Area: o que as celebs usariam do verão 2021
Area – Foto: Divulgação

Mesmo estando em 2021, ainda é difícil olhar para um desfile e encontrar corpos que se comuniquem com a realidade de diversas pessoas: gordos, com curvas e volumes que a maioria dos designers fecham os olhos para não enxergar. Quando falamos de alta-costura, o cenário fica ainda pior.

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Um dos eventos mais clássicos, caros e elegantes do universo da moda não pode fugir dos padrões que ele mesmo criou – afinal, se por tantos anos esses corpos não ocuparam esse espaço, por que ocupariam agora? E é por isso que temporada atrás de temporada isso não mudou.

Talvez o evento fale muito sobre os clientes a quem é destinado. Você pode pensar que não existem no mundo pessoas que gastariam mais de 10 mil euros em uma peça de roupa, mas elas somam mais de 4.000 clientes mundiais. São, em sua maioria, mulheres que colecionam peças de roupas feitas sob medidas para seus corpos que são, adivinhem, magros.

Não se iluda achando que elas têm alguma força de vontade superior à sua quando o assunto é se manter magra – elas apenas têm mais condições para isso. Dietas restritivas, personals, cirurgias e entre outras técnicas são os caminhos usados para que elas permaneçam como são: magras.

Chanel, alta-costura de verão 2021 – Foto: Divulgação

Mas 2021 pode ser o sinal das mudanças. Marcas como Chanel, Alber Elbaz e Area abriram suas portas para modelos representarem o que milhares de pessoas queriam ver em suas casas: ali também é nosso lugar.

Pode parecer pouco, mas depois de cobrir alguns anos do evento, ver Jill Kortleve, Precious Lee e outras garotas como eu usando as roupas que permeiam meu imaginário é um sopro de ar fresco em um mar de pressões estéticas. Este é o poder da representatividade.

Os destaques do retorno de Alber Elbaz para as semanas de moda
Foto: Divulgação

Há um longo caminho ainda para ser percorrido, mas saber que nossos corpos estão começando a se tornar destaque e – mais do que isso – sendo valorizados por roupas que os abracem é uma vitória. São anos e anos de gordofobia e o caminho para quebrarmos este padrão ainda é muito longo. Lutemos!