A empresária Mariana Campos – Foto: Divulgação

Mariana Campos é diretora artística do núcleo LGBTQIA+ da Mynd, agência brasileira de marketing de influência. Entre seus clientes, ela administra nomes como Pabllo Vittar, Majur e Pepita, nomes que já são um sucesso. Bazaar bateu um papo com ela sobre a iniciativa pioneira neste mercado. Leia na íntegra:

Como nasceu a ideia de criar um núcleo específico para artistas LGBTQIA+?

A artista Pabllo Vittar – Foto: Ernna Costa/Divulgação

Desde o começo da Mynd, há quatro anos, o núcleo já foi criado. A Preta Gil é uma das sócias e no dia 1 já sabíamos que seríamos uma agência que levantaria bandeiras. E nossa primeira agenciada foi a Pabllo Vittar. A Preta já a conhecia do Carnaval, depois a encontramos em São Luís. Nesta época não existia nem o nome Mynd! E não é apenas o público LGBTQIA+. Levantamos discussões sobre questões raciais, sociais e também de corpos livres. Não é um discurso apenas. Estamos aqui para mudar a vida dos artistas.

E como vocês escolhem os artistas?

A artista Pepita – Foto: Divulgação

Tem uma questão de afinidade. A Pepita, por exemplo, conhecemos em um show da Pabllo e foi amor a primeira vista. Você só precisa de cinco minutos para se apaixonar por ela. A Pepita tem um sabedoria imensa. Vimos o potencial dela e investimos nisso. Hoje as marcas a contratam não apenas por ser uma travesti, mas por ter uma voz importante na internet. Nós a vendemos o ano inteiro, não só no mês do orgulho gay.

Qual é a diferença que faz o agenciamento destes artistas no mindset?

Quando nomes como Pabllo, Aretuza Lovi e Pepita ganham projeção nacional e visibilidade, isso gera uma onda de representatividade. É muito importante ter estas artistas com o governo que o Brasil tem hoje. Os ataques não pararam: tem muito amor e tem muito ódio também. Mas cada dia que passa, fazemos com que a nova geração venha sem esse preconceito, aceitando que todo mundo tem o seu espaço.

Como está a cabeça das marcas mais tradicionais sobre o seu núcleo?

Nesta pandemia houve uma mudança muito grande. As marcas passaram a ter um olhar mais criterioso sobre marketing digital. E tem as pesquisas, que não mentem: um dos maiores grupos de consumidores hoje é o público LGBTQIA+, não tem como negar. É importante ter estas pessoas dentro das marcas, é uma questão de identificação, que vai fazer com que um consumidor escolha a marca A, e não a B. Vou dar um exemplo: a Amstel (marca de cerveja) fez pela primeira vez uma campanha anual com sete artistas do nosso núcleo. A Calvin Klein também fez uma campanha global com a Pabllo, mas sem falar de “pride”, que rodou o mundo.

Você acha que o mercado de beleza está mudando?

A artista Majur – Foto: Divulgação

Sim, está. Cada dia é mais normal a gente ver no Instagram um homem passando base, por exemplo, e isso não significa que ele é homossexual. Hoje é sobre ficar mais bonito, é um empoderamento. Qual é o problema de um homem passar um corretivo na olheira, ou passar um esmalte? A nova geração já está vendo esse movimento de beleza masculina de forma bem diferente. No final das contas, todo mundo gosta de ficar mais bonito!