- pois receber ajustes finais. E tudo revisado pela nossa direção artística.” Então, não há limites para o que a marca pode oferecer? “Os limites são nossas habilidades de produzir o pedido em questão, mas a abrangência é bem ampla. Podemos produzir de porta-maçãs a assentos de aviões particulares.” Porque, mesmo que tal clientela seja bastante restrita, são esses sonhos possíveis que mantêm as demais categorias da marca tão desejáveis.