Especial Pirelli 2020: conheça Rosália, cantora que promove o feminismo

Artista conquistou o mundo ao reavivar o flamenco

by Marcela Palhão
Foto: Divulgação/Alessandro Scotti

Foto: Divulgação/Alessandro Scotti

A edição do calendário Pirelli de 2020 está recheado de grandes mulheres, entre elas Emma Watson e Clare Foy. Mas um elenco de novos talentos também se destaca, como Mia Goth. E uma das personalidades da lista se destaca pela beleza latina: Rosalía, cantora catalã de 25 anos nascida em um pequeno vilarejo de Barcelona (que tem pouco mais de sete mil habitantes), que mescla elementos do rap e da música eletrônica com o flamenco, reacendendo o sucesso deste estilo musical.

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Depois de emocionou os pais ao demonstrar seu dom para música, Rosalía subiu aos palcos pela primeira vez aos 13 anos, cantando em bares e restaurantes e só ganhou fama quando foi semifinalista do programa de televisão “Tú Si que Vales”, aos 15 anos. Por se esforçar tanto e, muitas vezes, cantar em lugares que não tinham sistema de amplificação, aos 17 anos perdeu a voz e precisou ser submetida a uma cirurgia nas cordas vocais.

Foto: Reprodução/Instagram/@rosalia.vt

Foto: Reprodução/Instagram/@rosalia.vt

Recuperada, a cantora entrou na Escola Superior de Música da Catalunha (Esmuc), onde, anos depois, se graduou com méritos. Em 2017, lançou seu primeiro álbum, chamado “Los Ángeles”. O trabalho que trazia o flamenco clássico chamou a atenção, mas não fez muito barulho. Além disso, Rosalía não acreditava que o modelo de seu trabalho – cantar sentada acompanhada de um violão – não a permitia dar o melhor de si.

Foto: Reprodução/Instagram/@rosalia.vt

Foto: Reprodução/Instagram/@rosalia.vt

Foi então que a cantora assinou contrato com o produto El Guincho para explorar um caminho mais animado e juntos criaram “El Mal Querer”, disco gravado com a Sony Music em que a artista compôs todas as canções. Foi então que Rosalía lançou a canção “Malamente” e se destacou na internet, dando início a sua carreira internacional. A partir dessa música, o público começou a se interessar pelo resto do álbum da artista e grandes veículos começaram a se referir a ela como celebridade global.

O segundo álbum de Rosalía é dividido em 11 capítulos – como são chamadas as canções -, a cantora conta a história de uma mulher presa a um relacionamento tóxico e que, logo depois do casamento, começa a sofrer agressões do marido. A temática foi inspirada no livro “Flamenca”, do século 13, e cada capítulo descreve um dos momentos da saga da personagem, carregando uma características junto ao título, como “casamento”, “clausura” e “sanidade”.

Antes do lançamento do disco, a cantora liberou os vídeos de “Malamente”, “Pienso en tu mirá” e “Di mi nombre”, os capítulos 1 (“Augurio”, ou presságio), 4 (“Celos”, ou ciúmes”) e 8 (“Éxtasis”, ou êxtases), respectivamente. Os vídeos apresentam a estética impecável de Rosalía, mas com uma temática muito forte. Os clipes demonstram a força da mulher – ao enfrentar seu marido ou, simbolicamente, o touro -, mas também seus medos.

A artista foi duramente criticada e acusada de apropriação cultural, por transformar livremente o flamenco – o que foi visto como uma falta de respeito pela comunidade cigana – e por representar um tipo de música que não faz parte da sua história ou ancestralidade. Na contramão, muitos críticos a parabenizaram pela modernização dos elementos flamencos e pela retratação de um assunto tão delicado.

Com o sucesso, várias portas se abriram: Rosalía se apresentou na última edição do Grammy Latino e no festival Coachella. A cantora também expandiu seu circulo de amizade e conquistou personalidades como Dua Lipa, J Balvin, Alicia Keys, Alejandro Sanz e Pedro Almodóvar, com quem colaborou no filme “Dor e Glória”.

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