Leticia Colin sobre prostituição: “violência acontece quando não se legaliza a profissão”

A Rosa da novela "Segundo Sol" estreia como capa de uma revista de moda na Harper's Bazaar

by Luciana Franca
Leticia Colin veste Ellus - Foto: Bob Wolfenson, com edição de moda de Luis Fiod e beleza de Robert Stevão

Leticia Colin veste Ellus – Foto: Bob Wolfenson, com edição de moda de Luis Fiod e beleza de Robert Estevão

O carão capturado pelas lentes de Bob Wolfenson chama a atenção. Mas logo a beleza de Leticia Colin se dissipa pelo estúdio e o que fica, ao longo daquele domingo, é a intensidade da atriz em sua primeira capa para uma revista de moda – ela estará na edição de setembro da Bazaar Brasil, que começa a chegar às bancas no dia 3.

Ela está absorvida, disponível e entregue aos profissionais que a rodeiam. Leticia está totalmente presente naquele novo papel de cover girl. Essa primeira impressão – que é a que fica – atesta o sucesso de sua Rosa em horário nobre. A atriz mergulhou fundo para trazer à tona a garota de programa que roubou a cena em “Segundo Sol”, novela da Rede Globo.

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Letícia Colin veste Ellus - Foto: Bob Wolfenson, com edição de moda de Luis Fiod e beleza de Robert Stevão

Letícia Colin veste Ellus – Foto: Bob Wolfenson, com edição de moda de Luis Fiod e beleza de Robert Estevão

Para sair da pele da Leopoldina na novela de época “Novo Mundo” e dar vida à Rosa do autor João Emanuel Carneiro, devorou o livro “Teoria King Kong”, da cineasta francesa Virginie Despentes - “ela foi estuprada, foi garota de programa, me chacoalhou. A obra fala da relação de poder da sexualidade como um lugar da mulher em que ela não está subjugada ao homem, a prostituição é uma troca muito clara: você sabe que vai pagar e que vai receber um serviço. E que não existe essa polarização da mulher, da que é submissa, dona de casa ou prostituta. A mulher tem uma sexualidade livre, que é líquida, que é para si, ela tem prazer, ela tem a vida dela” –; visitou a Vila Mimosa, rua de prostituição “mais crua e precária” no Rio; e ouviu confidências de garotas de programa de luxo.

Se as palavras escritas por Virginie mexeram com a atriz, sua personagem na TV parece fazer o mesmo com o público. “É uma prostituta que as pessoas gostam – olha que lindo! -, é um desmonte de pensamentos. É um momento novo que a gente está vivendo, de menos julgamento, de mais liberdade”, diz sobre a recepção nas ruas.

Letícia Colin veste Ellus - Foto: Bob Wolfenson, com edição de moda de Luis Fiod e beleza de Robert Stevão

Letícia Colin veste Ellus – Foto: Bob Wolfenson, com edição de moda de Luis Fiod e beleza de Robert Estevão

No entanto, reconhece que a vida fora da ficção ainda é muito difícil. “Por que a gente marginaliza essas mulheres, expondo-as à violência? Isso acontece quando não se legaliza a profissão, não acolhe, julga, chama de certos nomes, aponta o dedo na cara… As mulheres estão aí sendo violentadas, abusadas, exploradas. Esse é o problema, marginalizar e abandonar, e a prostituição continua sendo feita. A gente tem de lidar com o que acontece e não com o que seria em um mundo ideal, como se nada disso existisse”, defende.

Letícia Colin veste Ellus - Foto: Bob Wolfenson, com edição de moda de Luis Fiod e beleza de Robert Stevão

Letícia Colin veste Ellus – Foto: Bob Wolfenson, com edição de moda de Luis Fiod e beleza de Robert Estevão

Para Leticia, a composição de uma personagem é total: corpo, voz, pensamento, coração. E ela passou a malhar com afinco, de quatro a cinco vezes por semana, e se alimentar melhor para chegar ao corpo mais atlético e mais magro. “As prostitutas luxo têm o shape próximo dessa beleza padrão, que a gente até questiona, comprometida totalmente com o físico. É um atrativo, valoriza o próprio trabalho, então, fui atrás disso”, conta ela, que aparece com frequência de lingerie em cena.

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