Monique Alfradique usa look total Louis Vuitton, segunda pele de acerve e óculos Max&Co. da Marcolin Eyewear – Foto: Adriano Dmas, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Liege Wisniewski e tratamento de imagem da Vetro Retouching

Monique Alfradique é uma das capas de agosto. A atriz, apresentadora e produtora cultural de 35 anos separou um domingo frio e ensolarado de julho para estar com a equipe da Bazaar e compartilhar o que prepara – e o que pensa – para os próximos meses.

Comandante do reality show culinário “Mestre do Sabor” (Rede Globo), a artista de Niterói dá os primeiros passos como apresentadora no segundo ano consecutivo na atração e já sonha com um programa para chamar de seu. “Seria um super desafio, mas eu toparia, sem dúvida. Imagino que um programa para eu comandar seria algo mais descontraído, talvez sobre relacionamentos”, contou, animada, entre uma golada de café bem adoçado e uma enrolada de baby liss.

Viveu a jovem insegura Glória em “Deus Salve o Rei”, sua última novela com personagem fixo, e se preparava para estar no elenco de “Além da Ilusão”, a estreia de Larissa Manoela na emissora carioca, mas foi uma das recentes baixas por falta de datas. “Não sigo confirmada porque tenho outro projeto que encavalou”, disse, adiantando que vem por aí. “Farei um sitcom. Não posso falar muito sobre ele e nem de onde é”, completou.

Não é nenhuma novidade que Monique arrasa, também, fora da televisão. Com um currículo extenso no cinema e quase duas dezenas de espetáculos no teatro, o momento profissional da atriz é focado nestas duas artes: ela estreará três novos longas-metragens no próximo um ano e meio e está ansiosa para rodar o Brasil na turnê do monólogo “Como ter uma vida quase normal”. “É uma entrega, um amor de estar ali no palco. Me sinto tão plena”.

Vivendo o luto da perda do amigo e colega de profissão, Paulo Gustavo, que faleceu aos 42 anos em decorrência de Covid-19, Monique não pestaneja ao dar a sua opinião sobre o governo de Jair Bolsonaro (sem partido). “Insatisfeita e revoltada, assim como todos. Acho que nossas perspectivas são muito desanimadoras”, afirmou.

Ademais, a atriz contou dos meses que passou na casa dos pais, da rotina de yoga e meditação e ainda adiantou se vai – ou não – desfilar no Carnaval 2022. Leia a entrevista na íntegra abaixo.

Monique Alfradique usa look calça Dolce & Gabbana, óculos Max&Co. da Marcolin Eyewear e luvas Moun – Foto: Adriano Dmas, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Liege Wisniewski e tratamento de imagem da Vetro Retouching

Recentemente, você esteve desde maio no ar como apresentadora e repórter na terceira temporada do reality show culinário “Mestre do Sabor”, na Rede Globo. Qual o seu balanço sobre a temporada?

Neste segundo ano de pandemia, fico muito feliz de termos conseguido fazer a terceira temporada, principalmente em um ano tão difícil onde muitas pessoas ficaram sem trabalhar. É uma honra poder continuar fazendo meu ofício de entreter, de divertir e tentar passar um respiro em um período tão difícil que estamos vivendo por meio de um programa, que é tão bacana. O “Mestre do Sabor” dá muitas oportunidades para os chefes. Ele valoriza a gastronomia brasileira e é muito rico de cultura, porque os participantes veem de diversas regiões diferentes do Brasil com uma culinária muito rica – às vezes, com condimentos e temperos que a gente nem conhecia. Também temos o papel de mostrar a representatividade feminina dentro da cozinha, que é muito relevante e bacana.

Você chega a acompanhar o que o público comenta e fala de sua performance como apresentadora – principalmente, no Twitter? Você vai atrás desse feedback?

Não, não vou atrás, mas rola muito bem essa troca, mas acontece muito uma troca intensa entre eu e meus seguidores no Instagram. É legal ter essa troca e é bem importante porque fazemos para eles, né? Obviamente, temos que filtrar tudo o que chega até nós, mas é interessante e importante. O que eu mais recebo [sobre o reality culinário “Mestre do Sabor”] é as pessoas perguntando se eu provo todos os pratos. Eles acham que eu como tudo, é divertido demais. E eu não como – os jurados comem tudo!

Como você enxerga a evolução do programa como formato nestes três anos no ar? Acha que agora vocês sabem “mais” como fazer?

