Foto: Sergio Baia

Ao lado de Hugo Bonemer, Mônica Iozzi e Otaviano Costa, Cris Vianna é uma das estrelas da primeira audiossérie brasileira do Spotify. Chamada “Sofia”, a produção conta a história de Helena (Monica), uma das milhares de operadoras de Sofia (Cris) – uma espécie de Siri ou Alexa – passa seus dias espiando a vida dos usuários da assistente virtual.

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Segundo Cris, o maior desafio da produção é transmitir todas as emoções apenas usando a voz. “Não tem um trabalho de corpo envolvido e você grava separadamente, sem a troca com os outros atores. Não existe um diálogo direto, olho no olho, como acontece em uma novela”, revelou em entrevista à Bazaar.

Em um bate-papo descontraído, Cris Vianna contou mais da produção, do que tem feito na quarentena, representatividade e quais seus planos para o futuro. Veja a entrevista na íntegra abaixo:

Como é fazer parte de um projeto tão inovador quanto uma audiossérie?

Foi diferente de tudo que eu já fiz. Adorei participar da audiossérie. Estou muito feliz. A Sofia foi leve e, ao mesmo tempo, um desafio.

Como foi o processo de gravação? Qual a maior diferença de um produto audiovisual, como uma novela?

A diferença está no fato de você ter que colocar a sua emoção, sua intenção, toda na voz. Não tem um trabalho de corpo envolvido e você grava separadamente, sem a troca com os outros atores. Não existe um diálogo direto, olho no olho, como acontece em uma novela. Ele, normalmente, é montado através da edição.

O que tem feito nesta quarentena? Como tem se sentido neste momento?

Passei três meses com minha família em São Paulo ao lado da minha mãe, irmãos e sobrinhos. Foi muito bom esse período ao lado deles! Agora estou sozinha no Rio e tenho procurado fazer novas escolhas durante o dia para poder passar o tempo. Tenho assistido muitos filmes, séries, tenho estudado e feito meus exercícios. Tem sido um dia de cada vez na esperança que tudo volte ao normal. Ninguém pensou que duraria tanto tempo. Mas, para que as coisas voltem ao normal, é preciso mais consciência por parte da população. A epidemia não acabou e precisamos, mais do que nunca, manter o isolamento social. Claro que isso só se aplica para quem tem o privilégio de estar em casa nesse momento. Infelizmente, isso não se aplica aos trabalhadores que estão na linha de frente e aos que precisam sair para buscar o sustento de suas famílias.

Foto: Sergio Baia

Especialistas prevem que a pandemia vai alterar a forma como produções audiovisuais são feitas. Quais mudanças você acha que vão acontecer?

Acredito que várias mudanças já estão acontecendo. Muitas coisas estão sendo produzidas remotamente e com resultados bastante significativos. Séries, programas de TV e até teatro estão sendo feitos de uma forma que jamais imaginamos, ou seja, remotamente e a distância. As pessoas perceberam que é possível produzir com qualidade, mesmo sem estarem fisicamente presentes. Claro que, nem tudo, poderá ser feito dessa forma, mas acho que isso deixou de ser um problema em muitos outros aspectos.

Neste ano, estamos vivendo um cenário em que a luta contra o racismo tomou as manchetes ao redor do mundo. Você enxerga uma evolução nesta discussão?

Sim, sem dúvida. Acho que existe uma consciência maior por parte daqueles que não vivenciaram ou vivenciam o que sofremos na pele todos os dias. A desigualdade, as mortes, o desemprego, tudo relacionado ao racismo, tem ecoado cada vez mais. Apesar disso, a nossa luta contra o racismo é muito mais antiga do que as manchetes que vemos agora.

Você usa seus perfis nas redes sociais para compartilhar histórias e mensagens para outras mulheres negras. Como outras pessoas podem fazer algo semelhante sem roubar o lugar de fala?

Uso minhas redes para me comunicar com todos os que estão abertos para a troca. No caso das mulheres negras, por serem a ponta da pirâmide, sempre estarão abertas ao diálogo construtivo e, muitas vezes, esclarecedor. Acho que as pessoas precisam primeiro procurar entender o que, de fato, é ser antirracista. Isso já seria um bom começo.

Quais são seus planos para o futuro?

Voltar com a minha peça em São Paulo e me preparar para uma nova série. Ainda não posso dar muitos detalhes, mas esses são os meus planos para o pós-pandemia.