O chef Vinicius Rojo entrega a lista dos melhores restaurantes da Europa! Foto: arquivo pessoal
O chef Vinicius Rojo entrega a lista dos melhores restaurantes da Europa! Foto: arquivo pessoal

Por Camilla Bello

De tempos em tempos, o chef Vinícius Rojo , conhecido em São Paulo pela gastronomia contemporânea, faz um tour pela Europa para recolher as tendências em ingredientes e se inspirar nas combinações vibrantes que, em breve, estarão no cardápio de seu catering e, certamente, nos melhores restaurantes brasileiros. Desta vez, ele foi com o caderninho em punho para anotar as dicas e compartilhar com exclusividade com a Bazaar Brasil.

Os locais must go e os que são uma furada total, você confere abaixo:

Onde não ir:

– Preço: “Na Suécia, os valores podem ser exorbitantes. Vale pesquisar muito antes de viajar pra lá”

– Restaurantes de La Rambla (Barcelona): “A rua é bem turística e, por consequência, a maioria dos restaurantes também. Para não se frustrar comendo tapas geladas e paellas sem sabor, é melhor fugir”

– Pasta e Pizza em Ibiza: “Passe longe das pastas e pizzas com molho de catchup, isso é só para turistas que não se importam com o que comem. A exceção é a pizzaria Dolce Vita, que é de uma família italiana e a pizza é incrível.

–  “Sushi (e isso vale para todos os países que visitei nessa viagem): deixe para comer comida japonesa quando voltar ao Brasil. Minhas melhores experiências com sushi foram aqui e no Japão. Mesmo em restaurantes de grife, não encontrei a qualidade e refinamento que temos aqui em casa”

Onde ir:

Suécia:

– Sturehof: Brasserie em Estocolmo com menu de inspiração francesa e foco em frutos do mar fresquíssimos. Foi fundada em 1897 e abre 365 dias por ano.

“Lugar ideal para comer peixe fresco do dia com ovos poche e molho a base de manteiga noisette. As apresentações dos pratos são simples, porém belíssimas e o ambiente é bem charmoso. Este ano, começou a abrir também para o café da manhã. Entre as opções, smoothie de açaí. O restaurante abraçou a tendência de alimentos crus para algumas opções do cardápio. A comida não é aquecida a temperaturas superiores a 47 °c e os métodos de cozimento são primários, como a imersão, secagem, mistura e centrifugação”, conta o chef.

– Frantzén: no centro de Estocolmo, é o restaurante de número 31 no mundo e seu chef, Björn, é um destaque da gastronomia da Suécia. Na cozinha de testes, mais de cem pratos e combinações são testados por ano e entre 10 e 15 entram para o menu. Ele acredita que pensar no prato, quer dizer pensar na apresentação, mas não só dos ingredientes. As cerâmicas, por exemplo, são criadas especialmente para também dar vida a uma receita nova. Entre os clássicos do cardápio, as ostras já ganharam diferentes interpretações. “Claro que, por ter 2 estrelas Michelin, é um restaurante caro, mas vale a experiência (cerca de R$ 1.500,00 por pessoa). É bom fazer reserva, pois o local é super cool, mas pequeno”

Dinamarca

Copenhague: “A dica aqui é alugar uma bike elétrica com gps, não comprar nenhum guia nem mapa, colocar sua música favorita e se perder pela cidade. Vale muito a pena”

Nose2tail: “Uma portinha da qual você não dá nada. Um restaurante intimista que preza produtores locais e tudo se aproveita. A pedida é o cordeiro com vegetais orgânicos acompanhado de uma bela cerveja Brown Ale. No site tem o cardápio e os preços”, entrega.

– Café gl torv: um costume dos dinamarqueses é comer o open sandwich, ou em belo português, o sanduíche aberto, e um dos locais mais tradicionais é este café. Ele funciona desde o começo do século XX e faz parte da história da cidade. Aliás, as paredes com painéis de madeira, são decoradas com fotos de diferentes épocas de Copenhague. “Recomendo primeiro chegar cedo, e depois pedir o um dos clássicos open sandwiches de arenque no pão preto. Para acompanhar, peça a carta de aquavit, a cachaça dos nórdicos”

Fachada do Noma, eleito o melhor restaurante do mundo! Foto: divulgação
Fachada do Noma, eleito o melhor restaurante do mundo! Foto: divulgação

Noma: foi eleito várias vezes o melhor restaurante do mundo, atualmente ocupa a 3ª posição no ranking mundial. “Não pode ir com fome (fome de verdade, risos). A experiência é incrível, mas os pratos são bem pequenos e feitos com muito vegetais, flores e produtos frescos da região e de acordo com as estações do ano. Também é muito caro, cerca de R$1.5 mil por pessoa. Como um bom gourmet vale a experiência, mas saí de lá com fome e com vontade de comer um bom bife grelhado”, conta Vinícius.

