Iman e o vestido que mudou sua vida, do estilista Giambattista Valli - Foto: Getty Images
Iman e o vestido que mudou sua vida, do estilista Giambattista Valli – Foto: Getty Images

Em 2010 a ex-modelo Iman, viúva do cantor David Bowie, foi homenageada em um dos prêmios mais importantes da moda nos Estados Unidos. Ela foi nomeada “Ícone Fashion do Ano” pelo CFDA, Council of Fashion Designers of America, ou conselho dos estilistas norte-americanos.

Em depoimento exclusivo à Bazaar, ela conta que o vestido que usou para a ocasião, criado pelo estilista italiano Giambattista Valli, entrou para a história dos seus looks mais memoráveis até hoje. “Provei o vestido várias vezes. Ainda estávamos fazendo os ajustes no último minuto. Queria que parecesse talhado para mim”, conta, em depoimento a Natasha Silva-Jelly.

Leia sua história narrada em primeira pessoa:

Estava no carro, voltando para casa do aeroporto em 2010, quando Diane von Furstenberg me ligou e falou: “Querida, você foi indicada ao prêmio do CFDA (Council of Fashion Designers of America)”. E eu: “Pelo quê? Não sou estilista”. Ela respondeu: “Na categoria Ícone Fashion do Ano. Foi uma unanimidade”. Eu disse: “Bem, estou honrada”. E imediatamente pensei: “Caramba, o que vou vestir?”.

Sabia que queria algo que transcendesse o tempo, que ninguém pudesse determinar a data. Não queria uma cor, porque, dessa maneira, se você visse uma foto em preto e branco, poderia ser dos anos 1950. Tinha de ser alta-costura e ter presença, mas passar a sensação de ser atemporal e icônico.

Giambattista (Valli) tinha me enviado alguns vestidos para outros eventos e, lindos como eram, ocupavam todo o ambiente. Eu sempre dizia pra ele, brincando: “Não sou Sarah Jessica Parker“. Sou muito mais alta que ela, mas, de alguma maneira, ela veste esses vestidos enormes sem esforço. Não gosto de vestidos grandes. Tenho corpo de somali, nós temos ossos pequenos, então as coisas podem tomar conta de mim. Não quero usar algo que vai me deixar preocupada em como andar a noite toda.

Quando fui indicada, contatei Giambattista, ele me enviou algumas fotos e eu disse: “É este vestido”! Quando a gente sabe, a gente sabe.

Então, ele mandou o vestido para mim, em Nova York, e provei várias vezes. Ainda estávamos fazendo ajustes no último minuto. Queria que o vestido parecesse talhado para mim. Você vê algumas celebridades no tapete vermelho, e o vestido é longo demais, e pensa: “Por que ninguém fez a barra?”. Isso é algo que quem é da moda sabe.

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Iman com seu troféu na edição 2010 do prêmio do CFDA, em Nova York - Foto: Divulgação
Iman com seu troféu na edição 2010 do prêmio do CFDA, em Nova York – Foto: Divulgação

Eu conseguia andar naquele vestido, era fácil. Usei com salto Manolo Blahnik clássico, de cetim preto. Também quis que meu cabelo e maquiagem transcendessem o tempo. Por isso, escolhi um coque chique. Também não quis batom, só os olhos um pouco esfumaçados.

E joias. Fomos a Fred Leighton e disseram: “Com o seu pescoço, deveria usar brincos longos”. E pensei: “Não, não deveria. Vai destruir essa imagem”. Acabei usando brincos de diamantes simples e pulseira também de diamantes.

Sempre fui contrária às tendências. Não estou interessada em usar o comprimento do momento ou o estilista que está em alta. Quando entro em um recinto, quero que se lembrem de mim e não do que estou vestindo.

Pedi a Isabella Rossellini, que é uma amiga íntima e um ícone para mim, para apresentar o prêmio. Então, escrevi meu discurso e pedi aprovação para meu marido (o saudoso David Bowie). Ele fez questão de que eu ensaiasse. Ele disse: “Não quero que você fique lendo teleprompters. É sua fala, você deve sabê-la”. E eu falava: “Meu Deus, não complica”.

Apenas um performer como ele saberia de algo assim: quando o vestido chegou, ele me falou para experimentá-lo com os sapatos e dizer meu discurso. E esqueci metade. Ele disse: “Por isso ensaios com figurino são feitos. Você veste as roupas, você se levanta e sente”. Graças a Deus eu o tinha para me guiar nessa.

Eu me senti incrível no vestido e foi uma noite maravilhosa. Não trabalhava mais como modelo, mas estava em um ambiente cheio de pessoas que conhecia, tanto estilistas estabelecidos com quem eu havia trabalhado, quanto os jovens promissores que eu admirava.

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Iman com David Bowie durante a premiação, em 2010 - Foto: Divulgação
Iman com David Bowie durante a premiação, em 2010 – Foto: Divulgação

Um deles era Alexander Wang, que fez um vestido para mim, curto, para uma festa dada em minha homenagem uma semana depois.

Você não ganha um prêmio de ícone fashion. Você é agraciada com ele. Então, meu discurso foi sobre ser grata por aquilo que me levou até ali, como meu pescoço longo, que herdei de meus pais. Também quis que fosse engraçado e tivesse uma frase de efeito. Meu marido não sabia como o discurso terminava. Ele ouviu pela primeira vez quando subi ao palco. Eu disse: “Agora posso finalmente falar para o meu marido: ‘Passa para lá, você não é o único ícone da casa'”. Ele me disse que foi o final perfeito, e, para mim, foi a noite perfeita com ele, usando o vestido perfeito, que guardei.

Meu marido nunca manteve nenhum de seus prêmios em nosso apartamento – tudo ficava no escritório dele. Mas agora tenho duas estatuetas em casa, meu prêmio e um tributo que o CFDA concedeu ao meu marido após sua morte. Estão lado a lado.