Acho que a gente vai aprendendo a cada tentativa. Isso com tudo na nossa vida. Vamos errando e acertando, né? Na primeira temporada, eu não estava, mas acho que o carro-chefe do programa é o respeito pelos participantes e a valorização de todos os pontos positivos que temos nos pratos. É para motivar e tornar aquela competição um ambiente gostoso e agradável, motivando cada participante para que a pessoa melhore e se supere a cada prova. As provas estão cada vez mais elaboradas e criativas, fazendo com que tenha mais tensão e torne o programa mais interessante. Confesso que eu mesma, quando vejo editado, me dá um frio na barriga e me emociono com os depoimentos deles. É realmente uma superação a cada programa.

E ainda falando de evolução, o seu eu – o da Monique Alfradique como apresentadora – evolui nestes dois anos?

Sem dúvida nenhuma que evoluiu, sim. Foi a minha primeira experiência como apresentadora e, logo no mesmo ano da segunda temporada, criei um programa ao vivo de entrevistas que rolava toda quinta-feira no meu Instagram. Sempre tinha um convidado famoso e, em seguida, um especialista em determinado assunto. Isso era bacana porque eram entrevistados com perfis diferentes e fazia questão de fazer o roteiro da entrevista, tomava a frente de tudo, e isso me ajudou para o “Mestre do Sabor”.

Você se sente preparada para ter um programa seu, quem sabe? E como você imagina ele?

Seria um superdesafio, mas eu toparia, sem dúvida. Um desafio bem bacana. Eu imagino que um programa para eu comandar seria algo mais descontraído. Talvez algo sobre relacionamentos. Algo que eu fique livre porque precisamos saber seu papel em cada projeto. No “Mestre do Sabor”, é muito direto e comunicar sobre como são as provas. Não posso nem titubiar e nem fazer uma graça, até porque, é um momento de tensão para os participantes. Então, para eles é algo direto. Mas, ao mesmo tempo, eu comando as lives todas as sextas-feiras no Instagram do programa com o eliminado da semana e é mais descontraído. É bacana porque consigo desempenhar estes meus dois lados.

Monique Alfradique usa sutiã e saia Dolce & Gabbana e segunda pele Intimissimi – Foto: Adriano Dmas, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Liege Wisniewski e tratamento de imagem da Vetro Retouching

Falando agora sobre o seu lado atriz, seu nome chegou a ser confirmado para a trama “Além da Ilusão” da faixa das 18 horas na Rede Globo – que será a grande estreia de Larissa Manoela na emissora. Entretanto, o elenco teve algumas baixas. Você segue confirmada na novela?

Não, infelizmente, não sigo confirmada porque eu tenho outro projeto que encavalou. Na verdade, a gente tinha uma data para rodar agora. Com as paralisações por conta da pandemia e os atrasos necessários nas gravações, as datas acabaram batendo com outro projeto que eu já tinha fechado e, infelizmente, não poderei participar.

E este “outro projeto” é uma novela, o que é?

Não é novela. É um sitcom. Não posso falar muito sobre ele e nem de onde é.

Certo! Vamos falar de algo que você possa falar. Eu vi que você está com três longas metragens para sair, né? Até anotei os nomes aqui: “Virando à mesa”, “Reação em cadeia”e “Bem-vindo à Quixeramobim”. Queria saber um pouquinho deles!

O “Bem-vindo à Quixeramobim” eu gravei no fim do ano passado. Foram dois meses no sertão do Ceará e foi uma imersão muito interessante. Foi direção do Halder Gomes, que é cearense e fez “Cine Holliúdy”, e praticamente todo o elenco de lá. Por conta da pandemia e de todos os protocolos de segurança, não tinha como ficar indo e voltando. Fiquei outubro, novembro e começo de dezembro. A história fala sobre uma influenciadora digital que perde tudo e vai atrás das raízes da família no sertão para se reerguer. Foi muito interessante porque era o meu olhar também, sabe? Porque foi a primeira vez que fiz um trabalho imersivo de tanto tempo e fora do eixo Rio-SP. Foi importante demais para a construção da personagem. A direção dinâmica e superinteligente do Halder Gomes casou super comigo, a gente trocava maior bola, ele aceitava meus improvisos. Tivemos uma sintonia muito bacana.

E destes três filmes novos, você sabe quais vão para os cinemas e quais vão para o streaming?

A princípio, eu tenho a data só do “Virando à mesa”, que eu vivo uma stripper e garota de programa. Filmei ano passado e estrearemos dia 16 de setembro nos cinemas e depois vai para o streaming. O que gravamos no sertão vai ser ano que vem.

Falando agora de teatro, você está ansiosa para voltar a rodar o Brasil em turnê com o seu monólogo, “Como ter uma vida quase normal”?

