Lea T - RG - Olimpiada
Foto: Revista Rg

Faltando apenas poucos dias para o começo das Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro, a modelo Lea T anunciou, em entrevista à BBC Brasil, que se juntará a Gisele Bündchen, Anitta, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Elza Soares na festa da abertura dos jogos.

Com o intuito de levantar a bandeira da diversidade de gênero, a modelo será a primeira mulher transexual a participar em posição de destaque na cerimônia criada em 1896. Fazendo mistério, a assessoria contou com exclusividade à Bazaar que o convite veio há três meses.

Foto: Reprodução/Instagram
Foto: Reprodução/Instagram

“Não posso falar nada ainda, precisamos manter a surpresa. Mas a mensagem será muito clara: inclusão. Todos, independente de gênero, orientação sexual, cor, raça ou credo, somos seres humanos e fazemos parte da sociedade. Meu papel na cerimônia, num universo micro e representativo, ajudará a transmitir esta mensagem”, diz ela a BBC.

Ícone da indústria, Lea desfila nas passarelas mais requisitadas do planeta e, inclusive, foi um das poucas celebridades brasileiras a serem entrevistadas por Oprah Winfrey. Provando o seu poder, a modelo foi eleita em 2015, pela Forbes, uma das 12 mulheres que mudaram a moda Italiana, ao lado de Miuccia PradaSilvia Venturini Fendi.

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“Neste momento em que o Rio de Janeiro e o Brasil serão apresentados ao mundo, é imprescindível que a diversidade esteja presente. O Brasil é muito vasto, e toda essa diversidade precisa, de alguma forma, ser representada em um evento como esse. Foi justamente isso que me motivou a aceitar o convite para participar da cerimônia de abertura”, revela.

“A falta de conhecimento provoca o medo, e o medo leva ao ódio. O primeiro passo é compreender e se aproximar dessa realidade, se aproximar do outro”, conta sobre os índices altos de ataques contra LGBT+.”As pessoas precisam começar a perder o medo de aproximação desses grupos e entender que eles podem ter uma vida próxima às suas, seja no banco da escola, em cargos de liderança, ou em qualquer profissão”, acrescenta.

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Antes de passar pela readequação de gênero, a modelo revelou ter sofrido resistência de seus familiares. Desemparada, ela confessou que se questionou sobre a possibilidade de se prostituir. Nesta fase de sua vida ela procurou seu amigo, Riccardo Tisci, diretor criativo da Givenchy, que a colocou no mundo da moda.”Ver Lea desse jeito me destruiu. Tive que ajudá-la de alguma maneira, por isso resolvemos colocá-la em nossa campanha inverno 2010″, revelou o estilista à imprensa.

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“Não sou contra a prostituição. Cada um pode fazer o que bem entende com seu corpo. A questão é que essa é a única forma de sobrevivência que se apresenta, em muitos casos, para as transexuais não apenas no Brasil, mas em todo o mundo”, explica.

Foto: Reprodução/Instagram
Foto: Reprodução/Instagram

Desde 2003, a Comissão Médica do Comitê Olímpico Internacional (COI) permite que atletas transexuais participem dos jogos na categoria de seus gêneros readequados, mesmo quem não tenha se submetido a cirurgia. “É necessário garantir que, ao máximo possível, os atletas transexuais não sejam excluídos da oportunidade de participar de competições esportivas. Requerer mudanças anatômicas cirúrgicas como uma pré-condição para a participação não é necessário para preservar a competição justa e pode ser inconsistente com as noções e legislações de direitos humanos em desenvolvimento”, opina sobre o ato que não possui valor de regra, e sim de recomendação.

“Infelizmente parece que não há atletas transgêneros que tenham se classificado para os Jogos deste ano. Apesar disso, já é uma esperança para a comunidade e uma forma de inclusão”, conta com pesar sobre a falta de espaço para atletas transgêneros.

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