Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Jovens inovadores, revolucionários e rebeldes surgem, de tempos em tempos, para quebrar o status quo e elevar a sociedade – e a história do mundo – a um novo patamar. Todas as gerações causam impacto nos rumos da humanidade, mas algumas fazem isso de forma mais contundente, alterando completamente padrões e normas enraizados.

E é justamente esse poder impactante de mudança que está agora nas mãos da Geração Z, os nascidos de 1995 para cá. “Eles colocam em pauta discussões, problemas e necessidades. Lidam com questões de uma forma mais urgente. Buscam um mundo mais adequado, coerente e alinhado com aquilo que estão observando”, narra, em depoimento à Bazaar, o consultor de moda e comportamento, escritor e especialista em design para sustentabilidade, André Carvalhal. Leia na íntegra:

“A revolução digital foi um marco para a nova era do ativismo. Se a gente vinha no piloto automático, reproduzindo padrões e normas, a geração Z está de olho em comportamentos ideológicos, comprometidos com causas, propósitos e, acima de tudo, com a verdade.

Há quem brinque que essa galera dos vinte e poucos anos – que antecede os transumanos – vem com um chip de fábrica, que conversa naturalmente, como que por osmose, com as novas tecnologias. Ao contrário das gerações passadas, que estavam muito relacionadas ao consumo (em excesso), às compras, posses e marcas, para essa nova leva jovem, nada disso tem relevância.

É uma geração que já nasceu digital, tendo à mão internet, ferramentas e plataformas de autopublicação e de expressão – e tudo isso substitui o papel da moda (e das marcas) para a geração passada. Se antes você comprava alguma coisa para formar sua identidade (éramos aquilo que usávamos), hoje essa construção de identidade e imagem se dá muito mais pelas plataformas digitais e pela produção de conteúdo, que independem do ter. Estão mais relacionadas ao fazer. Isso acaba mudando, em cascata, uma série de outras coisas. Tais plataformas favorecem as manifestações de diferentes vozes. É a era da disseminação de ideias, de movimentar, de engajar. Como se essas ferramentas fossem a amplificação das passeatas e dos festivais do passado recente.

A geração Z movimenta e vem trazendo novas perspectivas, novos olhares. Não apenas mudam o mundo, mas o olhar que temos para ele. Eles trazem luz, levantam novas pautas de discussões, problemas e necessidades que consideram mais urgentes. Têm como característica lutar por tudo aquilo que foi prometido tempos atrás, como se estivessem cobrando a conta dos erros das gerações anteriores.

Um bom exemplo é o do movimento puxado pela ativista ambiental Greta Thunberg. Ela incentiva os jovens e adolescentes a fazerem greve e a cobrarem atitude das autoridades e de seus pais, os responsáveis pelo futuro que foi tirado deles. Isso é muito simbólico. Greta amplifica a voz de toda uma geração.

Mas a verdade é que, em qualquer movimento geracional, somos indivíduos múltiplos e únicos, cada um com a sua necessidade. Quando a gente olha para novas atitudes, lideranças ou pesquisas, é importante ter um filtro de que existem muitas causas e pautas paralelas, que são igualmente importantes. As comuns são as macro, como a de apoio aos movimentos antirracistas, impulsionados pelo apontamento de violência policial, que vem ganhando destaque.

Ainda que muitas pessoas comuniquem, amplifiquem suas vozes e ajudem a disseminar uma causa, do outro lado sempre haverá pessoas alheias. Afinal, a posição mais difícil é o lugar do outro. Não se pode esperar ou impor que todo o jovem ou marca seja ativista. Você se posicionar e lutar por aquilo que acredita é uma causa nobre.

Todos temos um papel único no mundo, certamente algumas pessoas vão se identificar mais com esse lugar e outras tantas vão se identificar com algum outro. Por isso, busque o caminho que mais lhe chama. E siga o rumo!”

André Carvalhal é escritor e especialista em design para sustentabilidade. Atuou no segmento de moda, onde desenvolveu projetos e ações especiais para diferentes marcas. Escreveu os livros “A Moda Imita a Vida – Como Construir uma Marca De Moda”, “Moda com Propósito: Manifesto pela Grande Virada” e “Viva o Fim: Almanaque de um Novo Mundo”