Muito ansiosa, muito mesmo. Só fiz em São Paulo nos teatros Nair Bello e Folha. Já tínhamos turnê fechada no Rio de Janeiro e outras cidades já anunciando. Deu um aperto no coração, mas era necessário. Quero muito voltar porque tem um lugar especial no meu coração. Comecei minha carreira no teatro e amo. O texto é inspirado no livro da Camila Fender e da Jana Rosa, um amigo fez o texto e eu lapidei com humor e algumas histórias. Então, é um projeto especial porque não tivemos lei, fomos atrás de patrocínio. Foi na raça e no amor. Tem um valor muito significativo porque fazer teatro não é fácil, você não tem um retorno financeiro muito grande, mas é uma entrega, um amor de estar ali no palco. Me sinto tão plena no palco como atriz e poder contar a história que quero contar. É uma peça que fala sobre empoderamento feminino, faz refletir ao mesmo tempo que diverte.

E para encerrarmos o tópico sobre trabalho, você já sabe quando voltará a estar nas novelas?

Ainda não sei se posso falar sobre. Rolaram convites, mas o foco agora é cinema e teatro.

Look total Dolce & Gabbana – Foto: Adriano Dmas, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Liege Wisniewski e tratamento de imagem da Vetro Retouching

Agora falando um pouco da vida pessoal, como está sua vida amorosa? Tudo certo?

Minha vida amorosa está tudo bem, estou ótima. Namoro há três anos.

Demais! Queria tocar agora em um assunto que você pode se emocionar. Você e Paulo Gustavo eram grandes e bons amigos. Como está sendo enfrentar o luto deste amigo e grande artista e estrela para os brasileiros?

Eu ainda não acredito. Essa é a verdade. Sempre acho que vou acordar e alguém vai falar: “Não, foi mentira tudo isso”. O Paulo é muito vivo. Ele era muita vida. Um cara que cuidava de si e de todos e perdermos por não ter tido a oportunidade de se vacinar há tempo. Demoraram para negociar as vacinas. Então, assim, é difícil demais… Ele trazia muita alegria para quem estava ao redor dele e para quem, também, estava distante dele. Ele era muito talentoso. Pegava o texto quando a gente gravava “Vila”, do Multishow, ele lia e, às vezes, o texto estava divertido, mas, na boca dele, se transformava. Era um talento. Fora que ele era um coração enorme: ajudava as pessoas sem precisar de mídia, sem precisar provar nada para ninguém. Fazia bem para ele ver as pessoas bem. Fora que o ambiente de trabalhar com ele era maravilhoso. A gente se divertia tanto e ouso dizer que a gente se divertia mais nos bastidores do que em cena porque era tão bom estar junto dele. É inacreditável. Tenho uma relação muito forte com o Thales e com as crianças. Acho que ele vive um pouquinho em cada um: na mãe, Dona Deia; na irmã, Ju, que é muito ele. É ter perto essas pessoas que a gente sente a presença dele.

Pode nos contar algum momento muito único ou alguma mania, algo íntimo, que você e ele tinham?

Deixa eu me lembrar. Vivemos tantas coisas incríveis e legais. A gente fazia bullying direto um com o outro, um zoando o outro. Mas, ao mesmo tempo, era tão gostoso estar junto. A gente tinha crise de riso sempre. Ele amava conversar por vídeo e mandava sem parar, um atrás do outro. Ele tinha muito isso. Eu postava coisa no Instagram e ele vinha no meu direct me chamar de “Emília” por conta do blush que eu tinha passado. Era tudo tão bom.

Infelizmente, Paulo é um dos mais de 540 mil brasileiros que tiveram seus sonhos interrompidos em decorrência da Covid-19 e da falta de seriedade do governo federal em relação a pandemia com o atraso na compra de vacinas e o negacionismo. Depois de você ser abalada pessoalmente pela doença com a perda do seu amigo, como você avalia o Governo Bolsonaro até aqui? Qual sua opinião sobre isso?

Insatisfeita e revoltada, assim como todos. Acho que nossas perspectivas são muito desanimadoras. O que acho ruim é que, o momento que a gente devia se unir, está muito polarizado.

Para você, que é famosa há mais de 20 anos, como é lidar com aquela questão de, às vezes, você se sentir obrigada a falar de um assunto que você não domina, por exemplo, ou não é da sua vivência, mas o público meio que ‘exige’ um posicionamento seu. Como você enxerga tudo isso?

Antes de qualquer coisa, eu sou atriz e artista. Não sou analista política. É lógico que tenho minha opinião e posição, como o Monique, mas me sinto insatisfeita e revoltada com todas as questões que a gente vive. Mas eu prefiro lidar isso na minha vida pessoal, sabe? Como eu lido com as pessoas; como eu me posiciono; como eu voto; e não precisar desta exposição porque acaba polarizando e é um momento que a gente devia se unir.

