Foto: Alex Falcão

Por Karen Couto 

Quem me conhece sabe que eu sou tipo São Tomé… ”ver para crer”. Experimentar na pele para tirar minhas próprias conclusões ou, ao menos, despertar a reflexão para juntos evoluirmos, quem sabe.

O tema de hoje é “mindfulness” e não há como duvidar que a prática dedicada pode aguçar a concentração, possibilitar o mergulho interior, aumentar o foco e flexibilizar a capacidade mental. Promover comportamentos menos imediatistas e reativos, de modo a encarar os desafios com uma visão mais ampla e menos emocional.

Entretanto, me aprofundando no tema, concluí que pode haver a possiblidade, em alguns contextos, do desenvolvimento de um comportamento mais egoísta e menos empático.

Michael Poulin, professor de psicologia associado à State University of New York em Buffalo (NY), realizou um trabalho de investigação sobre como os valores e a cultura podem interferir, positiva ou negativamente, no processo pessoal de mindfulness. Ele se interessou em estudar, particularmente, a percepção individual a nosso próprio respeito. Alguns de nós estão mais focados em nossas características pessoais (independentes), e outros, a partir do “olhar” do outro, sobre o que opinam sobre nós (interdependentes).

Para sua pesquisa, Poulin convidou 366 estudantes universitários para a prática de mindfulness e abordou alguns temas como comportamentos pró-social de ajuda ao próximo. Concluiu que as pessoas consideradas independentes não tinham desejo de dedicar seu tempo em ajudar. Enquanto que os interdependentes, após a prática, gostariam de investir mais tempo na tarefa social. Para ter certeza, Poulin conduziu outro experimento em que a resposta se confirmou, pessoas com atitudes egoístas podem se tornar ainda mais individualistas após as práticas de mindfulness. Fiquei surpresa!

Ronald Puser, professor em gerenciamento na San Francisco State University, em seu livro “McMindfulness: How Mindfulness Became the New Capitalist Spirituality”, publicado em 2019, descreveu como algumas práticas se “divorciaram” de ensinamentos budistas originais de altruísmo.

Thomas Joiner, professor de psicologia na Florida State University e autor de  “Mindlessness: The Corruption of Mindfulness in a Culture of Narcissism”, é igualmente enfático. Ele diz que as práticas budistas foram pervertidas em um mecanismo de glorificação pessoal.

Esses e outros estudos sugerem que alguns benefícios podem ter sido superavaliados e que os defeitos da técnica, de alguma forma, podem ter sido menosprezados. Como, por exemplo, o fato de que algumas pessoas podem ter experimentado aumento de quadros de ansiedade e ataques de pânico. Pasme! Portanto, exija transparência, ela é muito importante, já que também existem inúmeras técnicas de mindfulness que promovem, SIM, o aumento da compaixão, altruísmo, amor próprio e tantos outros benefícios. 

Nessa linha, Tania Singer, diretora do Max Planck Institute for Human Cognitive and Brain Sciences em Leipzig, Alemanha, forneceu, em um monitoramento de muitas sessōes durante um período de 9 meses, algumas das evidências mais fortes sobre os diversos efeitos de diferentes técnicas (a detailed nine-month trial). Nas sessōes, os participantes completaram exercícios com intenção de melhorar a “presença”, como o mindful breathing, bem como técnicas de “loving kindness meditation”, onde encontravam-se envolvidos pensamentos sobre o nosso senso de conexão com os outros, tanto amigos como total desconhecidos. Também foi avaliada a capacidade de mindful listening – capacidade de escutar “o outro”.

Como resultado, Tania observou que houve um aumento significativo na resposta ao estresse. (biggest reduction in people’s stress responses).“Você aprende não apenas a escutar enfaticamente, mas também a assumir sua própria vulnerabilidade.”

Tendo em vista todas as controversas, tudo não é absolutamente preto no branco e, em se tratando da nossa mente/corpo que, são  o nosso templo pessoal, é preciso cautela.

Procure técnicas que funcionam para você, mas duvide de soluçōes rápidas e milagrosas. Pesquise criteriosamente a qualidade dos métodos de autoconhecimento e autocuidado, os prós e os contras, antes de escolher os mais adequados para você. E seja feliz, nunca foi tão urgente!

David Robson é autor do “The Intelligence Trap: Why Smart People Make Dumb Mistakes”. @d_a_robson on Twitter.

@karencoutooficial é palestrante e consultora online. É pós-graduada em Gastronomia Funcional e escritora. Seu livro “Você Pode Ser Mais Feliz Comendo” foi nominado melhor livro do ano pela revista ”Prazeres da Mesa”.  Nele, ela oferece soluções saudáveis, aborda  o tema saúde de forma integral: autoconhecimento com harmonia e bem-estar para você atingir o seu verdadeiro propósito. Instagram @karencoutooficial e @bbeeclean por um mundo mais limpo.