Vinícola Lusovini – Foto: Divulgação

Por Igor Zahir

Não é exagero dizer que a história da vitivinicultura se confunde com a história dos vinhos de Portugal – dizem que a bebida é produzida por lá desde os anos 2000 antes de Cristo, e tanto os tartessos (que habitavam a Península Ibérica à época) quanto os fenícios, contribuíram para implementar novas técnicas e uvas na região; sendo que o reconhecimento oficial veio apenas no século 12, quando os primeiros vinhos portugueses foram exportados para a Inglaterra. 

Com regiões vinícolas espalhadas por todo o país, pode-se afirmar que o terroir diversificado de Portugal é um segredo de “alquimista” nas mãos de produtores que utilizam técnicas particulares para elaborar suas bebidas.

A Lusovini, por exemplo, apresentou recentemente à imprensa quatro dos seus novos rótulos, oriundos de três regiões portuguesas: 

Regateiro Jr Tinto Bairrada DOC 2017: com o sobrenome do avô de Casimiro Gomes, pai de Francisco Gomes (enólogo responsável por este rótulo), foi produzido na região da Bairrada com Touriga Nacional, Baga e Castelão, sem passagem por madeira; tem corpo médio e harmoniza com carnes grelhadas, assados, embutidos e queijos duros.

Regateiro Vinha d’Anita Bairrada DOC 2015: homenagem à mãe do enólogo Casimiro Gomes, o excelente monovarietal de Baga passou oito meses em barricas de carvalho francês, tem notas de frutas vermelhas frescas; potencial de guarda de dez anos e combina com carnes grelhadas e galinha ensopada – um deleite para a culinária típica do Nordeste que tem na galinha guisada um dos seus pratos típicos do dia a dia.

Vinícola Lusovini – Foto: Divulgação

Pedra Cancela Touriga Nacional 2014: direto do Dão, este tinto vermelho é profundo, com notas de fruta madura, violeta e lavanda. Feito 100% com Touriga Nacional de vinhas com vinhas de 60 a 70 anos. Seu potencial de guarda é de 10 a 15 anos e combina com contrafilé grelhado e arroz de pato.

Tapada do Coronel Vinho de Talha 2017: elaborado em ânforas de barro a partir de vinhas velhas de Antão Vaz, Roupeiro e Arinto, redescobertas na propriedade da vinícola, no Alentejo. Tem aroma de frutos secos, especiarias e notas terrosas. Ótimo para harmonizar com embutidos como presunto cru e empadão de galinha.

Com um rótulo que carrega o sobrenome do avô e outra em homenagem à mãe (que costumava dizer que não se fazem mais vinhos como antigamente), pode-se dizer que um destaque dos vinhos acima é, justamente, essa preocupação em fazer parte da elaboração como nos primórdios. Tudo muito intimista, com a fermentação em ânforas que já estavam na Quinta Sericaia quando foi adquirida pela marca. E sem pressa: enquanto boa parte dos produtores abre suas ânforas em novembro, a enóloga Sónia Martins afirma que a bebida fica mais especial se passar um tempo a mais com as cascas no pote de barro, e só as abre em janeiro do ano seguinte à safra.

Ânforas em Herdade do Rocim – Foto: Divulgacão

Save the date

Vale colocar na agenda o 13 de novembro, quando acontece o Amphora Wine Day na Herdade do Rocim. A festa, que provém de uma milenar tradição vivitinícola de Portugal, acontece pois é no dia 11, Dia de São Martinho, que as ânforas são abertas. É no evento que dezenas de produtores de todo o país apresentam seus vinhos que passaram por ânfora em algum momento do processo.

Símbolo dessa cultura milenar que foi preservada no Alentejo, o vinho de talha é um dos fatores que parece enfatizar o que se sabe sobre a bebida feita em terras lusitanas e que pode ser concluído ao conversar com enólogos como Casimiro Gomes, Sónia Martins e Pedro Dourado: com sua simplicidade, raízes familiares e métodos que datam de séculos passados, o vinho de Portugal jamais será esquecido.

@igorzahir_somm é sommelier e colunista da Bazaar.