Jaqueta Isaac Silva – Foto: Adriano Dmas, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Liege Wisniewski e tratamento de imagem da Vetro Retouching

Vimos que você passou um bom tempo na casa dos seus pais ano passado. Como foi esse momento de imersão com eles? Sentiu aquela coisa de voltar a morar com os pais de novo?

Depois que saí de casa dos 17 para os 18 anos, sempre tive uma vida muito corrida de trabalho. Lógico que Niterói é perto do Rio de Janeiro, mas com trabalho, teatro, viagens e outras demandas, eu ficava muito fora e longe deles. Quando os via, era só um dia. Jantava junto e pronto. Minha família é muito unida: eu, meu pai, minha mãe, minha irmã e minha avó materna. Claro que, hoje em dia, com a internet, a gente consegue se falar com facilidade por vídeo e mensagem, mas é diferente estar junto, né? E a pandemia trouxe isso. Essa pausa na vida foi um momento de estar muito com eles. Fiz várias coisas junto com a minha mãe: cozinhamos, dancinhas do TikTok. Foi muito incrível esse tempo com eles.

Que lugar a ioga e a meditação ocupam na sua vida, hoje em dia? Lemos que você descobriu durante os meses de isolamento que eles te faziam muito bem.

Comecei a praticar meditação quando estava ensaiando para o meu monólogo porque era um desejo muito grande que queria realizar e fiquei muito ansiosa. A primeira vez que tive a vontade de fazer um monólogo foi quando assisti um da Fernanda Torres que, para mim, é uma das melhores atrizes. Quando comecei colocar a mão na massa, eram mais de 35 páginas para decorar e interpretar eu sozinha, no palco. Comecei a carregar essa pressão. Quando estava perto da estreia, precisei ir atrás de algo para descarregar essa pressão porque senão não ia rolar. Foi nessa época, então, que dei o start na meditação porque sempre fui uma pessoa muito agitada, acelerada, fazendo mil coisas, juntando um trabalho no outro. Adoro treinar também, canalizo a minha ansiedade e dá uma outra energia para o meu dia. Meus primeiros passos na meditação foram com a meditação guiada, mas, hoje, já consigo fazer normal sem auxílio de nada. Paralelamente a isso, surgiu a yoga na minha vida, que traz essa consciência corporal que é muito importante. Atenção plena no que você está fazendo naquele momento. Essa dupla me ajuda nisso: a ter e manter a minha cabeça no momento que estou vivendo.

Antes de encerrarmos, acho que precisamos falar sobre moda, afinal, estamos aqui. Que lugar a moda e o seu estilo ocupam na sua vida e mente?

Me considero uma clássica com uma pitada de rock. Tenho meu estilo, mas sou muito atenta ao que está rolando ao meu redor. Gosto de ver o que as pessoas estão vestindo, sigo vários Instagram’s sobre moda, mas acho que as coisas precisam ser adaptadas. Por exemplo, eu tenho 1,60 de altura e tem coisa que fica linda na foto, mas, em nós, a gente fica: ‘Ué, gente, o que aconteceu?’ e é a mesma peça. Acho que é entender e aceitar seu corpo, independente de como você é. Você tem que se amar, acima de qualquer coisa, e usar coisas que te valorizem e valorizem seu corpo porque a moda é tão plural e tantas possibilidades. Olhar para você e se valorizar. Priorizo o que fica bacana em mim, o que me deixa a vontade.

Aliás, uma informação a mais aqui: você tem planejado seu Carnaval 2022 já? Você já foi musa de escola de samba. Veremos você na Sapucaí?

Olha, se tiver Carnaval, eu estarei lá. Torço para que tenha, mas não sei. Talvez tenhamos que esperar mais um pouco. Vamos ver.

Camiseta Louis Vuitton, segunda pele e meia calça Intimissimi, hot pants Dolce & Gabbana, óculos MAX&Co. da Marcolin Eyewear e botas Alexandre Birman – Foto: Adriano Dmas, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Liege Wisniewski e tratamento de imagem da Vetro Retouching

Para a gente acabar, levantamos alguns números sobre você e queria propor uma reflexão: 35 anos, 2 milhões de seguidores, 12 filmes lançados e 3 prontos para sair, 16 peças de teatro, 8 novelas, várias séries e seriados. O que falta a Monique fazer?

Nossa, muita coisa. Muita coisa, mesmo. Quero voltar com o meu espetáculo. Quero fazer personagens que as pessoas não estão acostumadas a me ver. Quero fazer um drama no cinema porque tenho feito mais humor nas telonas. Quero fazer alguma personalidade no cinema. Muitas possibilidades!

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