Silvia Venturini Fendi com filhas e sobrinhas no terraço que dá para o jardim – Foto: Filippo Bamberghi

Por Katherine Ormerod, com fotos de Filippo Bamberghi e edição de moda Cassie Anderson

Ao final de um longo caminho, ladeado por pinheiros centenários que se retorcem até o céu, I Casali del Pino, a propriedade rural da família Fendi, nos arredores de Roma, evoca uma pintura da paisagem italiana do século 19. A apenas dez quilômetros a noroeste do Coliseu, a propriedade, que data de antes do Império Romano, e a transformação conduzida pela família de seus 174 hectares em uma fazenda orgânica, ampliam a sensação de longevidade.

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É aqui que Silvia Venturini Fendi passa os finais de semana com suas irmãs, Ilaria – que comanda as operações da fazenda – e Maria Teresa, e todos os filhos. “Para mim, é realmente uma maneira de desligar da vida na cidade e do trabalho na moda, que é altamente exigente”, afirma a diretora criativa, com certo eufemismo que lhe é característico.

Azulejos e armários restaurados e reciclados na cozinha da I Casali del Pino, a propriedade rural da família Fendi, nos arredores de Roma – Foto: Filippo Bamberghi

Mesmo com a ampla casa de fazenda em terracota com lindas persianas em tom suave de verde, um laticínio, um hotel de agroturismo com 16 quartos, um restaurante orgânico e um rebanho com mais de mil ovelhas, I Casali del Pino não tem um ar pastoral. “Compramos essa propriedade para nossos filhos, porque realmente acreditamos que o futuro caminha para uma vida mais verde”, continua ela. “Ilaria é ativista ambiental há muitos anos e, agora, estamos todos aprendendo a viver de uma maneira mais simples.”

O expediente de Silvia está longe de ser simples. Depois de quase três décadas trabalhando na Fendi (é dela o famoso projeto da icônica bolsa Baguette, de 1997), foi nomeada diretora criativa solo da marca, no ano passado, após a morte de Karl Lagerfeld, que, por mais de 50 anos, foi designer da label.

Silvia Venturini Fendi – Foto: Filippo Bamberghi

Seu approach para esse novo capítulo da marca está profundamente enraizado em sua própria herança. “Não tenho essa ideia de mulher como uma deusa”, diz ela, sobre sua coleção de verão, que apresenta um mix de jaquetas utilitárias, trench coats e casacos de matelassê em tons pastel, terrosos e ocres; e vestidos com estampas xadrez e florais psicodélicos. “Minha inspiração é muito mais pé no chão. Quero conversar com mulheres reais, que trabalham, como as mulheres da minha própria família.”

Sua mãe, Anna, foi uma das cinco irmãs que herdaram uma pequena oficina de artigos de couro e, juntas, a transformaram em uma potência global do luxo. Para além de seu compromisso com um guarda-roupa da vida real, Silvia mantém-se firme no propósito de que seus projetos estejam alinhados com seu espírito sustentável: “Karl me ensinou que o tempo é o melhor juiz da criatividade. Quero fazer roupas que as pessoas usem ao longo de suas vidas.”

A próxima geração de mulheres Fendi. A partir da esquerda, Leonetta Luciano Fendi, Nina Pons Fendi, Annabel Frisch Fendi e Delfina Delettrez Fendi – Foto: Filippo Bamberghi

É a próxima geração de mulheres Fendi, aqui retratada, que mais a inspira. “Minhas filhas e sobrinhas são extremamente estilosas, pois foram criadas para acreditar que um ponto de vista estético tem um valor real”, diz ela, com um sorriso no rosto. “Minha filha mais velha, Delfina [Delettrez Fendi], é designer de joias, enquanto a mais nova, Leonetta [Luciano Fendi], estuda migração humana na London School of Economics. Minha sobrinha Nina [Pons Fendi] é atriz, e Annabel [Frisch Fendi], minha sobrinha mais nova, monta a cavalo lindamente. ”

O utilitário da família no qual as meninas Fendi aprenderam a dirigir, com ovelhas da propriedade à distância – Foto: Filippo Bamberghi

Seria essa uma prévia da quarta geração dos negócios da família? “Como todas as mulheres da minha família, o que elas fizerem será por escolha delas próprias”, responde.

A sala de estar da I Casali del Pino – Foto: Filippo Bamberghi

Seja qual for o futuro, fica claro que I Casali del Pino continuará sendo uma âncora para os Fendi. “Este lugar me tranquiliza”, diz Silvia. E completa: “Aqui tem muito trabalho manual – abrir caminhos na floresta, seguir o rio e encontrar mistérios do passado. Toda vez que volto para casa, no domingo à noite, estou destruída, mas também muito feliz.”