Gabriela Priolli usa look total Prada e óculos Bottega Veneta – Foto de Gui Paganini, com styling de Patricia Zuffa, direção criativa de Marcelo Jarosz e beleza de Daniel Hernandez

A tranquilidade de Gabriela Prioli, 35 anos, ao debater assuntos de ordem prática e celeumas da sociedade, com o mesmo requinte que fala sobre moda e amenidades nas redes sociais, causa inveja. E sempre foi assim. Ainda quando sócia de um renomado escritório de advocacia da capital paulista, já despertava alguma angústia em alguns.

Gabriela Prioli usa look total Fendi, óculos Bottega Veneta, pulseiras e anéis Tiffany & Co, meias Wolford e sandálias Gucci – Foto de Gui Paganini, com styling de Patricia Zuffa, direção criativa de Marcelo Jarosz e beleza de Daniel Hernandez

De discurso contundente, falar com as mãos sempre foi mal entendido como altivez. Essa gesticulação, talvez o maior traço de sua personalidade, é apenas um aceno àqueles que cobram dela uma atitude mais contida. “Não caibo nem na tela”, ri. Gabriela é uma das representantes mais ilustres de uma geração de mulheres comunicadoras que, mais do que nos informar sobre política, fazem isso de um jeito acolhedor, inclusivo, leve e com extrema credibilidade.

Look total Chloé, óculos Bottega Veneta, brincos Tiffany & Co e mules The Attico na Nk Store – Foto de Gui Paganini, com styling de Patricia Zuffa, direção criativa de Marcelo Jarosz e beleza de Daniel Hernandez

A mudança de chave para a comunicação era algo esperado. Vinha trabalhando há algum tempo, mesmo feliz na carreira de criminalista há 10 anos. Em sua atribulada rotina, a apresentadora tenta encaixar a prática de exercícios físicos e uma dieta equilibrada. Só assim para dar conta de tudo: programa em horário nobre na CNN Brasil, gravação de vídeo para o YouTube, condução de lives no Instagram, onde soma quase 2 milhões de seguidores.

Look total Chloé, óculos Bottega Veneta e brincos Tiffany & Co – Foto de Gui Paganini, com styling de Patricia Zuffa, direção criativa de Marcelo Jarosz e beleza de Daniel Hernandez

Vez ou outra, é convidada para dar aula no curso de pós-graduação de direito. Também tem mais de 20 mil inscritos em cursos online e clube do livro. Para honrar este ensaio de vibe setentista, inspirado na célebre jornalista e feminista americana Gloria Steinem, o dia escolhido foi um sábado de folga, com equipe reduzida e testada. “Vou me adaptando conforme as coisas vão acontecendo. Ainda está longe de como gostaria, mas melhor do que no ano passado.”

Body Colcci, calça Givenchy na Nk Store, anéis e pulseiras Tiffany & Co – Foto de Gui Paganini, com styling de Patricia Zuffa, direção criativa de Marcelo Jarosz e beleza de Daniel Hernandez

Em um mundo que ainda instrumentaliza existências, vem aprendendo a dizer alguns “nãos” com a mesma humildade com que abre espaço para falar “eu não sei”, e está disposta a aprender. Desde que sejam apresentadas evidências, que fique claro. “Na construção de gênero, a mulher é criada para servir, ser bonita, dócil e submissa. Tem papel de cuidadora. Por que não posso buscar os meus interesses e falar de maneira firme por aquilo que acredito?”, indaga.

Costuma dizer que é a pessoa medrosa mais corajosa que existe. Insiste em mostrar-se por inteiro, ainda que leve algumas “pedradas”. Sucesso, para ela, é se apresentar múltipla, conseguir perseverar e abrir caminho para outras mulheres, assim como as inspirações Fafá de Belém, Bruna Lombardi, Djamila Ribeiro e Marta, sua mãe.

