Foto: Cassia Tabatini, com direção criativa de Camila Bossolan, edição de moda de Rodrigo Yaegashi e Stephanie Bekes Camargo, beleza de Liege Wisniewski, agradecimento Nilta Perucas, manicure Rose Luna, produção executiva Bruno Uchôa e tratamento de imagen VW Retouch

Por Patricia Carta

Mês de março, mês da mulher. A tempo de amarrar a edição que, obviamente, já tinha um conteúdo engajado, fui surpreendida por um convite da Hering, que reforçava a data. Tratava-se de encabeçar um movimento para pôr abaixo o termo tomara que caia e substituí-lo por blusa sem alça a partir de agora.

Como nunca pensamos no teor dessa expressão? Que vergonha! Só no Brasil, strapless, como se diz em inglês, recebia essa tradução infame e sexista, como bem me alertou Jackson Araujo, analista de tendências.

Redação em alvoroço, iniciamos a operação. Mariana Ximenes seria um bom nome. Ela estreia uma novela neste mês, na qual interpreta uma mulher à frente de seu tempo. Mas não só. Mari é plural. Empresária, atriz, produtora. É um exemplo de determinação. Esclarecida, usa sua voz para defender causas em que acredita sem medir esforços. Tanto que cedeu um dia de folga para o ensaio, que você vê na edição da Bazaar, que chega nesta terça-feira (03.02) às bancas.

Foto: Cassia Tabatini, com direção criativa de Camila Bossolan, edição de moda de Rodrigo Yaegashi e Stephanie Bekes Camargo, beleza de Liege Wisniewski, agradecimento Nilta Perucas, manicure Rose Luna, produção executiva Bruno Uchôa e tratamento de imagen VW Retouch

Para a capa, ela dá uma senhora cruzada de pernas porque assim quis. Ainda bem que os tempos são outros. Lembra da emblemática cena de Sharon Stone no filme “Instinto Selvagem”, na qual ela tinha uma interpretação poderosa, e fetichista? A atriz americana foi julgada por isso durante anos. Ter tirado a calcinha para fazer a cena, a pedido do diretor, rendeu muito pano pra manga e, por um bom período, Sharon não passou de uma piada.

Mariana Ximenes usa casaco Stand Studio na NK Store, brincos Ana Porto e colar Louis Vuitton – Foto: Cassia Tabatini, com direção criativa de Camila Bossolan, edição de moda de Rodrigo Yaegashi e Stephanie Bekes Camargo – Foto: Cassia Tabatini, com direção criativa de Camila Bossolan, edição de moda de Rodrigo Yaegashi e Stephanie Bekes Camargo, beleza de Liege Wisniewski, agradecimento Nilta Perucas, manicure Rose Luna, produção executiva Bruno Uchôa e tratamento de imagen VW Retouch

Hoje, isso jamais seria aceito; o discurso mudou. Está claro que o corpo é nosso e a gente faz o que quer com ele. Portanto, nada mais oportuno que criarmos consciência e reforçarmos essa mudança, também por meio de terminologias adequadas. Tomara que caia de uma vez por todas, e o quanto antes, qualquer juízo de valor sobre as nossas escolhas.

Leia abaixo um trecho da entrevista da atriz Mariana Ximenes ao editor de cultura da Bazaar, André Aloi:

Mariana Ximenes, 38 anos, se entrega, de corpo e alma, àquilo em que acredita. Taurina, é um ser social por natureza: com a mesma estirpe, viaja pelo sertão baiano, de barco pela Amazônia ou vai a algum destino inóspito. Nada é um perrengue. Tem classe, sem nariz empinado. Circula bem: de galeria de arte a shows – ela respira música. Não nega um rasante na Lapa nem um pulo em uma escola de samba.

