Na sala de jantar sob luminária tulipa de prata Esther Giobbi, Fernanda veste camisa Helmut Lang, saia Erre e luvas de couro Causse; a mesa e as cadeiras foram compradas em um “família vende tudo” e restauradas. As flores são sempre frescas, no vaso que ganhou de uma amiga - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Na sala de jantar sob luminária tulipa de prata Esther Giobbi, Fernanda veste camisa Helmut Lang, saia Erre e luvas de couro Causse; a mesa e as cadeiras foram compradas em um “família vende tudo” e restauradas. As flores são sempre frescas, no vaso que ganhou de uma amiga – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Por Mariana Abreu Sodré, com fotos de Jorge Lepesteur

Nada no look de Fernanca de Goeye é gratuito, ostensivo. No dia da foto, a silhueta é elegante, cool, sensual: tradução perfeita do estilo de vestir e de viver da consultora de moda e image maker. “Quando me visto, gosto muito de equilibrar o feminino com o masculino. O gancho baixo da calça é uma de minhas marcas registradas. Alonga o tronco, favorece o desenho do corpo e é confortável”, diz ela, que usa seu impecável senso estético para fermentar o estilo da marca Erre (de suas irmãs, Claudia e Renata), as campanhas e desfiles de Adriana Degreas e capas e ensaios especiais da revista RG, entre outras atividades.

“Presto consultoria e faço direção criativa para diversas marcas, mas não desenho mais”, comenta ela, que, com Paula Raia, foi cabeça da extinta grife Raia de Goeye, que deixou muitas paulistanas órfãs de autenticidade. “Hoje tenho o formato de trabalho ideal: faço o que amo e equilibro minha agenda profissional com a do Teo” (seu filho com o advogado Augusto de Arruda Botelho).

Na mesa de centro negra, colares da label Verdura, a preferida de Coco Chanel e de Fernanda - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Na mesa de centro negra, colares da label Verdura, a preferida de Coco Chanel e de Fernanda – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Atualmente, Fernanda mora em um apartamento com planta original do modernista Pedro Paulo Saraiva e amplas janelas para o Jardim América. Está ali o primeiro móvel que ela comprou quando saiu da casa dos pais: mesa-bar de madeira maciça importada das Filipinas por Juliana Benfatti. Há também um tapete turquesa de seda chinesa que era de sua bisavó. A esta altura, já deu para perceber que nada na morada está lá por acaso. E tal cuidado se estende ao closet.

Pergunto da bolsa de acrílico Charlotte Olympia, do chapéu da Loro Piana e de seus colares. “Já fui mais de acessórios. Tenho menos hoje, mas não abro mão. Os colares são essenciais. Amo as peças da Verdura e, o de pérolas, ganhei da minha mãe.” Yvonne de Goeye é um dos ícones de estilo da filha. “Moramos em Minneapolis (EUA), Londres e, por três anos, em Lagos, na Nigéria, por causa do trabalho do meu pai (Alfredo, empresário). A vida inteira ela usou saruel e caftã. Para nós, essas silhuetas eram tão básicas quanto uma calça jeans”, comenta.

O lustre de cristal foi presente da avó paterna - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
O lustre de cristal foi presente da avó paterna – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Yvonne ajudou na decoração do apartamento, o amigo Felipe Diniz assinou a reforma. “Tem mood de casa e é bem iluminado. Escolhi cores escuras para as paredes e para o chão, e pontuei com tons mais vivos. Gosto de opostos”, explica. As luminárias tulipa em prata e o lustre de cristal herdado da avó paterna confirmam.

Diplomada em Moda no FIT (NY), Fernanda leva a sério a construção das roupas – “a modelagem da Isolda é incrível” -, gosta de decotes inteligentes – “roupa tem de deixar a mulher moderna e bonita” – e se guia pela qualidade – “um vestido simples, bem acabado, feito com bom tecido é a tradução da elegância”. Aqui, ela adora as criações de Reinaldo Lourenço e Erre. Lá fora, Azzedine Alaïa, Prada e Chanel. “Também sou apaixonada pelo trabalho da Isabel Marant. São peças fáceis de misturar, despojadas, essencialmente cool.”

“Embora sempre procure os designers que já admiro para fazer minhas compras, gosto de acompanhar todas as marcas. Por exemplo: quero o desfile todo da Dior, grife que nunca usei. Acho que, nesta coleção, Raf Simons acertou.” Fernanda não segue modismos, mas o instinto. “Sou mais a proposta e menos a tendência. Gosto de qualidade, de me sentir bem.”