Bélgica:

– The Jane: este é uma experiência também arquitetônica, em que todos os 70 clientes podem ver o que acontece na cozinha – que é aberta. “Os chefs Nick Brill e Sergio Herman consideram comida uma religião. E você? As opções de menu também estão na internet. Dá para planejar o bolso com antecedência, porque precisa fazer a reserva com três meses antes. E quem tem algum tipo de intolerância alimentar, é só avisar que eles se programam.  O The Jane tem 1 estrela Michelin, tem um ambiente muito cool, regado a uma boa música eletrônica, uma combinação perfeita com o menu que é uma sinfonia de técnicas, detalhes e texturas. Cada prato, uma viagem gastronômica!”

Ibiza:

– Heart Ibiza: “Criado pelos irmãos Albert e Ferràn Adriá, são 1.500 m² para caminhar por um ambiente descontraído inspirado na street food, mas com muito estilo. Os trailers são inspirados na boemia de cada país que representa. Tem também o Supper Club para quem quer curtir uma experiência lúdica: degustar o menu com apresentações sincronizadas de artistas do Cirque de Soleil. E, claro, tem o espaço da música eletrônica – o club já virou referência. Quer uma vibe artsy? Também tem no Heart. Exposições para respirar inovações”

La Dolce Vite: “Uma das melhores pizzas que já comi na vida. Óbvio que o restaurante é de família italiana. Saem do forno as mais deliciosas pizzas de Luigi Gino. Se você está em Ibiza e bateu aquela vontade de comer pizza boa, este é o lugar, fica na Playa d´en Bossa.

– Sa Trinxa: “É de impressionar! A vista é linda e, enquanto você come, tem sempre uma ótima música de fundo. Experimente o polvo com páprica. Fica em Salinas Beach, uma das praias mais agitadas de Ibiza. De quebra, você ainda corre o risco de ouvir uma performance ao vivo de violino acompanhando o bom house music que a casa oferece”

Barcelona:

– Ciudad Condal: Rústico, um restaurante bem local. “A comida excelente, repleta de tortillas, tapas e pratos regionais. O melhor? O preço é bem justo. E fica aberto até altas horas. O que eu comi? Espetinhos de camarão alho e óleo, tradicionalíssima tortilla de patata, arroz negro com tinta de lula… Tudo com ingredientes frescos e as tapas são feitas na hora, tudo quentinho, até quem não conhece de comida enlouquece!”

– Tickets: “Aqui as tapas são malucas! Por utilizarem receitas com modernas técnicas, elas viram um acontecimento. A maioria é deliciosa. Vale a experiência.A ostra com molho barbecue é um absurdo! Essa é outra experiência com assinatura dos Adriá, Albert e Ferran (já considerado o melhor do mundo), que se juntaram aos irmãos Glesias, Juan Carlos, Borja e Pedro, proprietários do grupo Rías de Galicia. O espaço é para quem gosta de arte, arte no prato. O menú degustação com boas taças de vinho custa em torno de € 140. Por se tratar de um el bulli de bairro, para quem aprecia a cozinha dos irmãos Adrià, vale cada centavo.

– Bar Bas: Para comer uma verdadeira e deliciosa croqueta de jámon vá ao bar Bas. “Foi a melhor croqueta de jámon que já comi na vida, com bastante parma, super cremosa por dentro e uma casquinha crocante por fora”

– Torre d`alta Mar: “Esse é para impressionar e surpreender, caso esteja viajando acompanhado. De frente para a praia, em Barcelona, você chega ao restaurante de teleférico, a vista é linda, 360 graus. O tiramissu desconstruído é o ponto alto do menu. E tem uma versão de menu mais em conta, € 39”

Última dica: “Escute a voz da experiência – o paladar fica mais aguçado com o passar do tempo, portanto, nos restaurantes em que você notar as mesas repletas de moradores com cabelos brancos, com certeza, pode se arriscar”, finaliza o especialista.

Sobre Vinícius Rojo: com a Rojo Gourmet Criatividade, criada há apenas oito anos, Vinícius exerce o sonho de conciliar alta gastronomia com eventos de qualquer porte e formato – social ou corporativo. Para isso, pesquisa, juntos aos melhores chefs da Europa (onde se encontra no momento), receitas e processos que enriquecem o básico da culinária, adicionando sabor, textura e arte a receitas novas e tradicionais. Esses cuidados no preparo e na apresentação têm rendido destaque internacional ao seu catering, como nos eventos da Copa do Mundo e, mais recentemente, no restaurante secreto de Tomorrowland.