Letticia Munniz – Foto: Helen Salomão

Twiggy pesava 43 quilos e exibia 56 centímetros de cintura. Por quatro décadas, essas medidas ditaram a moda no mundo. Quem deu o primeiro passo para romper com esse ciclo – ainda que timidamente – foi Mary Duffy, fundadora da agência inclusiva Big Beauties, Little Women, em 1984.

Desde então, várias modelos “reais” têm brilhado no universo fashion, entre elas, Letticia Munniz. A capixaba admite que ela se questionou sobre a escolha da carreira, mas encontrou no amor próprio força para driblar as diversidades. “Quando você entra em um set com pessoas dentro do padrão magro e elas contam com uma porção de roupas fashionistas e você tem disponível meia dúzia de peças sem graça, mesmo que ninguém fale nada, isso incomoda. Então aprendi a transformar o meu incômodo em questionamento – e passei a exteriorizar, inclusive para as marcas, aquilo que sinto”, diz. “Já percorremos um longo caminho, mas acho chocante que, em 2021, ainda tenhamos tanta dificuldade para que as marcas queiram vestir todos os corpos.”

Letticia defende a autoestima e a liberdade de cada um. “Acredito na frase ‘meu corpo, minhas regras’, mas acho difícil separar o que a gente realmente quer e o que a mídia e a sociedade impõem como obrigatoriedade estética. Eu sou capaz de ver beleza em tudo. Tenho como certeza que a luta deixa a gente mais bonita, única.”