A dupla Zanellato/Bortotto – Foto: Divulgação

Diários de viagem e materiais que coletaram ao redor do mundo, da América do Sul à Ásia, serviram de inspiração para a dupla Zanellato/Bortotto criar as luminárias Lanterns, novidade da plataforma Objets Nomades da Louis Vuitton. “Fomos forçados a pensar em espaços domésticos neste último ano”, conta à Bazaar o italiano Daniele Bortotto, parceiro de Giorgia Zanellato no estúdio que leva o sobrenome dos dois na província de Treviso, na Itália.

O toque mágico de um encontro entre amigos, ao redor da mesa, que tanto fizeram falta durante o lockdown, é a ocasião ideal para estrear as luminárias portáteis, segundo ele. “É uma forma de dizer às pessoas que você se importa e essa chama te guiará depois de um ano tão difícil. É ver a vida pela perspectiva do copo meio cheio”, pontua.

Como a tecelagem é um legado que passa por gerações na Itália, mas ao longo dos anos vem perdendo a tradição, eles foram buscar na Colômbia e no Peru o resgate dessa cultura, que ainda é passada para frente em pequenos vilarejos, incluindo um brasileiro, na região amazônica. “Era uma de nossas viagens dos sonhos”, explica. Ambos viajaram sozinhos e em ocasiões diferentes, mas as inspirações vieram também por meio da comida e da música. “Há uma conexão natural”, diz Bortotto, comentando sobre a massiva presença de comunidades italianas nos trópicos.

O savoir-faire dessa coleção é enaltecer o espírito aventureiro agregado a um item afetivo para se ter dentro do lar, carregado de memórias. “Ainda mais neste momento que, depois de um ano obrigados a ficar em quarentena, temos a chance de viajar por meio deles”, argumenta.

Disponível em tons de verde e vermelho (e em dois tamanhos), as cores estavam presentes desde a primeira reunião. “O shape, as técnicas de tecelagem, as cores, estava tudo lá desde o começo. Ao longo do processo, foi só uma questão de acertar os detalhes e ajustar as pequenas partes do objeto”, reforça.

Lanterns, da dupla Zanellato/Bortotto – Foto: Divulgação

Os italianos já haviam trabalhado com tecelagem e padronagens, em 2019, quando desenvolveram uma mandala em cores que lembram o pôr do sol da Lagoa de Veneza. Agora, para a Louis Vuitton, foram desafiados a criar um objeto para além do decorativo. “Ficamos fascinados com o potencial do couro, não apenas em aplicar uma simples tira, mas dar forma e efeito 3D.”

Foi assim que pegaram emprestado todo o conhecimento da casa centenária em habilidades manuais para entrelaçar os universos. Começaram com papel, depois com amostras de sandálias e perceberam um novo potencial. “Quando você pensa por outra perspectiva, a matéria-prima nos permitiu sair do comum e idealizar uma lanterna de couro, com as técnicas corretas para executar a ideia e transformá-la em algo único.” A luminária em formato de gaiola cria um jogo de luz e sombra, inspirado por colméias e favos de mel. Também bebem da fonte das tradicionais luminárias chinesas.

Em todos os projetos nos quais se envolve, o duo Zanellato/Bortotto fica fascinado, apaixonado e faz questão de acrescentar técnicas manuais e tradicionais a objetos modernos. É assim com os móveis e peças de metais, que volta e meia são apresentados em feiras de design. E repassam isso a seus parceiros e clientes. Um trabalho meticuloso, que, neste caso, explora os mesmos métodos da primeira criação, e aproveita a aplicação do couro como trunfo nessa interpretação da lamparina, até então pouco explorada.

O que mais impressionou os designers foi o estudo de cada etapa e a atenção aos detalhes no decorrer do projeto, que durou cerca de dois anos e sofreu alterações no meio do caminho devido à pandemia. Inicialmente projetado para carregar uma vela como fonte de luz em seu interior, terminou com lâmpadas de LED recarregáveis, revestidas por um vidro fosco, totalmente adequadas ao uso interno e externo.

Orbitando entre o Salão do Móvel, de Milão, o Miami Design, nos Estados Unidos, e até mesmo o lendário Pedder Building, em Hong Kong, onde foram apresentadas as luminárias, a Louis Vuitton vem, desde 2012, dando vida a coleções de móveis e objetos de decoração – sempre com um significado especial. Em cada canto que se coloca a lanterna, ela brilha de forma diferente e traz um espírito mágico. Sonhando com a vacina, isso nos leva a pensar que há, sim, luz no fim do túnel.

Armação limitada

O balanço Cocoon e a poltrona Bulbo – Foto: Divulgação

Em parceria com um seleto grupo de designers, a LV transformou beleza em conforto. Nessa constelação, gravitam nomes como André Fu, Raw Edges, Marcel Wanders Studio, trio Atelier Oï, e, claro, os irmãos Campana. Os brasileiros já desenvolveram cinco peças, e três ganharam novas cores este ano: o balanço Cocoon, inspirado pelo surfe, a poltrona Bulbo, em formato de flor (em vermelho), e o sofá Bomboca, que brinca com o nome do doce. Raros, já foram exibidos por aqui e esgotam tão logo colocados à venda.