Foto: Reprodução/Instagram
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Sound designer número um entre os fashionistasMichel Gaubert é o favorito do diretor criativo da Louis VuittonNicholas Ghesquiére, desde a época da Balenciaga. Querido também de Karl Lagerfeld e de vários outros designers, o cara que também é responsável pelas compilações musicais da Colette em Paris. Já no Rio para o desfile da cruise collection da casa francesa, que acontece no dia 28, ele conversou com o nosso editor at large, Dudi Machado, na piscina do Fasano carioca, onde está hospedado.

Michel Gaubert é o cara das trilhas na moda desde 1978, conhece e é conhecido de todos e além de ter um Instagram dos mais divertidos, fenômeno entre os fashionistas.

DM – Conte um pouco  sobre como foi o processo de criação da trilha pra este desfile da Louis Vuitton.
MG – Começamos eu e Nicolas a discutir sobre este desfile em março. Quando soube que a locação ia sera qui, no MAC, já começei a ter ideias. Esse é um dos meus prédios favoritos de Niemeyer. Sou super interessado em arquitetura, especialmente no modernismo brasileiro, e eu diria que de uma certa maneira Nicolas também é um modernista, então fez todo o sentido pra mim. Trabalhamos juntos desde 1998. Ele me explicou sobre a coleção, as roupas, o mood, a hora do dia em que o show vai ser, etc., etc.
DM – E o que você pode adiantar sobre a trilha de sábado?
MG – Obviamente isso é uma surpresa! Mas posso te dizer que vai ser super Ghesquière, um toque futurista aí.
DM – Influencia de Bossa Nova?
MG – Não! Não quero fazer um cartão-postal. Usar as referências óbvias. Você vai ver, vai fazer sentido….
DM – Mas você gosta de música brasileira?
MG – Adoro! De tudo de vários períodos. No momento descobri Ney Matogrosso e os Secos e Molhados, estou adorando. Comecei a ouvir o funk das favelas há dez anos, fiquei louco! Também adoro a voz do Caetano, acho linda. Já fui a uma quadra de escola de samba, mas nunca no carnaval, adoraria vir.
DM – E o que Michel Gaubert está escutando agora?
MG – Ultimamente tenho gostado muito de tudo que está derivado do Hip hop e do R&B. Kelela é uma das minha favoritas no momento, seu último disco é muito bom. Também gosto desse cara, o Kingdom. Pra música eletrônica, gosto do Andy Sttot.
DM – Qual a tendência pra música agora?
MG – A música é como a moda agora. Não existe uma tendência, o que interessa é a mistura que você faz. Por exemplo, adoro uma música do novo disco do Radiohead, mas não gosto de tudo, e estou adorando Secos e Molhados. Então é assim, entende?
DM – E o melhor lugar pra dançar hoje em dia? A melhor pista?
MG – Quando estou em Paris, dependendo do Dj, Les Gibus pode ser bem divertido. Hoje não é mais o club que faz a noite e sim o Dj ou a festa, que são normalmente itinerantes. Tem uma festa chamada Manergy que também é legal. Eu conheço a turma da Selvagem aqui no Brasil, eles são legais também.
DM – O que você mais escuta?
MG – Radio na internet é meu negócio agora pra ouvir música.
DM – Seu Instagram é super popular entre os fashionistas, como funciona isso pra você?
MG – Não é sobre ser um bom fotógrafo. A maioria de fotos é de imagens que eu gosto, que coleciono. Faço como um diário e uso as imagens como ilustrações. As imagens e as legendas dão o tom da coisa, que sempre tem humor. Eu comecei treinando no Facebook. Música e imagem são a mesma coisa pra mim, coloco música pra criar uma imagem. Gosto de misturar coisas que aparentemente não tem nada a ver uma com a outra, não tem receita, é meu instinto. Adorei a barraca Guaraviton na praia de Ipanema. Pimba, criei a hashtag perfeita pro Rio #GuaraVuitton​.

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