Day Molina – Foto: Reprodução/Instagram/@molina.ela

Há algumas respostas que o tempo oferece. E não negá-las é o começo de um novo mundo. Temos a necessidade de falarmos sobre a urgência de ruptura dos ciclos danosos. É importante refazer as formatações de comportamentos e tomar consciência de tudo que se move junto da gente. Observando o presente e o passado, podemos compreender melhor o futuro. Fico refletindo que é tendência demais para vida de menos.

Especialmente quando viver se tornou privilégio. E se o nosso radar para 2022 estiver conectado à vida além da estética? Os relatórios de tendências anuais apontam muitas coisas comuns (e eu aqui torcendo por algo verdadeiramente humano). Nenhuma tendência é suportável quando imposta. Nesse sentido, vejo algo diferente acontecendo em nosso tempo. Precisamos de menos trends reports e mais atenção social. Isso talvez explique porque sou fã de ciências humanas.

O diretor Tiago Belotti escreveu recentemente algo que me chamou atenção: “Queremos ter a vida do Instagram, o emprego do Linkedin e a casa do Pinterest, mas eles não são reais”. Isso se aplica a tantas coisas! Seja na estética, na política ou no comportamento de consumo, torço pela inovação de nossos posicionamentos. Olhares mais conscientes e atitudes mais sustentáveis. E se tem algo que as tendências para 2022 não apontam é a coletividade; o poder e a necessidade de nos comprometermos a longo prazo com o sentido da sobrevivência no mundo atual.

Essa vida cheia de restrições nos ensinou muito. Juntos e separados. Uma fusão interessante sobre a importância de pensar a nossa existência de forma mais plural, muito além dos nossos muros. Um mundo cheio de desafios, medos, inseguranças, dores emocionais e físicas. Um tempo que exige de nós sabedoria e resiliência. Ao invés de lotar as nossas casas de plantas, podemos colaborar com uma vida mais verde em nossas cidades, estados e nação. Insistimos demais no bem-estar. Mas necessitamos do bem viver. O bem-estar é temporário, raso e superficial. O bem viver é ancestral, forte e poderoso.

Queremos salas cheias de plantas, mas desprezamos nossas florestas e biodiversidades. O bem-estar de infinito conforto não permite sermos confrontados pelas cosmovisões do bem viver. O planeta que agoniza lá fora é reinventado dentro das selvas urbanas. Inventar é uma forma eficaz de distrair nossas mentes. Todavia, temos a oportunidade de assumir a dor da consciência e melhorar a vida da humanidade no planeta. E esse, sim, é um desafio que merece nossa atenção.

A moda, que é um dos maiores e grandes agentes de destruição ambiental, precisa comprometer-se com novos hábitos e práticas. Na minha percepção, justiça social e climática é a grande aposta para uma vida que verdadeiramente faça sentido. E já não podemos nos isentar de reflexões como essas.