Samira Nasr usa camisa Maison Mayle, colete Celine, jeans Feel Studio, relógio Cartier e botas Chanel – Foto: Kelly Marshall

Por Lucy Halfhead

“Sempre fui uma abelha operária”, diz Samira Nasr de seu apartamento no Park Slope, um bairro pitoresco de ruas arborizadas e construções clássicas de tijolo, no Brooklyn, em Nova York. Já faz um ano que Nasr foi nomeada editor-in-chief da edição americana da Harper’s Bazaar, depois de quase três décadas na indústria da moda. “Minha primeira chefe sentou-se comigo e me entregou um livro que ainda tenho – ‘Passage by Irving Penn’ – e disse: ‘Estude isso, e vou lhe dar alguns conselhos que serão úteis em toda a sua carreira: seja impecável com sua palavra e trabalhe duro.’ E eu pensei, ‘anotado’.”

Nasr foi criada no modesto subúrbio de Pointe-Claire, em Montreal, com seu irmão mais velho. “Meus pais foram imigrantes e sempre trabalharam muito, cresci com esse exemplo”, diz ela. Quando eles se divorciaram, ela usou a moda como fuga: “Eu era capaz de mergulhar de cabeça em uma revista e ser transportada para outro mundo, e gostava de misturar e mudar minhas roupas para criar personalidades diferentes. Passei por um período, por volta dos 16 anos, em que explorei loucamente tutus e os usei com botas de combate”.

Coleção de cerâmicas de diversas partes do mundo – Foto: Kelly Marshall

No início dos anos 1990, Nasr mudou-se para Nova York para estudar para um mestrado em jornalismo na NYU, depois de se formar em filosofia. Originalmente pensando em trabalhar com ética biomédica, um curso sobre política do Oriente Médio a fez repensar sua carreira. “Foi-nos mostrada uma capa de revista que associava vagamente o Islã à violência”, diz ela. “Metade da minha família é muçulmana, e eu sabia que o Islã era uma religião bonita e pacífica, então pensei que deveria me tornar jornalista porque precisava ser capaz de conter essas histórias.”

A casa de Samira Nasr – Foto: Kelly Marshall

Como ela própria admitiu, Nasr nunca foi uma escritora muito boa e, por isso, precisando de um emprego, começou a ajudar estilistas. Um de seus primeiros trabalhos foi com a lendária diretora criativa Grace Coddington. “O que Grace me ensinou foi a lutar”, diz Nasr. “Ela nunca desistiu e dava tudo para a foto.”

A casa de Samira Nasr – Foto: Kelly Marshall

Depois de uma temporada de freelancer e consultoria para clientes como L’Oréal e Tiffany & Co., Nasr passou a ter vários cargos na “InStyle”, “Elle” e “Vanity Fair”, antes de conseguir o emprego na Bazaar, depois que a editora anterior, Glenda Bailey, anunciou sua saída em janeiro de 2020.

A casa de Samira Nasr – Foto: Kelly Marshall

Nasr é a primeira pessoa negra a chefiar a revista em seus 154 anos, e sua nomeação é um passo histórico. “Estou ciente de que posso inspirar as pessoas”, diz ela. “Se eu conseguir ser bem-sucedida nessa função, isso pode abrir portas para outras pessoas. Bazaar tem um legado de trabalhar com os maiores fotógrafos e gigantes literários de uma época, incluindo Richard Avedon e Virginia Woolf, e espero voltar a isso – ao mesmo tempo sendo mais inclusiva nas histórias e nas pessoas que podem contá-las.”

Além de ter um dos empregos mais influentes da moda, Nasr é mãe solteira de Lex, de 7 anos, que ela adotou ainda recém-nascido. A dupla mudou-se recentemente de Williamsburg para o apartamento atual, que fica a meio quarteirão do Prospect Park. “No quesito decoração, nunca priorizo o que está na moda, mas o que ressoa em mim”, diz ela. “Nos últimos 15 anos, lentamente adquiri coisas que amo – como minha cama do BBDW.”

A casa de Samira Nasr – Foto: Kelly Marshall

Muitas das obras nas paredes são de sua mãe e seu padrasto, que são artistas. “Eles me inspiraram a ideia de comprar uma peça nova todos os anos”, diz ela. “Não precisa ser caro demais, mas é mais um item para construir sua casa.”

Bolsas do seu acervo pessoal – Foto: Kelly Marshall

Esse sentimento ecoa no guarda-roupa discreto de Nasr, que é uma mistura de Chanel, Saint Laurent, Gucci e Celine atemporais, e marcas americanas contemporâneas, como Telfar, Maison Mayle, Fear of God e Peter Do. “Usei as mesmas peças a vida toda e as pessoas que me conhecem há muito tempo podem atestar isso”, diz ela. “Eu sempre fui adepta de um ótimo par de jeans, uma camiseta, um moletom, botas e brincos de argola.”

A casa de Samira Nasr – Foto: Kelly Marshall

Embora as calças Acne, Khaite e APC façam uma aparição, está claro que as Levi’s vintage são suas favoritas, com malhas intensamente usadas de Michael Kors e Ralph Lauren. No final das contas, ela diz, tem uma abordagem semelhante à moda em Bazaar: “Espero que nossos leitores entendam que a ideia não é descartar o que veio da temporada passada. Se você está investindo em roupas, deveria apreciá-las pelo tempo que quiser – elas se tornam as coisas que eventualmente contam sua história.”

Samira Nasr usa camiseta Supreme, jaqueta Prada, jeans Levi’s vintage e botas Vivienne Westwood – Foto: Kelly Marshall