Foto: Divulgação

Em edição especial, a coluna Mulheres que Inspiram invade a Bazaar nesta terça-feira (20.10) por uma causa extremamente importante: o Dia da Filantropia. Para celebrar a data e o que ela representa, nada melhor do que falar sobre uma profissional que leva a generosidade como norte em sua profissão: a Dra. Maria Dulce Cardenuto, superintendente da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

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A pediatra teve a medicina sempre presente na sua vida graças à trajetória inspiradora de seu pai, mas foi só no final do ensino médio que decidiu seguir por esse caminho. “Na minha turma de faculdade [nos anos 1980] quase metade dos alunos já eram mulheres, mas ainda havia a preocupação de como seria nossa inserção no mercado de trabalho e nas diferentes especialidades médicas”, lembra Maria Dulce.

Para a médica, o mais encantador em sua profissão é a possibilidade de orientar, cuidar e trazer melhorias à vida das pessoas. “A pediatria me encantou como especialização por propiciar o atendimento médico de forma mais integral. O pediatra cuida da criança e da sua família ao mesmo tempo, acompanha seu pequeno paciente em seu desenvolvimento através da puericultura e o prepara para uma vida adulta saudável em todos os aspectos. Além disso, o profissional consegue executar muitas ações preventivas e de incentivo à saúde”, analisa a médica sobre sua especialização.

Quando questionada sobre as dificuldades em lidar com crianças, dra. Maria Dulce não consegue enxergar como problemas, mas como peculiaridades. Entre os exemplos, ela cita o fato de a criança “falar” pelo seu interlocutor – como pais e avós -, a necessidade de ficar atento aos sinais que a criança transmite, de integrá-la na consulta e nos cuidados e de transmitir segurança tanto ao paciente, quanto aos seus familiares.

“O conceito de filantropia está ligado ao amor e à humanidade. A sociedade será mais filantrópica se cada indivíduo pensar em seu propósito com desprendimento e o transformar em ações, sejam elas grandes ou pequenas, de melhoria para o coletivo”, diz a médica sobre a data.

A Santa Casa

A trajetória profissional da médica está toda calcada na Santa Casa de São Paulo. Foi lá que Maria Dulce fez sua graduação e especialização, onde clinicou e, atualmente, onde atua como superintendente.

“A transição do trabalho na assistência médica para cargos de gestão foi ocorrendo no decorrer dos anos de trabalho na Instituição e de forma gradativa. Atuar como executiva e não na assistência direta foi um redirecionamento profissional, mas não no propósito de ser médica. Passei a ter maior responsabilidade no cuidado de um número ainda maior de pessoas”, analisa.

“Desejo para o futuro da organização que consigamos trazer a sustentabilidade no custeio de suas atividades de saúde, que englobam assistência, ensino, pesquisa e inovação para que possa perpetuar sua missão de promover acesso integral à saúde com excelência e humanização – que são seus diferenciais”, diz sobre o que espera para a Santa Casa.

A pandemia

“Ser médica e gestora de saúde no meio da pandemia trouxe muitos desafios no planejamento e execução das ações necessárias para atendimento da população que nos procura. A preocupação inicial era de não ter tempo de preparar nossos hospitais para uma demanda maior em número de pessoas e de leitos para pacientes mais graves”, revela.

A dra. Maria Dulce analisa que a disciplina, o planejamento das prioridade, o trabalho em equipe com gestores, médicos e enfermagem foi essencial para montar uma estratégia de atendimento. “Contamos com a solidariedade da sociedade, que nos possibilitou trazer equipamentos de segurança individual para nossos colaboradores. Tomar todos os cuidados de segurança, priorizar ações e escolha de equipe trazem serenidade para enfrentamento de crises”, acrescenta.

Para a médica, a maior dificuldade em lidar com saúde pública é a falta de organização e comunicação entre diferentes níveis de atenção dos serviços de saúde disponíveis. “Neste momento, é preciso reorganizar as estruturas existentes e conectar diferentes unidades para aproveitamento máximo dos recursos e da capacidade instalada”, diz Dulce sobre o que espera dos governantes de São Paulo.