Camisa, colete e blazer, tudo Gucci, calça Colcci e óculos Bottega Veneta – Foto de Gui Paganini, com styling de Patricia Zuffa, direção criativa de Marcelo Jarosz e beleza de Daniel Hernandez

Gabriela é daquele tipo que se joga em tudo o que faz: seja no trabalho, defendendo um caso no tribunal do júri (ainda que com uma saia lápis e um salto rosa-choque), seja se divertindo, dançando em cima da mesa do DJ ou fantasiada de “La Casa de Papel” no Lollapalooza. Sabe cantar pagode dos anos 1990, entrega versos de rap com a mesma embocadura que entoa Maria Bethânia, Chico Buarque e Cartola. Mas não nega uma música eletrônica (culpa de Thiago Mansur, cuja relação explicamos abaixo). Também desce até o chão com as coreografias de Anitta. “Me convidar pro rolê é facílimo”, diz.

Vestido e óculos Bottega Veneta, e sapatos Manolita – Foto de Gui Paganini, com styling de Patricia Zuffa, direção criativa de Marcelo Jarosz e beleza de Daniel Hernandez

Aliás, no auge da pandemia, ano passado, deu aulas em formato de live para sua amiga mais famosa sobre estruturas de poder e como funciona a democracia. “Devemos tratar com um pouco menos de elitismo e arrogância. Não dá para ridicularizar as dúvidas simples, mas solucionar e trazer as pessoas para o debate.”

Body Zimmermann na CJ Mares, casaco Louis Vuitton e óculos Bottega Veneta – Foto de Gui Paganini, com styling de Patricia Zuffa, direção criativa de Marcelo Jarosz e beleza de Daniel Hernandez

Quem não a conhece na intimidade, pode pensar que, em todos os momentos, ela é como em suas aparições públicas: forte, assertiva e combativa. “Sou um docinho, mas nem sempre”, diverte-se ao falar da relação com Thiago Mansur, de quase seis anos, a quem trata de marido (foram morar juntos duas semanas depois de se conhecer), mas ainda não houve pedido oficial. “Supercarente, gosto de ficar grudada, sou romântica, escrevo bilhetinhos”, revela.

Controladora assumida, entrega que toparia até participar de um casamento surpresa desde que autorizasse algumas diretrizes. “Dá azar”, brinca ele ao ouvir a sugestão. Em um futuro próximo, adoraria assinar um projeto com ele: um reality da vida a dois, talvez? Há amigos que falam que a parceria vai além do amor, é uma sociedade. “Fico feliz que ele seja um homem seguro a ponto de estar ao lado de uma mulher forte e em nenhum momento tentar me fragilizar.”

Gabriela não tolera o desrespeito. Desfaz laços quando as relações não fazem mais sentido, independentemente do viés político. “Não tenho razão para conviver com pessoas racistas. O meu círculo de amizades não admite comportamento LGBTfóbico ou homotransfóbico”, argumenta. Por isso, ainda que discorde – muitas vezes on air – mantém a cara de paisagem. “Tenho que prestar atenção no que a pessoa está falando.”

Vestido Sara Kawasaki na Nk Store, óculos Bottega Veneta e sapatos Manolita – Foto de Gui Paganini, com styling de Patricia Zuffa, direção criativa de Marcelo Jarosz e beleza de Daniel Hernandez

Superexpressiva, descobriu esse traço da personalidade em sua estreia na TV. “Será que estou muito séria? Vou soltar um pouco o lábio. Dá uma relaxadinha, que agora tá tudo bem”, mentaliza ao analisar a tela. Tendo entrevistado uma coleção de figurões da política nacional, o mais difícil para ela é o dogmatismo. “É aquela visão completamente apaixonada, como se estivesse discutindo afetos em uma disputa de time de futebol. Esses extremos irracionais são muito negativos porque a gente não consegue evoluir.”

Vestido Hugo Boss, óculos Gucci e botas Cris Barros – Foto de Gui Paganini, com styling de Patricia Zuffa, direção criativa de Marcelo Jarosz e beleza de Daniel Hernandez

Sua fome é por liberdade, respeitando sempre o espaço do outro. Na TV, adoraria comandar um programa de entretenimento com entrevistas, ao mesmo tempo que pudesse falar de soft news. Uma coisa múltipla, com a sua cara. Sem falsa modéstia, sabe que dá conta e transita bem nestes universos. Com paciência, vai conquistando a audiência de casa, na tela da TV ou do celular. E segue tentando manter o que ela define como “convivência pacífica entre a superfície e o profundo”. “Não me prendo a estereótipos, não me submeto às expectativas.” Ela é o que é. Tem interesses claros na vida – e eles são muitos e diversos. Acompanhá-la, é para os fortes.

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