Mulheres que inspiram: a trajetória humanitária de Audrey Hepburn

Depois de passar fome na infância, a atriz se dedicou a trabalhos ao lado da Unicef

by Marcela Palhão
Audrey Hepburn em ação humanitária na Etiópia - Foto: Getty Images

Audrey Hepburn em ação humanitária na Etiópia – Foto: Getty Images

Conhecida como a “Bonequinha de Luxo”Audrey Hepburn marcou gerações como uma das maiores atrizes de sua época. Além do longa inspirado no conto de Truman Capote, ela foi a estrela de outros sucessos como ”Cinderela em Paris”“Charada”“My Fair Lady” e se tornou ícone de moda e beleza, com um estilo clássico que contrastava com a sensualidade de Marilyn Monroe, a quem era tão comparada.

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Mas se engana quem pensa que o parágrafo acima resume a importância de Audrey, cuja história e importância vai muito além de uma filmografia e das amizades com grandes designers. Aos 24 anos – antes mesmo de estrelar “Bonequinha de Luxo” -, a atriz já tinha em casa uma estatueta do Oscar, por seu trabalho em “A Princesa e o Plebeu”.

Audrey Hepburn coleciona mais quatro indicações ao premio e foi a quinta pessoa no mundo a vencer também o Globo de Ouro, o Emmy, o Tony e o Grammy – até hoje, esta lista tem apenas 17 artistas.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O início de sua vida não foi tão glamorosa. Filha de mãe holandesa e pai britânico, Audrey nasceu na Bélgica e viveu de perto os horrores da Segunda Guerra e, junto com a mãe, precisou se mudar da Holanda para Londres para fugir dos conflitos, quando chegou a passar fome. A desnutrição que passou na adolescência afetou seu corpo para sempre, impedindo que, mesmo com treinos intensos, ela não conseguisse se profissionalizar na carreira de bailarina.

Depois de alcançar o sucesso como atriz, Audrey Hepburn decidiu abdicar do glamour de Hollywood para voltar à Europa e ter uma vida mais modesta. Após se divorciar do ator norte-americano Mel Ferrer, em 1968, ela se apaixonou pelo psiquiatra italiano Andrea Dotti e foi morar em Roma. No livro “Audrey Mia Madre”, Luca Dotti, filho caçula da atriz, revelou o lado doméstico de Audrey, que amava cozinhar, realizava todas as tarefas da casa e ia diariamente buscar o filho na escola.

“Ela sempre se dedicou muito ao trabalho. Levantava cedo para estudar os seus personagens e sempre chegava pontualmente no set. Ela tinha medo de não estar à altura de seus colegas”, revelou Luca em entrevista ao O Globo sobre o momento em que Audrey decidiu voltar às telas. Depois de atuar em “Wait Until Dark”, a atriz ficou cerca de nove anos afastada do cinema e fez seu retorno no longa “Robin and Marian”, em 1976.

Audrey Hepburn para Harper's Bazaar USA, em setembro de 1962

Audrey Hepburn para Harper’s Bazaar USA, em setembro de 1962

Além de se dedicar à família durante os anos em que viveu em Roma, Audrey aproveitou o break profissional para aprender mais uma língua, o italiano. Isso fez com que a atriz se tornasse fluente em cinco idiomas, incluindo inglês, holandês, francês e espanhol. Este conhecimento foi essencial no trabalho humanitário que a atriz desempenhou ao lado da Unicefe, entre os anos 1980 e 1990.

Nos anos em que passou fome, diversas vezes a família de Audrey foi alimentada pela United Nations Relief and Rehabitation Administration, a organização que originou a Unicef. Grata pela ação, a atriz resolveu se aliar à causa e se tornou embaixadora da iniciativa, viajando para diversas regiões pobres pelo mundo. Até o fim de sua vida, continuo prestando este serviço pela Unicef e chegou a receber prêmios por sua contribuição humanitária.

Em janeiro de 1993, Audrey Hepburn faleceu aos 63 anos, vítima de um câncer que começou com um tumor no apêndice, mas que rapidamente se espalhou pelo cólon. Mesmo depois de todos estes anos, Hepburn ainda é lembrada como uma atriz, mas, para o time da Bazaar, precisa ser mais vangloriada por ser uma mulher que inspira.

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