Cenário do desfile de alta-costura verão 2022 da Dior – Foto: Adrien Diran/Divulgação

Maria Grazia Chiuri segue sua linha de raciocínio inteligente para a construção da nova coleção de alta-costura verão 2022 da Dior, apresentada nesta segunda-feira (24.01), em Paris

Os key points atuais como as colaborações, discussões sobre gênero e pluralidade a conectam desta vez com influências vindas diretamente da Índia, como nas obras do casal de artistas, Madhvi e Manu Parekh, que compuseram a cenografia, e os bordados das roupas, feitas a quatro mãos com o time de bordadeiras da escola Chanakya School of Craft, de Mumbai.

Cenário do desfile de alta-costura verão 2022 da Dior – Foto: Adrien Diran/Divulgação

Casal artista

O cenário do desfile da Dior foi composto por 22 obras do casal Madhvi e Manu Parekh, em uma extensão de 92 metros de comprimento por 3,5 metros de altura. As obras cobrem as paredes do Museu Rodin, em Paris, com uma retrospectiva da arte da dupla e ficará aberta ao público entre os dias 25 e 30 de janeiro.

Casada com Manu Parekh, Madhvi explora a possibilidade de retratar suas memórias de infância por meio de suas pinturas, dando uma visão surreal e onírica a suas obras. Sua primeira exposição é datada de 1972. Seus temas têm um frescor e uma espontaneidade evidente e, embora eles sempre girem em torno de imagens que a afetam, suas composições são flexíveis e todas as suas pinturas têm um forte senso de design.

Cenário do desfile de alta-costura verão 2022 da Dior – Foto: Adrien Diran/Divulgação

Há um elemento de emancipação na maioria das obras da artista, onde o homem é retratado livre da tirania do tempo mecânico. O trabalho dela tem sua inspiração na Índia rural, enquanto seu estilo é contemporâneo, influenciado por outros artistas como Paul Klee e Clemente.

Já Manu Parekh explora as relações entre o homem e a natureza em suas obras, pois, segundo ele, este era um vínculo energético que precisava ser celebrado. O artista destaca ainda que, desde que começou a fazer arte, as contradições formaram a base de sua prática, independentemente do tema ou gênero que tratava em suas obras.

A polêmica sempre intrigou Parekh. A energia da forma orgânica e a sexualidade inerente a essas formas são elementos intangíveis em suas obras. Suas pinturas provocam nos espectadores a percepção do mundo ao seu redor por meio da emoção, dor e angústia. Suas cores e formas exalam uma energia volátil que mal pode ser contida nos limites de sua tela e se tornam uma extensão da personalidade do artista.

Muitas palmas para elas: as bordadeiras!

Cenário do desfile de alta-costura verão 2022 da Dior – Foto: Adrien Diran/Divulgação

Um dos grandes destaques deste desfile alta-costura da Dior foram os bordados que iluminam desde bodies, meias, casacos e espetaculares gowns feitos a quatro mãos com o time de bordadeiras indianas do ateliê Chanakya School of Craft, de Mumbai. O trabalho contou com a ajuda de 380 artesãos indianas e demorou mais de 280 mil horas, de acordo com a diretora criativa da escola, Karishma Swali, que se juntou a Maria Grazia Chiuri.

O objetivo da escola indiana é criar uma plataforma de aprendizado multidimensional, focada nas artes e ofícios, proporcionando melhores oportunidades para as mulheres indianas.

Por lá, o artesanato tradicional é reinterpretado de forma contemporânea para reconhecer, respeitar e proteger a sustentabilidade social e ambiental de nossas expressões culturais tradicionais. A escola oferece um programa robusto de um ano, ensinando a antiga habilidade de bordar à mão de mestres artesãos. O currículo é dividido em dois semestres e culmina com um estágio que oferece experiência em fabricação de artesanato de luxo global.

Veja abaixo os 10 looks que amamos do desfile Dior alta-costura verão 2022: