Foto: Reprodução/Instagram/@caropita

Por Dani Pizetta

Enquanto busco maior conhecimento sobre formas sustentáveis e possíveis de viajar, trouxe hoje para a coluna, um papo com uma pessoa que admiro até de olhos fechados. Que, assim como eu, tem usado sua voz para dialogar em prol de um mundo melhor: Carol Ribeiro.

Carol é mais conhecida como uma das modelos mais proeminentes do Brasil, quiçá, do mundo. É Também apresentadora de TV e empresária. Mas o que a tornou única entre tantas mulheres bonitas, não está na superfície. Sua origem africana, indígena e portuguesa, é a base da sua grande beleza. Leia a conversa:

Harper’s Bazaar – Aos 21 anos, você se tornou o rosto da Revlon, substituindo ninguém menos que Cindy Crawford. Como define sucesso? Ou melhor: sucesso é um “lugar” no qual chegamos?

Carol Ribeiro – Sucesso não é um lugar, sucesso é tranquilidade. Mesmo porque, se você acha que vai chegar a algum lugar, ficará a vida toda lutando para se manter lá, seria desgastante. A vida é uma constante evolução e eu danço conforme a música. Aprender a dar o próximo passo, é sucesso pra mim.

Japão, França, Itália e tantos outros cantos no mundo. Como viajar a trabalho, sendo tão jovem, formou sua personalidade? Hoje, o que mudaria se pudesse viajar como modelo?

Na época em que viajava como modelo, confesso que perdi inúmeras oportunidades de conhecer, de fato, novas culturas e paisagens. Pois, além da agenda apertada, o trabalho era exaustivo e, muitas vezes, troquei museus por descanso no hotel. Quando somos muito jovens temos muito sono (risos). Ee ainda não entendemos a riqueza que as viagens proporcionam. Mas já me redimi, pois a carreira de modelo me levou a ser apresentadora da MTV, que me levou a apresentar o “Mapa do Pop”, um programa do canal TNT, que viaja para conhecer lugares que serviram de locações para filmes icônicos como “Start Wars”, “O Senhor dos Anéis” etc. E hoje, depois de entregar o trabalho, não há cansaço que me segure no hotel, eu quero conhecer tudo com meus olhos e coração.

 Além do “Mapa do Pop”, você também viaja pontualmente para Los Angeles para cobrir os tapetes vermelhos de premiações. O que traz destas viagens?

Além de um respiro na rotina de São Paulo, poder entrevistar pessoas (tão) talentosas como Jonathan Pryce ou Glenn Close, por exemplo, é sem dúvida, uma experiência possível apenas através do programa. E não há nada que se compare com a riqueza de ter alguns minutos de pessoas tão únicas. Devo isso à minha carreira e às escolhas que fui fazendo pelo caminho.

Conhecida pela sua discrição, seja no trabalho, seja na vida. Como consegue atrair a atenção de celebridades disputadíssimas durante as premiações?

O tapete vermelho é um “bingo”. Estamos todos (os apresentadores e repórteres) posicionados em lugares estratégicos ao longo do tapete. Não sabemos quem vai parar, ou quanto tempo teremos, é sorte mesmo. Às vezes, tudo acontece na troca de um olhar e você entende se ele/ela, virá até você. É um momento mágico e precioso. Por isso, nessa hora é preciso estar preparada para tudo.

Já assisti às premiações e tenho imagens que mostram alguns entrevistados deslumbrados com a sua presença, seja pela sua beleza ou pela sua elegância…

Ah! Vou acreditar que tenho este poder (risos).

Quem é a Carol Ribeiro, hoje?

Dani, eu sou a mesma Carol de antes de tudo isso. De fato, eu conheço mais coisas e vivi muitas outras, mas eu sou a Carol que preza pelas coisas essenciais da vida. Sou amiga das minhas amigas, passo férias no Maranhão, vou a Belém quando posso e adoro rodar o Brasil de carro com meu filho (João Felipe) e marido (Paulo Lourenço).

Depois de “viver” pelo mundo, qual é a definição de casa para você?

Casa é aconchego, é meu filho, é meu marido. Rodei o mundo todo, mas é no Brasil que me sinto em casa. Mesmo quando morei em Nova York, sempre soube que minha base seria aqui.

Você hoje tem uma agência de modelos. O que falaria para os pais de futuras modelos, que buscam uma carreira de sucesso?

Não deixe sua filha ou filho ir sem ter para onde voltar. Deixe-os ir, experimentar, tentar. Diga a eles que tudo vai dar certo, mas se não der, deixe-os saber que têm para onde voltar. Dê a eles um porto seguro. Digo isto ao meu filho, que hoje está com 16 anos.

Falando sobre o presente, no último mês, em meio à pandemia do coronavírus, você lançou uma série de conversas e entrevistas, que chamou de “Mude”. O que podemos esperar destes papos semanais?

Trabalhando como modelo desde os 16 anos, eu já vi de tudo sobre imagem, estética, consumo e pessoas. Mas não me canso de aprender com histórias de vida e visões diferentes da minha. “Mude” nasceu de uma vontade enorme em ouvir o outro, mas também como forma de usar meu privilégio e abrir um canal de comunicação para que possamos ouvir mais do que falar. Precisamos conhecer nossas pessoas, entender o Brasil, olhar por ângulos diferente e dar voz a quem, de fato, age.

Para encerrar, gostaria que comentasse sobre a “maior viagem da sua vida”: O AMOR! Casada há 25 anos; em recente entrevista você disse: “resolvemos entrar juntos nessa parceria que é a vida. Há fases incríveis e outras nem tanto. O segredo é realmente querer estar junto nessa viagem.”

(Risos). É isso, o amor é uma viagem e você pode descer em qualquer parada, mas enquanto for gostosa, que continue. A paixão vai e volta, mas o amor perdura. Quando você ama, respeita os momentos bons e os não tão bons, e é no meio disso que a vida acontece. Amor é movimento.