Houssein no galpão sobreuma novíssima mesa da coleção Haçienda - Foto: Érico Toscano / Set design: Tissy Brauen
Houssein no galpão sobre uma novíssima mesa da coleção Haçienda – Foto: Érico Toscano / Set design: Tissy Brauen

por Dudi Machado

Leonino em constante ebulição, aos 42 anos, o paulistano descendente de libaneses Houssein Jarouche é a perfeita tradução da metrópole que descansa pouco, trabalha muito e deixa sua indelével marca por onde quer que passe. “Sempre acreditei na minha intuição e até hoje meu trabalho é guiado por ela. Não sou do tipo que segue um planejamento à risca.” Prova disso é seu novo xodó, um galpão que fica nos arredores da rua Vergueiro, na Vila Vermelha, região sul de São Paulo. É lá que está guardada uma excepcional coleção de mobiliário antigo – grande paixão do empresário –, garimpada em diversos cantos do mundo. Essas peças já têm destino certo: a decoração do projeto dos sonhos do designer, um hotel de 20 quartos, no centro paulistano. Por ora, os mó- veis (e a vontade) são o que existe da ideia que carece de definição de um local. Nesse galpão também está sendo confeccionada a linha de mobiliário que criou para amantes de música, batizada de Haçienda. O nome é uma homenagem ao famoso clube noturno de Manchester, “casa” do New Order dos anos 1980 e começo dos 1990. A nova coleção deve ser comercializada no segundo semestre de 2016, em conjunto com uma exposição dos trabalhos de serigrafia de Kevin Cummins, o fotógrafo oficial da banda.

Fundador da MiCasa, loja de mobiliário localizada nos Jardins há 12 anos, Houssein criou o DNA do espaço ainda em 1998, em São Bernardo do Campo. Só depois o espaço foi transferido para a capital paulista, para se tornar referência em design excepcional, bom gosto e originalidade. “O que inicialmente era uma loja destinada a atender os clientes e arquitetos da região do ABC, na época carente de opções, logo percorreu o caminho inverso. Foram os arquitetos de São Paulo que queriam os produtos e a curadoria da loja do ABC. Mas eles começaram a reclamar da distância, então decidimos nos mudar para São Paulo”, lembra ele, sobre o início da empreitada. Com os anos, a loja ganhou cara de galeria, mas jeito de casa, feita sob medida para uma São Paulo em franca ascensão e ávida por produtos e curadoria com essa excelência.

Houssein Jarouche na oficina onde os móveis são pintados - Foto: Érico Toscano / Set design: Tissy Brauen
Houssein Jarouche na oficina onde os móveis são pintados – Foto: Érico Toscano / Set design: Tissy Brauen

Self-made man, Houssein começou a carreira com um pequeno negócio de armários de cozinha, na esteira da família comerciante de móveis populares na Grande São Paulo. Com o olhar sempre ligado nas tendências, em 2006 criou o Volume B, um grande espaço expositivo com assinatura de Marcio Kogan, concebido na época para a chegada dos móveis da marca alemã Vitra, precursora do desembarque de uma safra de marcas mundialmente importantes para a cidade.

Em paralelo a tudo isso, Houssein encontra tempo e criatividade para tocar seu estúdio de design, o Estúdio 20.87, que tem sede na Plataforma91, uma casa tombada no centro da cidade, que passou por um processo de restauro hidráulico, elétrico e estrutural, onde o novíssimo e o antigo convivem em harmonia, como em todos os projetos que toca. É nesse espaço que, junto com o artista gráfico Abidiel Vicente, tem criado obras que estão expostas em Nova York. Representados na Big Apple pela galeria especializada em arte pop Taglialatella Galleries, a dupla já divide o salão com nomes como Roy Lichtenstein, Keith Haring, Damien Hirst, Jean-Michel Basquiat e Banksy. São esculturas e gravuras feitas em silk. Uma nova leva deve sair do forno em breve. E isso é só o começo de uma nova carreira.