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Por Igor Zahir

Quando recebi, no último mês de agosto, o vinho Jazz Reserva 2019, fiquei pensando sobre a relação entre boas bebidas e os rótulos apropriados para acompanhar. Criado por Paulo Fonseca em parceria com o enólogo André Larentis – da quinta geração da família Larentis, no Vale dos Vinhedos – o blend aveludado combina Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, após passar por 12 meses em barricas de segundo uso.

É impossível não associar um vinho com esse nome às playlists de jazz que não saem dos meus aplicativos de streaming, como Nina Simone, Ella Fitzgerald, Chet Baker, Billie Holiday e outros ícones do gênero.

Paulo Fonseca – Foto: Divulgação

Amante de uma boa música, Fonseca acredita que essa é uma combinação que dá certo: “Segundo pesquisadores de vários cantos do mundo, com a música ambiente certa, o vinho não só parece como, de fato, fica mais saboroso. Tanto no Velho quanto no Novo Mundo essa crença já tem muitos adeptos. No Chile, um vinicultor produz vinhos ao som de cantos de monges. Na Espanha, há quem deixe os vinhos envelhecendo com clássicos como Mozart, Beethoven e Liszt, por acreditar que, dessa forma, as reações químicas acontecem no mais perfeito equilíbrio. O caso mais notável dessa prática vem da Itália, onde Giancarlo Cgnozzi intuiu que as vinhas cresceriam melhor se fossem acompanhadas por alguma música”.

Engenheiro de formação e enófilo dos mais empenhados, ele criou o e-commerce P. Fonseca Vinhos, e enquanto curte o sucesso do Jazz Reserva e prepara novos projetos, separou para Bazaar suas dicas de músicas para “harmonizar” com bons rótulos da sua bebida preferida:

Espumantes

Eclético, vai bem com qualquer estilo musical, um alegre e descontraído, como um pop atual; um clássico romântico, um rock leve, folk ou um jazz anos 50-60. Sugestão de Música: As quatro estações de Vivaldi, Man! I Feel Like a Woman! (Shanya Twain), e Take Five (Dave Brubeck).

Vinhos brancos leves e rosés

Também muito versátil, vai bem com jazz bem melódico, sinfonias leves, óperas de Verdi, MPB, bossa nova, pop-rock e jazz mais elaborado. Sugestão de Música: “What’s Love Got To Do With It” (Tina Turner), “Rock DJ” (Robbie Williams), “Wave” (João Gilberto) e “When It´s Sleepytime Down South” (Wynton Marsalis).

Vinhos tintos leves e médios

Talvez os vinhos mais difíceis ao paladar brasileiro, um tinto leve e elegante como os Rioja ou Pinot Noir ou o brasileiríssimo jazz, um elegante blend da P. Fonseca, pedem algo de mais sofisticado na música, algo introspectivo ou contemplativo. Sugerimos beber ouvindo peças não muito vibrantes de piano, um quarteto de cordas, um jazz introspectivo tipo Keith Jarrett, Chet Baker, Billie Holiday ou um pop bem romântico. Sugestão de música: “The Koln Concert” (Keith Jarrett), “Blue Moon” (Billie Holliday) e “All Of Me” (Rod Stewart).

Vinhos tintos encorpados

Seja um Bordeaux de qualidade, um bom Douro, um Malbec ou um Cabernet Sauvignon do novo mundo, este estilo de vinho pede um acompanhamento musical mais denso e dramático. Perfeito se a sua escolha for um Led Zeppelin ou Guns N’Roses, mas cai muito bem com óperas dramáticas, jazz dos anos 1960-1970 ou sinfonias densas. Sugestão de música:” Stairway to Heaven” (Led Zepelin), “9ª. Sinfonia” (Beethoven) e “A Love Supreme” (John Coltrane).

@igorzahir_somm é sommelier e colunista da Bazaar.