Dani Pizetta e Francis Ford Coppola – Foto: Arquivo pessoal

Por Dani Pizetta

Até pouco tempo atrás, eu virava uma esquina, entrava na padoca e trocava uma ideia com um novo atendente. Cruzava uma fronteira distante e aprendia algumas palavras em outro idioma, pedia uma simples informação em algum lugar pelo mundo e saía da conversa com dois novos lugares para conhecer. Sinto muita falta destes primeiros encontros e das surpresas que só novos caminhos podem nos proporcionar como, por exemplo, bater um papo surreal com o cineasta Francis Ford Coppola ou ser confundida com uma famosa pelas ruas de Paris e, lógico, embarcar na viagem (risos).

Viajar é sair do intelecto, entregar-se a cada momento. Além de experiências múltiplas, rodar o mundo nos presenteia com pessoas – das quais algumas, talvez, passem como o vento, mas outras nos tocam e nos transformam para sempre. Confesso que, neste momento, sinto mais falta dos encontros do que ter um destino planejado. Mas, como de “santa” não tenho nada, admito sem culpa, que se pudesse estaria em Capri, Bali ou cruzando o deserto do Atacama com muito sol e vento no cabelo.

Como você, ainda tenho muitos sonhos. Sonhar é bom, e como disse um amigo: “nossos sonhos nunca foram tão importantes como agora”. Por outro lado, distanciamento na era tecnológica, nada tem a ver com solidão. As ferramentas digitais são como janelas para o mundo e, apesar dos algoritmos determinarem cada viagem, somos nós os donos dos nossos destinos.

Não é novidade que viajar por prazer está praticamente cancelado, e mesmo se quiséssemos, como brasileiros enfrentando um aumento geométrico de casos da Covid-19, fomos “barrados no baile”. Mas quem tem internet, ainda tem pessoas. Aliás, as pessoas estão mais perto do que nunca e acessá-las online tem sido uma forma, digamos, gostosa de viajar sem sair de casa. Ouvir e aprender, com o olhar do outro, faz um bem danado! A propósito, não conheço uma pessoa louca por viagens, que não goste de gente.

Gostar de gente não é um dom divino, mas sim, a arte de estar presente de corpo e alma a cada encontro. É interessar-se, é escutar, é observar. Em outras palavras, é reconhecer que uma pessoa com aqueles traços, aquela visão de mundo, aquelas escolhas e com aquela bagagem, talvez nunca mais encontraremos pelo caminho.

Sendo assim, sugiro: admiremos mais, olhemos mais, deixemos que o outro fale, para o nosso próprio bem. E, olhando o copo meio cheio, não fosse a tecnologia aliada à sensação de “tempo desacelerado”, eu talvez não tivesse a oportunidade de conhecer de perto, histórias que já observava de longe. Permita-se fazer o mesmo!