Lissa Carmona - Foto: Andrés Otero
Lissa Carmona – Foto: Andrés Otero

Lissa Carmona cresceu rodeada por arte. Filha da designer Etel Carmona, fundadora da marca que leva seu nome, ela conta que a casa era o espaço de criação da mãe. “Os talheres eram de prata, tinha um pano diferente na mesa. Chegava um dia, ela cortava a mesa e pintava de outra cor.”

Apreço pela cultura é algo que Lissa carrega no DNA, e seria natural que aquela criança cheia de “bossa”, como brinca, seguisse o caminho da criatividade.

No entanto, o começo foi diferente. Queria trabalhar com diplomacia, viver pelo mundo, falar muitas línguas. Cursou Administração de Empresas na FGV, em São Paulo. “Sou pragmática, business woman. Por outro lado, tinha esse viés artístico”, diz ela, que trabalhou no primeiro private bank do Brasil.

Quando o convite para atuar na empresa da família chegou, ela se preparava para cursar MBA na Califórnia. “Minha mãe fez uma feira de design em Nova York com a Claudia Moreira Salles, em 1993. Ela me procurou e disse: ‘Sei que você trabalha no banco, mas me ajuda a fazer essa feira? Depois você volta e pensa’.”

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Loja da Etel em Milão - Foto: Divulgação
Loja da Etel em Milão – Foto: Divulgação

A experiência deu certo. Lissa mergulhou de cabeça nos negócios da Etel. Uniu a paixão pela arte e história com a expertise administrativa, e se tornou sócia da mãe. “Fizemos outra feira, em 1996, depois em 1998, e a coisa foi.”

Há mais de 20 anos como CEO da Etel, é uma das figuras responsáveis pelo reconhecimento do design brasileiro. “Levei a marca para o mundo e criamos uma metodologia de reedição de peças de design autoral que ainda é única”, conta.

Sua loja vende mobiliário modernista, assinado por nomes como Paulo Mendes da Rocha, Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi, entre outros, como também a produção contemporânea. Os lançamentos são divididos em três pilares: passado, presente e futuro. “O passado são as reedições de peças que já existiram, que vão até 1980. Elas são editadas e numeradas. Já o presente é formado por designers de nome consistente: Isay Weinfeld, Claudia Moreira Salles, a própria Etel, Arthur Casas, entre outros. E futuro é a nova geração, criativos que trabalham e pensam o agora”, conta.

Loja da Etel em Milão - Foto: Divulgação
Loja da Etel em Milão – Foto: Divulgação

O sonho de viver em trânsito não ficou tão distante. No último mês, Lissa fez 18 voos. Sua agenda não para. “Tenho contatos excelentes com embaixadores do Brasil ao redor do mundo”, diz. Há um ano, mantém uma sede da Etel em Milão, o que só aumentou as viagens.

Participa de feiras de arte, como Basel, na Suíça, tem relacionamento com instituições de ensino, ministra cursos sobre design, comissiona edições de livros, integra comitês em museus e é convidada para conferências em diversos países (a última foi no Líbano). “Quando você fala de arte, design e arquitetura no Brasil, acham que é só a parte criativa e social. Mas a administrativa é importantíssima”, afirma.

O banco Pensil - Foto: Divulgação
O banco Pensil – Foto: Divulgação

“Sou de uma geração que transita pela cultura e percebeu que esse mundo precisa de um lado empresarial. E, ainda assim, ele não deixa de ser divertido e atrativo. Você precisa ser curioso, ir atrás das coisas.”

Seu estilo pessoal também traduz sua versatilidade. No closet, mistura o menos óbvio, como Zadig & Voltaire, com peças de Celine e Paula Raia. “Quando vou a um evento público, faço questão de prestigiar uma marca brasileira.”

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