Jornalista agredida em SP: “Serei um número para que mulheres sofram menos”, diz Helô Gomes

O relato de Helô Gomes comoveu a internet

by Luciana Franca
Helô Gomes posou para Bazaar em dezembro de 2017 (foto: Vinicius Postiglione)

Helô Gomes posou para Bazaar em dezembro de 2017 (foto: Vinicius Postiglione)

“Logo eu que quis fugir da internet, de exposição…”, emociona-se Helô Gomes em conversa com a Bazaar. A jornalista e empreendedora de 35 anos desistiu da sua então ascendente carreira de influenciadora de moda em 2014, quando abriu mão do blog Sanduíche de Algodão porque não queria mais fazer parte do “universo excludente, frio e movido por aparência”, e passou a dar palestras sobre estética e gestão de moda com a USP por diversos países. Cinco anos depois, ela volta à exposição em todas as mídias como vítima de agressão.

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Segundo seu relato, em 14 de setembro, Helô foi abordada insistentemente por Otto Resende Vilela Filho, no restaurante Ummi Sushi, em São Paulo, que a chamou de “puta”, passava as mãos pelas suas costas e não obedeceu aos pedidos dela para que se afastasse. Helô, então, ameaçou jogar sua bebida nele, caso não parasse. Como ele continuou, ela cumpriu com o que prometeu e jogou o drink na cara de Otto, que deu um soco muito forte na cabeça dela, como mostra o vídeo de uma câmera interna que foi divulgado pelo restaurante. Um advogado contratado por ela está cuidando do caso.

Helô está na casa dos pais, no interior de São Paulo, e conversou com Bazaar:

Como está sua saúde hoje?
Estou há 10 dias de cama, tive risco de hemorragia cerebral, fiz duas tomografias, estou fora de risco. Estou fazendo acompanhamento psiquiátrico porque estou com muita crise de ansiedade. Ainda não posso ir para o mundo, tenho de ficar isolada porque qualquer coisa pode ser um gatilho.

O agressor te procurou?
Ele me mandou mensagem no dia seguinte, dizendo que eu era muito bonita para ficar brava à toa. Disse que estava muito triste com o ocorrido e que ficaria um tempo sem sair de casa, que gostava muito de mulheres, tinha mãe, tias, etc. Mas, no final de semana seguinte, já postou Stories, em seu Instagram, num rodeio. Muitas meninas estão me mandando mensagem no Instagram dizendo que já foram também agredidas por ele.

Você virou uma estatística no caso de agressão contra a mulher. Que lição tira de tudo isso?
Em “Discurso do Método”, de Descartes, tem uma parte que diz que a matemática existe para facilitar a vida do homem, para fazer com que ele pudesse trabalhar menos. Sendo uma alma de humanas, acho que só posso te responder de uma forma: ser um número para que mulheres sofram menos.