Vestido ombro a ombro Dolce & Gabbana, brincos Brennheisen, meias Lupo e sapatos Louis Vuitton – Foto: Cassia Tabatini, com direção criativa de Camila Bossolan, edição de moda de Rodrigo Yaegashi e Stephanie Bekes Camargo, beleza de Liege Wisniewski, agradecimento Nilta Perucas, manicure Rose Luna, produção executiva Bruno Uchôa e tratamento de imagen VW Retouch

Por muito tempo, morou no Rio. Há pouco retornou à natal São Paulo. Vive na ponte aérea devido às gravações de “Nos Tempos do Imperador”, nova novela de época na Globo. Da agenda brotam compromissos sem esquecer os amigos e o namorado, o músico Felipe Fernandes.

Topa, em um domingo, fotografar. É dia de Oscar na TV, fez bolão e tem seus preferidos, com direito a defesa. Quando acredita, nada a segura. É amiga leal, que acolhe de braços e ouvidos abertos. A cover girl é mutável e perfeccionista. Inclusive neste ensaio, que teve caras, bocas e cabelos mil.

Top Paula Raia, calça Saint Laurent por Anthony Vaccarello, brincos Bottega Veneta e sapatos Louis Vuitton – Foto: Cassia Tabatini, com direção criativa de Camila Bossolan, edição de moda de Rodrigo Yaegashi e Stephanie Bekes Camargo, beleza de Liege Wisniewski, agradecimento Nilta Perucas, manicure Rose Luna, produção executiva Bruno Uchôa e tratamento de imagen VW Retouch

Emula personagens que lutam pelo que acreditam. Linda, leve e solta. Mari é consciente. Só entra em cena para ganhar. Topou estampar nossa capa com um movimento proposto pela Hering: abolir um termo sexista da moda. A partir de agora, a peça que dá o tom a este ensaio chama-se blusa sem alça. Tomara que caia? Só mesmo o sexismo.

“Acho interessante como alguns termos que eram muito usados, a gente está tomando consciência de que não podem ser mais usados. A gente tem que reciclar nosso olhar. E o tomara que caia é um (deles)… É importante a gente olhar para todos esses termos, para o pensamento novo. Acho que a gente tem que procurar ter uma sociedade mais igualitária, com mais respeito pela diversidade, com acolhimento e é respeito. Respeito é bom e a gente gosta, é necessário”, defende a atriz.

Na vida real, Mari se inspira em mulheres de verdade, como Michelle Obama, Cate Blanchett, Fernanda Montenegro, Elza Soares, Rita Lee e – por que não? – Greta Thunberg, jovem de 17 anos, que vem levantando a voz em defesa do meio ambiente. Marielle Franco? Presente! Marixi, como aparece nas redes, se autointitula mulher “contemporânea, que cuida da casa, divide os cuidados e faz de tudo um pouco”.

Casaco Stand Studio na NK Store, blusa sem alça Hering, brincos Ana Porto, colar Louis Vuitton, meias Lupo e sapatos Gucci – Foto: Cassia Tabatini, com direção criativa de Camila Bossolan, edição de moda de Rodrigo Yaegashi e Stephanie Bekes Camargo, beleza de Liege Wisniewski, agradecimento Nilta Perucas, manicure Rose Luna, produção executiva Bruno Uchôa e tratamento de imagen VW Retouch

Ama trabalhar e o ofício de atuar. É importante, para ela, ter voz e, sobretudo, liberdade para se expressar. Ela brada: “Sou feminista”. E não tem medo da patrulha do cancelamento. Sua fórmula é ser consciente e ter bom senso. Só não pode deixar de se posicionar. Se a causa importa, vai em passeata e tudo. Mari se engaja. Já participou do festival #AgoraÉQueSãoElas, de Antonia Pellegrino, e promove encontros de mulheres para troca de conhecimento.

“Sempre tento me engajar nas causas que acredito. Causas ambientais são urgentes, participei de uma campanha de Mariana – e dois anos depois refiz, fui no exato local onde aconteceu (o crime ambiental). Usar nossa voz para tentar chamar atenção para causas importantes, como as causas da amazônia. Marielle é uma causa urgente. O legado que ela deixa, a gente vai ter que continuar com ele”, lembra.