G&T - Foto: Reprodução/Harper's Bazaar Fevereiro
G&T – Foto: Reprodução/Harper’s Bazaar Fevereiro

Por Alexandra Forbes

Meu avô bebia, religiosamente, um giz tônica antes do almoço e, pequena, acostumei-me a ver amigos do meu pai com o mesmo drink na mão, gelos a tilintar contra o copo longo. Parecia-me algo masculino e um tanto antigo, até o dia que visitei a capital mundial do G&T: San Sebástian, no País Basco. Aprendi que espanhóis o bebem com sede mil vezes maior que os ingleses, no dia a dia, como nós com a cervejinha. Mulher, homem, jovem, velho, tanto faz: é a bebida favorita. E sempre servida em copo-balão!

É cena comum ver turmas brindando com suas enormes taças, exalando perfume cítrico (barmen tiram com pinças as raspas de limão siciliano até soltarem os óleos sobre a superfície, aí as usam para decorar). Essa mania espanhola vem se espalhando pela Europa, disseminada, principalmente, por chefs, que o adotaram como drink de estimação e matam facilmente quatro ou cinco depois do serviço.

Outra noite, encontrei Fabiana Pastore, diretora da revista do Shopping Cidade Jardim, no restaurante Charlô. Ela, toda mignonne, bebericava seu imenso gim tônica, servido à espanhola,em copo largo. Foi uma surpresa:sabia que esse G&T em versão nada british já tinha chegado ao Brasil, mas não que estava tão em voga a ponto de constar na carta de um bistrô apaulistado.

“Peguei o gosto na minha adolescência, aí parei por uns anos”, conta. “Retomei o hábito por causa de amigos e uma prima que adoram.” Fabi e turma preferem o clássico. Mas, se hoje a modinha pegou força, é porque bares lançaram versões coloridas e leves. “Mulheres e não-iniciados veem cor,fruta,o copo bonito e se interessam”, explica Edgard Costa, boêmio e co-proprietário do Astor, da Trattoria Bráz e de uma crescente rede de lugares. Ele trouxe o gim tônica turbinado para o Brasil. “Em 2011, fui a bares em Madri, onde grandes barmen me ensinaram a fazer G&Ts de primeira linha. Voltei a São Paulo louco para botar para rolar.” Lançou uma carta de gim tônicas criativos no Astor e dali a coisa pegou embalo. Foi quando começou a se falar mais de qualidade de gim – álcool destilado com zimbro e um mix de botânicos (há múltiplas nuances, do mais neutro ao mais aromático). E de tônica também (quanto menos industrial, melhor).

Até aí havia pouca variedade de gins no Brasil e nenhuma tônica artesanal. Hoje, já tem gente fazendo tônicas caseiras, embora marcas tops sigam dando conta do recado. Foi quando surgiu por aqui o G&T espanhol,na taça-balão:maior,mais bonito e mais perigoso do que o original. Um bar copiou o outro, uma amiga indicou à outra, mixologistas deram seu empurrão, fotos no Instagram ampliaram o hype e, de repente, o drink começou a pipocar em lugares bacanas. Meza Bar,Via 7 e Mr. Lam, no Rio. Em São Paulo, D.O.M., Adega Santiago, Taberna 474, Maní e Fasano, entre tantos.

O paulistano Numero e o carioca Usina 47 têm cartas de gim tônica, a exemplo do pioneiro Astor. “Nem a caipirinha é tão perfeita quanto o G&T para o nosso verão”, diz Edgard. Como discordar? Milhares de bolhas geladas, frescor de limão e gim forte, mas alegremente diluído, animam qualquer tarde de sol.